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O ÓRGÃO DAS MULTIDÕES

Acuado, Sarney afasta diretores

Pressionado por uma série de denúncias contra a Casa, o presidente do Senado, José Sarney (PMDB-AP), determinou ontem que todos diretores coloquem o cargo a disposição.

Pressionado por uma série de denúncias contra a Casa, o presidente do Senado, José Sarney (PMDB-AP), determinou ontem que todos diretores coloquem o cargo a disposição. O Senado tem 131 diretores, parte deles indicados pelo próprio Sarney, que pela terceira vez preside a Casa. Sarney prometeu anunciar hoje uma reforma administrativa na tentativa de estancar as acusações.

A gota d"água foi a denúncia de que a senadora Roseana Sarney (PMDB-MA) usou sua cota de passagem paga pelo Senado para trazer a Brasília amigos e assessores e hospedou parte do grupo na residência oficial da presidência do Senado. Aliados de Sarney creditam a onda de denúncias ao PT, que perdeu a disputa pelo comando da Casa para o peemedebista, e a briga por poder entre os servidores do Senado.

Além da derrota do senador Tião Viana (PT-AC), que era até janeiro primeiro vice-presidente do Senado, o PT também perdeu a presidência da Comissão de Infraestrutura do Senado para Fernando Collor (PT-AL). Desde que assumiu o cargo, no dia 2 de fevereiro, Sarney já se viu forçado a afastar dois diretores envolvidos em irregularidades e a responder sobre pagamento de horas extras em pleno recesso parlamentar.

O primeiro escândalo derrubou Agaciel Maia, que estava há 15 anos no cargo por indicação de Sarney. Agaciel não registrou no cartório uma casa de R$ 5 milhões. Na semana passada, João Carlos Zoghbi foi afastado da diretoria de Recursos Humanos depois de revelado que seu filho morava num apartamento funcional do Senado. Ele também é ligado a Sarney.

Outro desgaste foi a revelação de que o Senado pagou R$ 6,2 milhões de hora extra para 3.883 servidores no mês de janeiro. Ontem, o Senado informou que 145 servidores terão o valor estornado a pedido dos senadores. Sarney terá que responder ao Ministério Público Federal sobre o pagamento. Ele terá dez dias para informar quem são os funcionários que fizeram hora extra e sobre qual justificativa.

O caso envolvendo Roseana Sarney também será investigado pela Procuradoria. A senadora disse que pagou passagens para três pessoas com a sua cota, mas se negou a dizer os nomes. Ela negou que tenha hospedado o grupo na residência oficial.

Sarney deve anunciar hoje assinatura de convênio com a Fundação Getúlio Vargas, que deve elaborar proposta para uma reforma administrativa da Casa. O Senado tem 6.500 servidores, entre comissionados e concursados, para atender a 81 senadores. Desses, pelo menos quatro mil são terceirizados, cargos que estariam sendo usados para acomodar parentes de diretores da Casa numa burla a decisão do Supremo Tribunal Federal que proibiu o nepotismo nos três poderes. (Da Jornal do Brasil)

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