As festividades do período junino são a segunda maior tradição cultural do estado, perdem apenas para o Círio de Nazaré
Pouca gente sabe, mas a chegada das festas juninas faz a alegria de milhares de paraenses apaixonados pelas quadrilhas e pelas comidas típicas. O período junino, no Pará, é considerado o segundo maior evento cultural do estado, perdendo apenas para o Círio de Nazaré, festa religiosa que atrai cerca de dois milhões de pessoas todos os anos em Belém.

Tradicionalmente as festividades juninas acontecem à porta das casas, em diversos bairros das principais cidades do estado. Para manter viva a tradição, o governo estadual oferece apoio e ajuda a organizar festas em praças e teatros públicos.

Os concursos de quadrilhas também se profissionalizaram e hoje entregam prêmios em dinheiro aos grupos premiados, um incentivo a mais à dedicação de centenas de quadrilhas juninas que ensaiam o ano inteiro. Em todo o estado, as festas terão mais de 150 quadrilhas adultas e infantis participando dos concursos de quadrilhas. Ao todo, 26 municípios paraenses e milhares de pessoas participam das festas.

Além do concurso, as quadrilhas, as operetas conhecidas por pássaros e a tradição do boi são algumas das atrações mais valorizadas pelas comunidades locais que se mobilizam para a realização das apresentações.

Dona Graciete, 63, organiza quadrilhas há 43 anos. Ela é idealizadora da quadrilha Rainhas da Juventude e junto com a filha, Deyse Lima, confecciona roupas dos 24 pares de brincantes que compõem a Rainha da Juventude. "Nós damos a roupa; os participantes só precisam comprar os sapatos", afirma. Ano passado o investimento foi de R$ 10 mil para fazer todos os figurinos. Este ano, elas já gastaram 300 metros de tecido e será preciso tirar dinheiro do próprio bolso para terminar as roupas.

Boi e pássaros, tradições juninas do Pará  No Pará, o período junino mantém tradições únicas, com elementos culturais que só existem no estado. É o caso da opereta conhecida por lá como Pássaros e a Festa do Boi.

Os Pássaros são uma espécie de opereta popular paraense. Leva este nome porque no centro da história se desenrola um drama sentimental paralelamente à caçada ao pássaro de estimação de uma família nobre, que busca seres mágicos da região para ressuscitá-lo.

Já a festa do boi são competições de dança entre pessoas vestidas com alegorias que fazem alusão ao boi. Os competidores dão movimento à fantasia, ao som dos batuques que acompanham o cortejo de rua. Em um determinado momento, eles se enfrentam num embate simbólico. Existem outras alegorias que acompanham o cortejo do boi como os mascarados, personagens característicos da festa do município de São Caetano de Odivelas, nordeste paraense. A festa, de influência africana, tem muita cor e muito brilho.

Quadrilhas uma tradição nos festejos juninos pelo Brasil