‘FIDEL’ DA BAIXADA
Prefeito teria abusado de menina de 15 anos com a ajuda do pai da jovem

Emancipada há quase 13 anos (foi desmembrada de Bacuri), Apicum-Açu não teve, até agora, muita sorte com seus administradores. Tanto Sebastião Lopes Monteiro, o “Cecé” (gestões de 1997 a 2000 e de 2001 a 2004), como Benonil da Conceição Castro, o “Benoca” (de 2005 até hoje), ambos apoiados pelo grupo Sarney, pouco fizeram pela cidade.

“Cecé” Monteiro – que é dono de vários imóveis no município, entre eles o Apicum-Açu Social Club – tem contra si uma ação civil pública ajuizada pela Promotoria de Justiça de Bacuri, pedindo sua responsabilização por improbidade administrativa e enriquecimento ilícito.

Já contra “Benoca” Castro – afora episódios folclóricos, como ter decretado a proibição de festejos juninos à margem dos da Prefeitura, que levaram seus adversários a apelidá-lo de “Fidel Castro da Baixada” –, pesa uma denúncia grave, de abuso sexual de uma adolescente.

O caso – Registrado na Delegacia Regional de Pinheiro e na Delegacia de Proteção à Criança e ao Adolescente (DPCA), o caso envolve uma adolescente hoje com 17 anos. A mãe da jovem, que esteve no Jornal Pequeno em maio passado e pediu para não ter seu nome citado, acusou o prefeito de ter explorado sexualmente sua filha durante quase dois anos, com a conivência de seu ex-marido, pai da adolescente – o pescador Gonçalo Alves Assunção Filho, 39 –, que teria sido beneficiado com emprego e bens materiais.

O prefeito ‘Benoca’ e a adolescente que o acusa de abuso sexual: ‘cala-boca’ com casas e dinheiro
Segundo a denúncia, os abusos praticados pelo prefeito Benonil Castro começaram no ano de 2005, quando a menina tinha apenas 15 anos e morava com o pai, em Apicum-Açu, e duraram até o final do ano passado. A mãe da jovem mora em São Luís e soube do ocorrido por meio de comentários de parentes que residem no município.

A mãe da adolescente disse ao JP que a filha sempre negou o envolvimento com o prefeito, mas que num dos telefonemas chorou muito e confessou que estava sendo obrigada pelo pai a manter relações sexuais com o prefeito Benonil, em troca de dinheiro, empregos e favores para o pescador e alguns familiares dele. “Minha filha disse que o pai dela criava situações para que ela ficasse a sós com Benonil, para que o prefeito pudesse convidá-la para manter relações sexuais. Ela também contou que não houve penetração, pois o prefeito se satisfazia apenas com sexo oral”, revelou a mãe da adolescente.

Pai se beneficiou – Ainda de acordo com a mãe da jovem, mesmo sendo casado o prefeito chegou a convidar a adolescente para morar com ele, o que levou a esposa de Benonil, de nome Rita, a agredir a jovem, pensando que era ela quem andava atrás do prefeito.

A jovem contou à mãe que não se negava a manter relações com o prefeito porque era coagida pelo pai, que se beneficiou bastante com a situação. Entre as vantagens, o pescador Gonçalo Assunção teria ganho do prefeito um emprego de segurança e outras colocações na Prefeitura para familiares. “O prefeito chegou a dar uma casa para a milha filha, mas assim que ela se recusou a ficar com ele tomou tudo dela”, afirmou a mãe da jovem.

Fuga – A adolescente conseguiu fugir de Apicum-Açu no dia 1° de janeiro deste ano, por volta das 18h, aproveitando que seu pai e o prefeito tinham saído para beber numa festa. Acompanhada de uma irmã de 14 anos e de um irmão de 12, a menina seguiu de carona com um amigo até Cururupu, onde pegou um ônibus para São Luís.

Na capital, a adolescente foi levada até a DPCA para registrar uma ocorrência contra o pai dela e o prefeito. A mãe da jovem disse que, após fazer a denúncia, foi procurada pelo prefeito a fim de que a queixa fosse retirada. “Benoca” teria oferecido R$ 6 mil para ela e R$ 15 mil mais um apartamento para a filha.

O prefeito Benonil Castro já foi ouvido pela delegada Francisca Adriana de Amarante Paixão, de Pinheiro, e o caso já foi remetido de volta à DPCA, em São Luís.

Por meio de assessores, o prefeito “Benoca” afirmou ao JP Realidade que é “inocente” e que o episódio é “uma jogada política” de seus adversários. Ele acredita que a Justiça vai inocentá-lo.