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O ÓRGÃO DAS MULTIDÕES

Roseana divide oposição para governar

Três dias depois de assumir o Maranhão, a ex-senadora Roseana Sarney (PMDB) inicia hoje seu governo investindo no racha dos partidos de oposição e disposta a trazer para seu lado antigos aliados que romperam com a família Sarney.

Três dias depois de assumir o Maranhão, a ex-senadora Roseana Sarney (PMDB) inicia hoje seu governo investindo no racha dos partidos de oposição e disposta a trazer para seu lado antigos aliados que romperam com a família Sarney. É o caso do ex-prefeito de São Luís Tadeu Palácio, do PDT do governador cassado Jackson Lago, que vai assumir a Secretaria de Turismo. Ela também dividiu o PT e dará a secretaria de Trabalho para a "ala sarneísta".

Ao investir no racha da oposição, Roseana dá início a um processo de aproximação de um movimento maior que é levar o PT e o PDT para uma coligação com o PMDB, nas eleições de 2010. A ideia é tentar reproduzir a aliança nacional que apoiará o candidato indicado pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva à sua sucessão.

Ao mesmo tempo em que trabalha pelo racha na oposição e pela ampliação de sua base de apoio na Assembleia, a nova governadora tenta dissociar sua imagem da de seu pai, o senador José Sarney (PMDB-AP). "Sempre fui eu que governei. As responsabilidades são minhas, quem responde se tiver algum processo sou eu, não é o José Sarney", diz.

Roseana afirma que ganhou o governo no primeiro turno de 2006, quando obteve 49% dos votos válidos – na realidade, obteve 47,2%, contra 34,3% de Lago. "Ficou claro que houve corrupção. Ganhei no primeiro turno, com ampla maioria", disse ela ontem, tranquila após o fim do protesto do ex-governador. Lago, mesmo cassado pela Justiça Eleitoral, ameaçou por 36 horas resistir no cargo.

Com 20 meses de gestão pela frente, Roseana se afastará temporariamente do comando do Estado, no fim de maio, quando se submeterá à 21ª cirurgia de sua vida, desta vez para a retirada de um aneurisma. A previsão é que fique longe do Palácio dos Leões durante um mês, período em que será substituída pelo vice-governador, João Alberto de Souza (PMDB).

Antes da licença, a governadora quer construir um amplo leque de alianças partidárias que permitirá cacifar a sua candidatura à reeleição do governo, nas eleições de 2010.

Mal assumiu o governo, Roseana já controla 28 das 42 cadeiras da Assembleia do Maranhão. E parte de seu secretariado sairá da Assembleia: pelo menos cinco deputados estaduais integrarão seu governo.

Entre eles, Ricardo Murad (PMDB), cunhado de Roseana e indicado para a Secretaria de Saúde. No passado, Murad foi inimigo político ferrenho da atual governadora. "Ricardo não está vindo porque é meu cunhado, está vindo pela competência dele e porque foi indicado pela Assembleia para esse cargo", justificou. Roseana resolveu nomear para a Secretaria da Mulher a apresentadora de televisão Paula Lobão, nora do ministro das Minas e Energia, Edison Lobão (PMDB).

LOTEAMENTO

Espaço para acomodar aliados não vai faltar. Seu antecessor, o ex-governador Lago, criou 42 secretarias, entre extraordinárias e permanentes. Só em Brasília existiam três secretarias em funcionamento, todas para representar o Estado.

Agora ficará apenas uma, que será dada a um antigo aliado da família Sarney: Francisco Escórcio, que tem uma sólida relação de amizade com o senador José Sarney.

Roseana pretende reduzir a equipe para 27 secretarias. "Ninguém governa com 42 secretarias. Vou fazer uma pequena reforma administrativa neste começo de governo", diz.

A governadora, que já suspendeu pagamentos, promete ainda cortar 10% dos cerca de 4 mil cargos em comissão existentes no governo. (De O Estado de S. Paulo)

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