Rio – O juiz Siro Darlan, titular da 1.ª Vara da Infância e da Juventude, disse ontem que o cantor e compositor Cazuza “traficou, roubou, fez o diabo, e é considerado um transgressor, um poeta sensível, mas quando um menino pretinho é preso porque roubou um relógio, não tem conversa na delegacia”. “Eu não estou inventando nada, tudo isso está no livro da mãe dele. Se o Cazuza fosse o pagodeiro Belo, ‘tava’ frito”, disse o juiz, em palestra na sede da Associação Comercial do Rio de Janeiro.

Em resposta à defesa, feita por empresários, da redução da maioridade penal, Darlan criticou a “hipocrisia” da proposta e disse que infrator é a sociedade, não o menor. “A redução da maioridade penal é uma forma cruel e covarde de responsabilizar a criança por sua própria vitimização. O artigo 227 da constituição diz que é dever de todos assegurar à criança e ao adolescente, com absoluta prioridade, o direito à vida, à saúde, à alimentação, à educação, ao lazer, à profissionalização, à cultura, à dignidade, ao respeito, à liberdade e à convivência familiar e comunitária, além de colocá-los a salvo de toda forma de negligência, discriminação, exploração, violência, crueldade e opressão”, disse o juiz. “Quem é o infrator? É a criança?”, indagou.

Darlan responsabilizou o prefeito Cesar Maia (PFL) pela falta de amparo aos menores no município.