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O ÓRGÃO DAS MULTIDÕES

Ford troca de presidente e deve priorizar países emergentes

A decisão já era esperada desde o começo do ano e os rumores sobre a substituição aumentaram no começo do mês

(Foto: Bill Pugliano/Getty Images/AFP)

(Foto: Bill Pugliano/Getty Images/AFP)

A Ford Motor confirmou nesta quinta-feira (1º) sua troca de comando: sai o atual presidente-executivo Alan Mulally, que vai se aposentar do cargo no próximo dia 1º de julho, entra Mark Fields, atual presidente global de operações desde 2012.

A decisão já era esperada desde o começo do ano e os rumores sobre a substituição aumentaram no começo do mês. O site UOL Carros procurou a Ford do Brasil na última semana, mas a assessoria da filial se limitou a dizer que não comentava decisões internas da matriz.

Não espere por mudanças radicais quanto à atuação da marca no Brasil neste momento. Mas Fields, que está há 25 anos no grupo Ford e já foi presidente da Mazda (quando a marca japonesa pertencia à americana), é conhecido como homem-forte da montadora quando o assunto é a coordenação dos diferentes mercados de carros em que a marca atua. Bom interlocutor, o executivo de 53 anos conhece tudo sobre a venda de seus produtos em diferentes países e deve colocar mercados emergentes — caso do Brasil, mas também de Rússia, Índia e sobretudo China — em foco.

Prioritariamente, será missão de Fields prosseguir e ampliar a bem sucedida herança de Mulally, o plano “One Ford”, que estabeleceu a troca de experiências entre a matriz e suas diferentes filiais ao redor do mundo. Com esta estratégia, tanto Mulally (o atual número 1 da marca) quanto Fields (até então. o número 2 e que vai assumir a liderança) foram responsáveis por reduzir prejuízos e custos e, num segundo momento, ampliar a receita e a lucratividade.

Com o “One Ford”, podem mudar nomes e padrões de acabamento, mas as soluções de engenharia e design únicas criam carros globais.

Os planos de Mulally

Aos 68 anos, Mulally afirmou no anúncio de seu desligamento — feito ao lado de Fields e do presidente da companhia Bill Ford (bisneto do fundador Henry Ford), na sede da companhia em Dearborn, na região metropolitana de Detroit (EUA) — que também deve deixar a vaga que ocupa no conselho administrativo da empresa.

“Desde o primeiro dia em que discutimos a transformação da Ford, há oito anos, Alan [Mulally] e eu concordamos em treinar uma nova geração de líderes”, afirmou o presidente Bill Ford. “Garantir a sucessão tranquila da presidência-executiva sempre esteve entre nossas prioridades”.

Uma das especulações na mídia americana é a de que Mulally pudesse ir para a Microsoft, situações tida como improvável por especialistas. Em seu anúncio, o executivo afirmou que ainda não se decidiu quanto ao futuro profissional.

Legado lucrativo

Lenta, a Ford do começo dos anos 2000 dava prejuízo. Entre 2006 e 2008, a empresa acumulou perdas de US$ 30,1 bilhões e se viu obrigada a entregar marcas que estavam sob seu controle — as inglesas Jaguar e Land Rover e a japonesa Mazda são exemplos dessa mudança forçada que seguiu até 2008, às vésperas da crise econômica global.
Mulally assumiu o comando da gigante americana em setembro de 2006, vindo da Boeing. De cara, fez plano de empréstimo junto ao mercado financeiro e de acionistas de US$ 23 bilhões e deu folego à companhia. A manobra ainda permitiu que a montadora escapasse da venda de ações ao governo e da quebradeira que afetou as rivais General Motors e Chrysler no auge da crise mundial em 2008/09.

O mercado americano reverenciou Mulally como especialista em gestão de negócios — o CEO da Ford s tornou um dos conselheiros do presidente Barack Obama quando o assunto são as relações com o mercado internacional.

Nos últimos cinco anos, os ganhos da Ford chegaram a US$ 42,3 bilhões. A nova geração de carros adotou visual ousado e maior tecnologia embarcada e, com sua característica global, pode começar a ser vendida com adaptações mínimas em diferentes mercados globais.

Os destaques dessa nova fase são SUVs compactos, como o Escape/Kuga (para mercados consolidados) e o novo EcoSport (desenvolvido no Brasil para emergentes), que se habilita a ser vendido também na Europa, além da Ásia; o novo Fusion (Mondeo na Europa e países asiáticos), que se firma como um dos melhores do segmento desde a segunda geração e passa a desafiar até as alemãs Mercedes-Benz, BMW e Audi na base do segmento premium; o médio Focus, apontado pela montadora como seu modelo global por excelência, disputando o topo da lista de carros mais vendidos do mundo (em suas diferentes gerações e modelos) com Volkswagen Golf e Toyota Corolla; e, sobretudo no mercado americano, a hegemonia das picapes da Série F.

Em 2013, os ganhos da Ford no mercado americano bateram recorde: US$ 8,78 bilhões, quase R$ 20 bilhões pelo câmbio atual. Ainda assim, o lucro bruto no primeiro trimestre de 2014 caiu 39%, o pior desde 2010. Momento, portanto, de ajuste na rota.

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