Quadrilha é presa após troca de tiros com a Polícia
Dois irmãos índios foram mortos na madrugada desta sexta-feira quando tentavam assaltar um ônibus de passageiros na BR-226, entre os municípios de Grajaú e Barra do Corda, no Maranhão. A estrada passa dentro da reserva indígena Cana Brava/Guajajara.

Segundo a Polícia Militar em Grajaú, um policial militar armado que viajava no ônibus reagiu ao assalto e baleou os índios. O restante da quadrilha conseguiu escapar, levando um índio ferido, que morreu no hospital. O outro índio baleado morreu no local e o corpo ficou dentro do ônibus. Pela tarde, cinco índios guajajara suspeitos de terem realizado o assalto foram apresentados na delegacia de Barra do Corda por um grupo de lideranças indígenas da região.

O delegado de Barra do Corda, Afonso Carvalho, disse que os suspeitos confirmaram a participação no assalto. Dois dos índios apresentados têm menos de 18 anos. Os demais foram presos em flagrante e serão indiciados por roubo, segundo Carvalho.

Após a apresentação dos suspeitos, a Polícia Civil fez uma operação na área da reserva e localizou espingardas e revólveres que, segundo o delegado, foram usados no assalto. A reportagem não conseguiu falar com representantes dos índios suspeitos.

Segundo informação da Polícia Militar, logo depois do assalto o ônibus seguiu para a delegacia de Grajaú, onde foi aberto inquérito policial.

Os passageiros prestaram depoimento à Polícia Civil, entre eles o autor dos tiros, e foram liberados para seguir viagem. O ônibus na saiu de Teresina (PI) na noite de quinta-feira com destino a Marabá (PA).

Segundo o delegado de Barra do Corda, os assaltos a ônibus são freqüentes no trecho entre os dois municípios, próximo à reserva indígena. Em média, são registrados três assaltos a ônibus por mês na região.

Polícia prende quadrilha – Os índios, em número de seis, interditaram a BR-226 pouco depois das 3h30, com pedras e galhos de árvores. O ônibus da empresa São Geraldo, que faz linha para Piauí/Marabá, foi interceptado e invadido por eles, que adentraram o veículo armados com facas e espingardas, e anunciaram o assalto.

Segundo informações da polícia, enquanto os índios pegavam os pertences e o dinheiro dos passageiros, perguntavam insistentemente pelo policial. Coincidentemente havia um policial à paisana viajando no ônibus. Quando os assaltantes se aproximaram para roubar seu dinheiro e pertences, ele reagiu, recebeu coronhadas, mas conseguiu sacar a arma e trocar tiros com os índios, dentro do veículo. Serafim Guajajara morreu, Jonas Serafim Guajajara ficou ferido, foi levado para a aldeia, mas não resistiu, e o passageiro Anacleto Alves dos Santos foi atingido na perna esquerda.

No final da tarde, os delegado José Afonso Carvalho Ferreira, de Barra do Corda, e Jalingson Alan de Freitas, de Grajaú, invadiram a aldeia e prenderam o líder da quadrilha, Astrogildo Cabral Guajajara, que teria planejado o assalto, mas não foi ao local; Vicente Olímpio Colombo Guajajara, Guido Pereira Guajajara, Nezinho Tomás Pereira Guajajara e Malaquias Filho Pereira Guajajara.

O índio Jonas Serafim Guajajara, baleado no ônibus, morreu na aldeia por falta de assistência médica. Os outros cinco foram presos e autuados em flagrante. Segundo a polícia, a quadrilha já atuava há alguns meses na área próxima às aldeias e alguns dos envolvidos já tinham passagem pela polícia.