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O ÓRGÃO DAS MULTIDÕES

Para especialistas, queda de avião por causa de raio é improvável

A possibilidade de um raio ter ocasionado a queda do Airbus A330, da Air France, que cumpria o trecho Rio-Paris, é praticamente nenhuma, afirmam especialistas ouvidos pela Folha Online. De acordo com dados do INPE (Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais), a região pela qual o avião pode ter passado às 22h30 apresentava condições de tempestades de raios.

A possibilidade de um raio ter ocasionado a queda do Airbus A330, da Air France, que cumpria o trecho Rio-Paris, é praticamente nenhuma, afirmam especialistas ouvidos pela Folha Online. De acordo com dados do INPE (Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais), a região pela qual o avião pode ter passado às 22h30 apresentava condições de tempestades de raios.

O voo AF 447, que decolou por volta das 19h de domingo rumo a Paris, pode ter sido atingido por um raio segundo hipótese levantada pela companhia aérea. O último contato com o controle aéreo brasileiro ocorreu por volta das 22h30.

Segundo o pesquisador Osmar Pinto Junior, membro do Comitê Internacional de Eletricidade Atmosférica, se o avião voava em altitude de cruzeiro (de estabilidade, após a subida) é "pouco provável que ele tenha sido atingido por um raio". "As chances são mínimas, já que nessa altura ele voa acima das nuvens que geram as descargas elétricas".

Segundo Pinto Junior, também há raios que saem do topo das nuvens e sobem até os aviões, mas esse fenômeno é muito raro.

Caso tenha mesmo sido atingido por um raio, a hipótese mais provável, diz o pesquisador, é a de que o avião tenha enfrentado uma turbulência, perdido altitude, e entrado na área em que ocorriam as descargas.

Já Eduardo Morgado Belo, professor de engenharia aeronáutica da USP de São Carlos, os raios que atingem aviões metálicos geralmente não afetam seu sistema elétrico, pelo princípio da Gaiola de Faraday –fenômeno em que um corpo dentro de um campo eletrizado não recebe nenhuma descarga elétrica.

"Mas hoje os aviões têm partes não metálicas, como a fibra de vidro, que não tem essa capacidade de isolamento. É pouco provável que o raio atinja o sistema do avião, mas máquina é máquina", explica o professor.

Junior afirma também que todo avião é atingido por raios duas vezes por ano, em média, o que prova que eles estão preparados para receber essas descargas.

"Nos últimos 20 anos não houve nenhum caso comprovado de que um avião tenha caído por causa de um raio no mundo todo. Existem três ou quatro suspeitas, mas nada comprovado. E mesmo que fossem comprovadas, quatro casos em 20 anos é um probabilidade bem pequena", afirma Junior.

Embora a chance de ter sido atingido por raios seja mínima, o pesquisador afirma que "na natureza tudo é possível". "O avião pode ter encontrado uma situação muito atípica. Ela é possível? É, mas também é improvável", diz. (Da Folha Online)

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