CRIME BÁRBARO

Lúcia Fernanda, de 16 anos, foi sepultada ontem; parentes e amigos fizeram manifestação diante da delegacia do Bom Jesus

POR JULLY CAMILO

A adolescente Lúcia Fernanda Nogueira Costa, de 16 anos, morta após ser atingida por um disparo efetuado pelo cabo da Polícia Militar Carlos César Costa, na madrugada de segunda-feira (1º), no Bom Jesus, estava grávida de dois meses, segundo laudo do Instituto de Criminalística (Icrim). O corpo da jovem foi sepultado no final da manhã de ontem. O enterro ocorreu no Cemitério da Maioba, sob forte comoção e protesto de amigos e familiares, que munidos de cartazes pediram justiça e punição ao crime. A jovem foi atingida com um tiro nas costas, quando voltava de uma festa, na companhia do irmão e de um grupo de amigos. No início da tarde de ontem, perto de 20 pessoas – familiares e amigos de Lúcia Fernanda – se manifestaram diante do 10º Distrito Policial (Bom Jesus), onde o caso será investigado.

Segundo a mãe da adolescente, Joana de Jesus Correa Nogueira, moradora da 2ª Travessa Juscelino Kubitschek, n° 13, no Bom Jesus, a família não foi procurada pela PM e nem assistida pelo Estado após o fato que vitimou sua filha. Para Joana, houve proteção e assistência apenas para o autor do disparo e sua família, que foram escoltados por aproximadamente 15 policiais militares na tarde de segunda-feira, quando fugiram. “Soube que um dos comandantes da PM disse durante uma entrevista na TV que o acusado está foragido e que estão à sua procura. Mas isso é mentira. Foi a própria polícia, fortemente armada, que fez a mudança dele daqui do bairro. Portanto, eles devem saber onde o assassino está”, disse a mãe da jovem morta.

Vizinhos de Lúcia Fernanda preferiram não ser identificados, mas relataram que na tarde em que ocorreu o crime, dois caminhões, sendo um azul e outro branco, de placas HOR-6278 e HOP-1199, fizeram a mudança de Carlos César. Eles informaram ainda que o caminhão era semelhante ao que o cabo dirigia quando estava em serviço.

“Esse homem mora aqui há pouco mais de quatro anos e desde que chegou nunca mais tivemos sossego. Ele já responde a processos na Justiça por ter ameaçado e agredido várias pessoas aqui do bairro. Nem as crianças escaparam da fúria dele. É preciso parar este homem, que se vale da arma que empunha na cintura. Estamos chocados com tanta violência e decepcionados com a conivência da polícia”, declarou uma dona de casa.

A mãe da vítima contou também que após o assassinato a população ficou revoltada e depredou a casa do PM, que residia a Rua 7 de Setembro, no Bairro do Bom Jesus.

Lúcia Fernanda fazia o 8° ano do Ensino Fundamental, na escola João Lima Sobrinho, localizada no Alto do Parque Timbira. Há um ano a garota integrava o grupo “Desejo Proibido”, que apresentava a danças ao ritmo típico maranhense cacuriá. A jovem foi homenageada com músicas que remetiam à dança na capela do cemitério.

O delegado titular do 10º DP (Bom Jesus), Jefferson Portela, disse que apesar de a família ter registrado a ocorrência na delegacia da Vila Embratel, o inquérito será apurado pelo distrito onde aconteceu o crime. Ele revelou que a mãe da menina já foi ouvida, e assim que acabarem os ritos fúnebres, familiares e testemunhas prestarão outros depoimentos. Segundo disse Portela ontem à tarde, o cabo Carlos César Costa já era considerado foragido.

Em nota, a Secretaria de Segurança Pública (SSP) informou que já está investigando o crime e que o cabo PM Carlos César Costa estava lotado na Diretoria de Apoio Logístico (DAL). Segundo a PM, a arma utilizada no crime não pertence à corporação.

A SSP esclareceu ainda que as denúncias referentes a algum fato envolvendo policiais podem ser feitas à Corregedoria do Sistema de Segurança Pública (em sua sede, situada no prédio da SSP, no Outeiro da Cruz) ou pelo telefone 3214-3808.

(Colaborou Gabriela Saraiva)