Conversas captadas pela Polícia Federal indicam que um assessor do deputado federal José Mentor (PT-SP) marcou reunião para que a empreiteira acusada hoje de liderar um esquema de corrupção fosse subcontratada para obra da Petrobras.

Menções ao assessor de Mentor aparecem em conversas telefônicas interceptadas pela Operação Fratelli, da PF, que investiga fraudes em licitações para recapeamento.
O deputado recebeu quatro doações eleitorais dessa empreiteira, a Demop, que somam R$ 550 mil.

Mentor diz que teve contatos “esporádicos” desde 2010 com Olívio Scamatti –que é apontado como sócio oculto dessa empresa e que foi preso ontem.

A Demop é apontada como a principal beneficiária das supostas fraudes investigadas pela PF, em obras de cerca de R$ 1 bilhão. O dinheiro vinha dos ministérios das Cidades e do Turismo.

OBRA

O assessor de Mentor, chamado “Marcão”, é citado numa conversa de Gilberto da Silva, o Zé Formiga, com uma pessoa não identificada pela polícia em fevereiro. Zé Formiga é apontado pela polícia como “lobista do PT”.

Ele detalha na conversa que Marcão tem um sobrinho que é vereador em São Paulo. Mentor tem um assessor chamado Antonio Marcos da Silva, cujo sobrinho, Alessandro Guedes, é vereador em São Paulo.

Cerca de um mês após a conversa, a empreiteira começou a abrir uma estrada numa fábrica de fertilizantes da Petrobras que está sendo construída em Três Lagoas (MS), segundo o Sindicato dos Trabalhadores na Construção Civil daquela cidade. A obra deve custar R$ 3,6 bilhões e faz parte do PAC (Programa de Aceleração do Crescimento) do governo federal.

LICITAÇÕES

O principal foco da investigação da PF são as fraudes em licitações no interior paulista. Segundo o procurador Thiago Nobre, empreiteiras combinavam preços e a concorrência virava encenação.

O papel dos deputados era apresentar emendas ao Orçamento e indicar as empreiteiras que fariam a obra, diz o Ministério Público Federal.

Além de Mentor, outros dois deputados do PT de São Paulo são mencionados na investigação: Arlindo Chinaglia e Cândido Vaccarezza. Todos negam envolvimento em irregularidades. (FONTE: Folha Online)