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Caso Fundação Sarney: Outra empresa não explica quais serviços prestou

Contratada pela Fundação José Sarney com verba da Petrobras, a empresa Shalom Assessoria Contábil e Fiscal não soube explicar à Folha que serviços prestou, o valor recebido nem o período em que trabalhou para a entidade que tem como presidente de honra o presidente do Senado, José Sarney (PMDB-AP).

Contratada pela Fundação José Sarney com verba da Petrobras, a empresa Shalom Assessoria Contábil e Fiscal não soube explicar à Folha que serviços prestou, o valor recebido nem o período em que trabalhou para a entidade que tem como presidente de honra o presidente do Senado, José Sarney (PMDB-AP).

A empresa recebeu R$ 72 mil. É a segunda contratada da fundação -uma instituição privada dedicada a preservar o acervo do período que que Sarney foi presidente da República- que mostra desconhecimento sobre o serviço que deveria prestar.

Há a suspeita de que elas foram usadas para desviar recursos do projeto, que previa a conservação e recuperação do acervo da fundação. Outra empresa contratada, a MC Consultoria, que recebeu R$ 40 mil, também não soube explicar os serviços prestados. Disse apenas se tratar de "assessoria". O dono, Marco Aurélio Bastos Cavalcanti, presta serviços como contador para a família Sarney há pelo menos dez anos.

A Folha conversou ontem novamente com o contador, que falou de forma genérica sobre o seu trabalho. O proprietário da Shalom, Benedito Benício Ribeiro, não soube citar nem sequer o nome de algum cliente, além da fundação, para o qual tenha trabalhado, em São Luís (MA).

A Shalom, que não tem sede, recebeu dinheiro da Petrobras para "consultoria administrativa" do projeto de preservação do acervo da biblioteca e museu da fundação. Ao todo, a estatal liberou R$ 1,34 milhão do fim de 2005 a setembro de 2008. A fundação negou irregularidade e afirmou que, no caso da Shalom, a empresa "desenvolve, há mais de 10 anos, atividades de consultoria contábil, financeira, fiscal e administrativa para dezenas" de clientes. Segundo a fundação, a Shalom "está em plena atividade" em São Luís.

O endereço, porém, é uma residência, e Ribeiro, o dono da empresa, só vai ao local para pegar correspondência, segundo vizinhos. Ribeiro, sem detalhar que serviço prestou à fundação, limitou-se a dizer que "fez consultoria administrativa". Ele disse que foi nomeado para cargo no governo do Maranhão em 2005 e que atua hoje na área de "cursos de formação".

A reportagem pediu, então, que Ribeiro se informasse sobre o projeto pago pela Petrobras. Por telefone, quatro horas depois, disse que não poderia falar sobre o assunto, pois estava ocupado. Diretor da fundação, Fernando Belfort disse "achar estranho" que o dono da Shalom não tenha dado informações. "Ele deve ter ficado nervoso com a imprensa", afirmou. (HC E AG / Da Folha de São Paulo)

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