Um dos detentos teve a cabeça decepada e lançada para longe do corpo

Jully Camilo

Na manhã de ontem (1º), uma briga entre duas facções rivais – o Bonde dos 40 e o Primeiro Comando do Maranhão (PCM), dentro da Penitenciária de Pedrinhas, resultou na morte de três detentos, sendo um decapitado; outros dois gravemente feridos, além de um agente penitenciário com lesões na cabeça. O tumulto, que começou por volta das 6h, foi motivado pela determinação judicial para transferência de 18 presos, da Central de Custódia de Presos de Justiça (CCPJ) do Anil para o complexo de Pedrinhas, na terça-feira (30).

Os mortos foram identificados como Francisco Henrique França Júnior, o “Júnior Nike”, apontado como um dos líderes do Bonde dos 40; Darlan Reis Leal e Flávio Rodrigues Coelho Pereira, que foi decapitado e teve a cabeça arremessada para longe do corpo. Os feridos foram os detentos Genivaldo Pinheiro Ferreira e Genilson Gusmão Neles, ambos encaminhados ao Hospital Municipal Clementino Moura, o Socorrão2; além de um agente do Grupo de Escolta e Operações Penitenciárias (GEOP), identificado apenas como “Aguiar”, que teria sido atingindo com uma pedrada na cabeça.

Segundo o secretário-adjunto de Estabelecimentos Penais, da Secretaria de Estado de Justiça e Administração Penitenciária (Sejap), Hamilton Assunção Louzeiro, o juiz Roberto de Paula, da 1ª Vara de Execução Penal (VEP), em cumprimento ao que determina a lei de execuções penais, teria solicitado a transferência de pelo menos 35 presos da CCPJ do Anil para Pedrinhas. Ele explicou que a lei ordena a separação dos detentos por regime; porém, por terem conhecimento da rivalidade entre os grupos, este procedimento não foi possível. “Os integrantes do PCM cumpriam pena no Complexo e ocupavam o Pavilhão F2, por conta disso mandamos reformar o Pavilhão 9, da ala especial, para receber os detentos oriundos de outras unidades que pertenciam ao ‘Bonde dos 40’. Dos 35 que deveriam ser transferidos, conduzimos apenas 18 na segunda-feira (30) e o restante deveria mudar de cadeia posteriormente”, explicou.

De acordo com Hamilton Assunção, os detentos gozam do regime semiaberto e, por isso, têm direito ao banho de sol, porém a regalia era oferecida de forma alternada para que as facções não se encontrassem. Ele disse que foi justamente nesse momento que um grupo do PCM, que estava fora da cela, invadiu o Pavilhão 9, armados com paus, pedras e armas de fabricação artesanal e a confusão começou. “No total, estavam envolvidos uns 40 presos nesse tumulto. Foi então que mataram três, sendo um decapitado, e deixaram outros dois gravemente feridos – todos pertencentes ao Bonde dos 40, além do agente que foi atingido por uma pedra na cabeça, mas passa bem. O Batalhão de Choque da Polícia Militar foi acionado e, em 20 minutos, a situação estava controlada. Infelizmente, a superlotação do presídio é algo que existe e não há como negar, porém vamos rever a questão das transferências e, por enquanto, elas estarão suspensas. A Delegacia de Homicídios investigará o caso”, afirmou.