BADERNA SEM CAUSA

Grupo contrário à atual diretoria do Sindicato causa confusão na Forquilha e em outros pontos da cidade

Pelo menos três pessoas saíram feridas e um motorista foi preso

Era para ser uma pacífica paralisação de advertência de 10 horas (da 0h até as 10h da manhã), mas as eternas cisões em sua entidade de classe acabaram por transformar o movimento dos rodoviários, ontem, em São Luís, numa baderna que deixou duas pessoas feridas – entre elas uma idosa de 67 anos – e um motorista preso.

Fotos:G.FERREIRANo destaque, rodoviário segura rojão, durante confusão na Forquilha
Uma reunião entre o Sindicato e o Ministério Público do Trabalho – sob a coordenação da procuradora Virgínia Saldanha – já estava acontecendo na manhã de ontem, e as partes estavam perto de chegar a um acordo para evitar a deflagração da greve na semana que vem. Mas exatamente às 10h, a reunião teve que ser interrompida, porque um grupo de motoristas que não reconhece a representatividade da atual diretoria do Sindicato, presidida por José Rodrigues – se recusou a colocar a frota em circulação, causando tumulto, principalmente na área da Forquilha.

Idosa ferida – Os principais envolvidos na baderna da Forquilha eram funcionários das empresas 1001, Santa Clara, Taguatur e Maranhense. Eles se concentraram no Posto Paloma, e impediram que ônibus e vans das empresas onde trabalham, pudessem seguir viagem. Um ônibus chegou a ter um dos pneus furados.

Em meio ao tumulto, o motorista Eloneide Ferreira da Silva, da empresa Maranhense, atirou uma pedra num ônibus lotado e a idosa Marinalva Rosa da Silva, de 67 anos (avenida Camboa, 7, Liberdade), foi atingida na altura do olho direito. O agressor foi preso e a idosa foi levada para o Hospital do Ipem.

Mesmo com o policiamento sendo reforçado no local pela Força Tática, o grupo de rodoviários prosseguiu no tumulto. Um deles, portando foguetes, começou a soltá-los em plena avenida movimentada. Um policial tentou impedi-lo, mas foi cercado por dezenas de rodoviários. Houve empurra-empurra, tapas, chutes, e um dos motoristas, de nome Afonso Celso, acabou saindo ferido no pescoço. No auge da confusão, um policial atirou para cima para tentar dispersar os rodoviários.

Enquanto o policial atirava, outro tumulto se formava nas proximidades, quando um curioso tentava filmar a manifestação pelo celular. “Eu estava filmando por curiosidade, e quando vi foi aquela multidão de motoristas em minha direção. Eles me tomaram o celular, quebraram e me devolveram com deboche. Achei aquilo um ato de violência. Me senti um cidadão roubado. Foi como se eles tivessem colocado a mão no meu bolso e tirado R$ 500 sem minha permissão”, disse o entregador de panfletos Manoel Lanes.

Às 14h45, alegando razões de segurança, os donos das empresas 1001, Maranhense e Taguatur decidiram retirar seus ônibus das ruas. Eles só voltaram a circular uma hora depois.

Cajazeiras – Às 17h30, a situação se tranqüilizou na Forquilha, mas o mesmo grupo que patrocinou toda a confusão pela manhã transferiu suas ações para a avenida das Cajazeiras, tumultuando diante a Igreja da Graça de Deus. Resultado: com receio de sofrer depredação, os ônibus pararam de circular na avenida, deixando milhares de trabalhadores sem transporte para voltar para casa. Numa discussão entre dois homens, perto do tumulto da Cajazeiras, um deles saiu ferido a golpe de estilete no rosto. A polícia não forneceu a identificação da vítima.

Em entrevista a uma rádio local, o presidente do Sindicato dos Rodoviários, José Rodrigues, comentou o tumulto na cidade afirmando que não se responsabiliza pelos atos de “um grupo de trabalhadores bêbados”. Já um rodoviário ligado ao grupo contrário a Rodrigues afirmou ao JP que muitos rodoviários, a exemplo dele próprio, não puderam participar das decisões da categoria porque as assembléias ocorreram exclusivamente pela manhã, hora de serviço de muitos trabalhadores.

(Da Redação)