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O ÓRGÃO DAS MULTIDÕES

Por unanimidade, OEA revoga suspensão a Cuba após 47 anos

Após a manifestação unânime dos 34 países da OEA (Organização dos Estados Americanos) de revogar nesta quarta-feira a suspensão imposta a Cuba em 1962, o retorno da ilha comunista ao sistema interamericano depende da decisão do governo de Raúl Castro, que ainda não se pronunciou sobre a decisão que abre uma brecha no isolamento formal que dura 47 anos.

Após a manifestação unânime dos 34 países da OEA (Organização dos Estados Americanos) de revogar nesta quarta-feira a suspensão imposta a Cuba em 1962, o retorno da ilha comunista ao sistema interamericano depende da decisão do governo de Raúl Castro, que ainda não se pronunciou sobre a decisão que abre uma brecha no isolamento formal que dura 47 anos.

Embora divirjam na interpretação dos termos que permitem o retorno de Cuba à organização, governos de todo o continente louvaram a decisão por aclamação da 39ª Assembleia Geral OEA na cidade de San Pedro Sula, em Honduras.

Os Estados Unidos exigiam que as autoridades cubanas assumissem uma série de compromissos como a democratização do país e o respeito aos direitos humanos. Já Venezuela, Nicarágua e Bolívia propunham a inclusão de Cuba de forma incondicional.

O secretário de Estado adjunto americano para a América Latina, Thomas Shannon, disse que as ações de aproximação em relação a Cuba impulsionadas pelo governo de Barack Obama representam "a maior mudança" da política dos Estados Unidos em relação à ilha em quatro décadas.

A posição favorável dos EUA à revogação da suspensão e as medidas tomadas desde março pela administração Obama "refletem a maior mudança em nossa aproximação a Cuba nos últimos 40 anos", disse Shannon perante os ministros das Relações Exteriores reunidos em Honduras.

Ele disse que a decisão adotada nesta quarta-feira elimina "um obstáculo" à participação de Cuba na OEA, estabelece um processo de compromissos e um "caminho para o futuro, baseado nos propósitos, princípios, valores e práticas" da instituição.

Shannon, que negociou nas últimas horas em representação da secretária de Estado americana, Hillary Clinton, que deixou a assembleia na terça-feira para ir ao Egito, insistiu em que o texto inclua estas referências.

O funcionário americano ressaltou o papel de seu país nas negociações, ao ressaltar que apresentou uma resolução que foi a base para o resultado "histórico" do levantamento da suspensão a Cuba.

"Foi um importante passo" dado pela OEA e pelos EUA como um de seus países-membros, e vai alinhado à oferta de "um novo começo" feito por Obama a Cuba na 5ª Cúpula das Américas, disse.

Os EUA, cujo embargo comercial à ilha foi imposto um mês depois da suspensão determinada pela OEA, levantaram nos últimos meses as restrições às viagens e remessas de cubano-americanos, e ofereceram a Cuba um diálogo sobre emigração, lembrou Shannon, que espera que, após a resposta positiva de Havana, as conversas comecem "muito em breve".

O governo cubano repetiu nos últimos meses que não tinha interesse de retornar ao que chamava de "ferramenta" dos EUA, e o ex-ditador cubano Fidel Castro escreveu no jornal estatal "Granma" nesta quarta-feira que a OEA não deveria existir, e que a organização, historicamente, tem "aberto portas para o Cavalo de Troia –os Estados Unidos– devastar a América Latina".

A retórica de Fidel foi mantida ao longo dos meses em que países como Venezuela, Brasil e Panamá movimentavam-se diplomaticamente para garantir o fim da suspensão. Nos últimos anos, todos os países do hemisfério restabeleceram relações com a ilha, com exceção dos EUA, que ainda mantêm um embargo econômico ao regime cubano.

Enquanto os EUA tentam circunscrever a decisão desta quarta-feira a um processo em andamento, o fim da suspensão foi recebido com manifestações grandiloquentes de vários líderes latino-americanos, que viram o resultado da Assembleia como um marco histórico, independentemente da falta de efeito prático imediato.

"A Guerra Fria acabou neste dia em San Pedro Sula", disse o presidente hondurenho, Manuel Zelaya.

"Não existem mais tabus dentro da OEA, todos os assuntos podem ser debatidos" depois desta quarta-feira, destacou o chanceler do Uruguai, Gonzalo Fernández.

O chanceler Nicolás Maduro da Venezuela afirmou que este dia marcará o início de "um novo tipo de relação entre as elites dos Estados Unidos e de nossos povos", citando conflitos de Washington com povos da América Latina.

O embaixador do Brasil na OEA, Ruy Casaes, congratulou-se com a anulação de "uma relíquia que remontava àquela época" –uma decisão adotada quase 20 anos depois do fim da Guerra Fria. O presidente brasileiro, Luiz Inácio Lula da Silva, disse que a decisão "é um passo importante" para readmitir a ilha na organização.

"Sou otimista de que nos próximos meses vamos encontrar uma solução", afirmou Lula à imprensa durante visita oficial à Costa Rica, endossando a visão de que ainda faltam passos a seguir para a reintegração de Cuba à organização.

Ao aprovar a resolução, a OEA deixou nas mãos de Cuba decidir se deseja ser reincorporada, para o que deve aderir aos princípios democráticos da organização, segundo o texto aprovado nesta quarta-feira em San Pedro Sula. (Da Folha Online)

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