O versículo bíblico completo está em Mt. 12:30, onde se lê: “quem não é por mim, é contra mim, e quem comigo não ajunta, espalha”. Palavras de Jesus. Nada mais apropriado para esse momento maranhense. Basta abstrair o contexto espiritual e teremos muitas lições para a nossa realidade.

Estamos em uma guerra e o desfecho é imprevisível, apesar de esse ser o pior momento para a oligarquia Sarney, em toda sua história. Assunto apaixonante e tem previsões para todos os gostos. O JP de domingo, no “Colunaço do Pêta”, entende que no final, o “velho cacique se arrastará aos pés do governador, em nome da velha amizade”. Creio que é forçar demais a barra. Seguramente, isso não acontecerá.

Essa guerra política será longa e demorada. Os meus olhos de analista entendem, em analogia bíblica, que estamos “nos princípios das dores”, ainda haverá a “grande tribulação”, para, então, ocorrer a “batalha final”. Uma longa caminhada.

O principal indicador para quem quiser ser vencedor não é acertar mais, porém errar menos. Repito: errar menos! Dentro desse raciocínio, fui incomodado e entristecido com um episódio que, creio, marcante, no último final de semana: a saída do jornalista e radialista André Martins, dos microfones da Rádio Capital. André integrará a equipe Mirante AM.

A esse momento, alguns cretinudos já estarão dando suas versões sobre o assunto. Já estarão dizendo, no mínimo, que André se vendeu, ou coisa semelhante. Nada disso. O episódio André Martins não é único. Infelizmente é mais um. Poderia citar tantos, mas basta lembrar Conceição Andrade, Roberto Fernandes, para não ser enfadonho.

Esses companheiros se agregaram ao sarneisismo menos pelo Sarney e tudo pela maldade e crueldade de setores oposicionistas. Há casos, como a Conceição, que foram literalmente expulsos. Empurrados!

Eu não preciso de exemplo externo, porque sou o próprio exemplo. O Sarney nunca teve dúvida de minha postura e certamente me respeita e não tem nenhum motivo para desejar o meu sucesso. Como nunca fiz parte das múltiplas “igrejas oposicionistas”; sempre fui por elas maltratado. Como fiz um pacto comigo e com Deus de ser correto e sincero em meus posicionamentos, tenho, até hoje, enfrentado inúmeros dissabores dentro das oposições.

Aprouve a Deus me proporcionar ser jornalista, porém com atividades outras que me proporcionaram independência financeira, independente das vontades políticas de quem quer que seja, mas quantos companheiros podem dizer a mesma coisa. André Martins é jornalista, vive do jornalismo, depende do jornalismo e tem um nome de seriedade e competência. Todos os políticos de oposição em atividade, incluindo os mais evidentes (Cafeteira, Jackson Lago, Neiva Moreira, Tadeu Palácio, João Castelo, Aderson Lago, Mauro Bezerra, Julião Amin, Clodomir e Graça Paz, etc.) já foram ajudados e defendidos por André Martins.

Como amigo e companheiro de André Martins, acompanhei sua carreira e suas dificuldades, infelizmente com mãos algemadas. Não me foi possível ajudá-lo. Eis que chegou ao seu limite. Telefonou-me: “Negão, vou te dar uma notícia que não vais gostar – estou indo para a Mirante”. Disse-lhe: “fazes muito bem”. Não poderia formular outra resposta.

Os homens têm suas ações dentro de determinados balizamentos: éticos, religiosos, políticos, ideológicos, etc. Nenhum, porém, é maior que os limites de uma sobrevivência digna, principalmente quando essa inclui a nossa família. As relações profissionais estão dentro do conceito de dignidade. Trabalhar na Educadora ou Mirante não fere a dignidade de ninguém.

Antes de apoiar frente ou fundo de oposições, André Martins tem obrigações civis e eclesiásticas consigo e com sua própria família. Não poderia esperar mais!

Será que alguma liderança do conjunto não-Sarney se preocupou, um momento sequer, com o guerreiro André Martins? Será que foi dado ao mesmo uma palavra de reconhecimento e carinho? Não, nunca. O episódio já aconteceu comigo.

Em 98, quando Davi Alves Silva foi assassinado, tive a ousadia de denunciar a farsa do suicídio do seu assassino, um tal Abraão. Há poucos dias, um cidadão de Imperatriz me disse: “doutor, quando ouvimos aquilo na televisão, todos imaginamos que o senhor iria morrer. Aqui em São Luís, não recebi uma única palavra de solidariedade”.

É muito bom que estejamos querendo formar uma ou mais frentes com soldados novos, incluindo muitos mercenários de ocasião. E não quero discriminar os mercenários. Existiram em todos os tempos. O que quero é que não percamos autênticos combatentes, pela miopia obtusa e cruel falta de solidariedade.

A frase de Jesus “quem comigo não ajunta, espalha” é o mesmo que dizer “político inteligente, não cisca para fora”. Quem quer ganhar eleição, principalmente em um pleito em que as diferenças não são necessariamente nem éticas, nem ideológicas ou morais, deve saber fazer política. Sim, senhores, a diferença é acima de tudo de natureza política. Nesse particular, todos somos responsáveis, mas três são mais responsáveis que outros: José Reinaldo, João Evangelista e Tadeu Palácio.

O governador tem que entender que, além de deputados, viagens a Brasília e lideranças partidárias convenientes e convencionais, têm outras pessoas com importância que merecem ser, pelo menos, ouvidas.

João Evangelista tem que ser mais que um síndico de 42 condôminos. Cabe-lhe o papel de principal articulador político do governo, inclusive por ser esse um setor com muita carência, pelos lados dos Leões.

Tadeu Palácio, com a vitória em primeiro turno, constituiu-se como a grande vedete oposicionista. O seu maior aliado é o caminho da humildade. Tem a possibilidade de transformar os pequenos em grandes e os grandes em gigantes. Fazendo assim, será a mais importante liderança política desse estado. Nesse instante, não depende de ninguém para acertar. O inverso também é verdade.

Assim, o episódio André Martins ensina como não devem ser tratados os nossos companheiros. Infelizmente! Só nos resta sonhar com o dia em que o bom senso predomine e a ignorância e burrice não façam mais vítimas do nosso lado.

BENTIVÍ é jornalista, médico otorrino e legista, advogado, músico, pós-graduando em Gestão de Cooperativas de Crédito ( MBA), pelo CETREDE/UFC e em Gestão Ambiental (MBA), pelo ISAN/FGV, professor de Medicina do Uniceuma. E-mail: [email protected]