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O ÓRGÃO DAS MULTIDÕES

Aparelho que bloqueia travamento de carros é nova arma dos bandidos

A reportagem do programa Fantástico flagrou a obtenção de um dispositivo sem dificuldades

Homem que vende bloqueador de alarme diz ter enganado policiais (Foto: Fábio Almeida/RBS TV)

Homem que vende bloqueador de alarme diz ter enganado policiais (Foto: Fábio Almeida/RBS TV)

Um aparelho que bloqueia o sinal do alarme de carros vem sendo usado em furtos no Rio Grande do Sul. A Polícia Civil alerta que a prática vem sendo adotada em larga escala por criminosos, e a reportagem do Fantástico flagrou a obtenção de um dispositivo sem dificuldades em Porto Alegre.

“Não temos estatística ainda deste tipo de crime, embora saibamos que está muito em voga. É uma febre hoje, porque diariamente batem à nossa porta vitimas que tiveram o carro arrombado e até mesmo levado, muito provavelmente por este tipo de crime”, disse o delegado Juliano Ferreira, titular da Delegacia de Roubos da Polícia Civil gaúcha.

Conhecido entre os criminosos apenas como “chapolim”, o dispositivo bloqueia o sinal do alarme ao ser acionado próximo a um veículo. Assim, impede que as portas sejam trancadas pelo controle remoto da chave. Segundo o delegado André Mocciaro, os criminosos acionam o aparelho a cerca de 15 metros do veículo.

“Acionando o dispositivo, a pessoa vai acionar o veiculo para fechar, no seu controle particular, e o carro não tranca. O carro não aceita o comando do alarme, seja original, seja o colocado. Após a pessoa sair e acreditar que o veiculo ficou trancado, ele vem e simplesmente abre o veiculo, se serve de tudo o que tiver dentro, fecha o veiculo e vai embora”, explica Mocciaro.

O “chapolim” foi encontrado à venda em São Paulo e Porto Alegre. Na capital gaúcha, a reportagem gravou uma conversa com um golpista que vendia o dispositivo. Durante a conversa, o aparelho foi testado no meio da rua.

Aparelho é usado para bloquear sinal do alarme (Foto: Fábio Almeida/RBS TV)

Aparelho é usado para bloquear sinal do alarme
(Foto: Fábio Almeida/RBS TV)

Vendedor: bloqueia a frequência, não deixa fechar o carro.

Repórter: e quanto é que está este aí?

Vendedor: está R$ 1,6 mil.

O golpista revela que aproveita dias de jogos de futebol na capital gaúcha para furtar os carros.

Vendedor: ali no jogo do Grêmio eu peguei tanto bagulho que tu nem imagina. Enchi meu carro. (…) Peguei um monte de rádios, destes que saem.

O homem também diz ter enganado policiais.

Vendedor: a polícia já me pegou com isso aí, meu. (…) Eu uso na chave do carro, isso aqui é o alarme da tua casa. Eles não vão desconfiar disso aqui.

O aparelho é oferecido em sites de compra na internet como um controle remoto. A polícia e o Instituto Geral de Perícias (IGP) investigam como chegou às mãos dos bandidos brasileiros.

“O IGP não conseguiu identificar qual é a procedência e não temos ainda identificado qual é o uso real deste equipamento. Por enquanto, estamos acreditando que ele tenha uma utilização produtiva, e não somente este uso criminoso”, diz Mocciaro.

O empresário Luiz Gustavo Finger diz ter tido R$ 5 mil em equipamentos furtados devido ao aparelho. Ele conta que estacionou o carro em um shopping center apenas para comprar um lanche antes de ir à aula. Ele afirma ter escutado o som do alarme sendo acionado no veículo, que havia deixado com a porta trancada.

“E saí normalmente, como se o carro tivesse lacrado. Quando eu retornei, apertei o alarme, ele abriu as travas, o carro estava normal. Sem indícios de arrombamento, sem indícios de nada”, contou.

Peritos examinaram o dispositivo usado por criminosos (Foto: Fábio Almeida/RBS TV)

Peritos examinaram o dispositivo usado por
criminosos (Foto: Fábio Almeida/RBS TV)

Enquanto Finger comprava o lanche, os bandidos invadiram o carro e levaram equipamentos eletrônicos, roupas e acessórios. “Em cerca de 15 minutos os caras conseguem depenar o carro”, lamenta.

Segundo peritos do Instituto de Criminalística do Rio Grande do Sul, o equipamento embaralha os sinais eletromagnéticos enviados quando alguém tenta trancar o carro. Aparelhos parecidos podem até mesmo copiar o código de segurança da chave, como se o ladrão ganhasse acesso sem restrições a qualquer veículo.

“Eles estão praticando um furto através da tecnologia. É a tecnologia a serviço do crime”, lamenta o delegado Juliano Ferreira.

Em dezembro do ano passado, a polícia prendeu um suspeito de cometer o golpe em Porto Alegre. No apartamento dele, estavam objetos retirados de veículos e o bloqueador de alarme.

Imagens de câmeras de segurança mostram o homem no elevador do prédio onde mora em porto alegre. Segundo a polícia, prestes a cometer mais um furto. Após acionar o bloqueador de dentro do prédio, ele sai, invade um carro, retira uma mochila e sai caminhando normalmente.

O homem acabou sendo solto em menos de 24 horas, e responde em liberdade por furto qualificado e pode pegar até oito anos de prisão. Na última quarta-feira (9), dois homens foram presos por suspeita de furto na capital gaúcha e, com eles, foi apreendido um aparelho semelhante.

Dupla foi presa nesta semana com aparelho em Porto Alegre  (Foto: Fábio Almeida/RBS TV)

Dupla foi presa nesta semana com aparelho em
Porto Alegre (Foto: Fábio Almeida/RBS TV)

Recomendações da polícia

A Polícia Civil orienta aos motoristas que, após acionarem o alarme, voltem até o veículo e verifiquem se as portas ficaram mesmo trancadas. A polícia lembra que, se o bloqueador está acionado, não é possível ouvir o barulho do travamento das portas e nem o acionamento do alarme.

Trancas eletrônicas modernas geram códigos diferentes a cada vez que são acionados. Assim, a clonagem não funciona. Mas a prevenção pode ser feita de forma mais simples. “O acionamento mecânico do veículo, seja na chave, seja baixando o pino do carro, impede a utilização desse equipamento também”, lembra o delegado.

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