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O ÓRGÃO DAS MULTIDÕES

Na ONU, Dilma critica intervenção militar para solucionar conflitos

Presidente do Brasil fez discurso de abertura da Assembleia Geral da ONU

Foto: Reprodução

Primeira chefe de Estado a discursar na abertura da 69ª Assembleia Geral da Organização das Nações Unidas (ONU), em Nova York (EUA), a presidente Dilma Rousseff condenou nesta quarta (24) o uso de intervenções militares para tentar solucionar conflitos bélicos, como o da Síria. Segundo ela, o mundo não pode aceitar “manifestações de bárbarie”.

A presidente brasileira também ressaltou aos colegas que a comunidade internacional não pode ficar indiferente com relação à expansão da epidemia de Ebola no continente africano.

“Verifica-se uma trágica multiplicação de vítimas civis e dramas humanitários [nos conflitos no Oriente Médio. Não podemos aceitar que essas manifestações de barbáries firam nossos valores éticos, morais e civilizatórios. Tampouco podemos ficar indiferentes ao alastramento do vírus ebola no oeste da África”, declarou Dilma na tribuna da ONU.

O encontro anual dos 193 países que integram a organização internacional foi aberto na manhã desta quarta com um pronunciamento do secretário-geral da ONU, Ban Ki-moon. No discurso, o dirigente denunciou os ataques contra os direitos humanos ao redor do mundo, enumerando os diversos conflitos e crises na Síria, Iraque, Gaza, Ucrânia, Sudão do Sul e República Centro-Africana, entre outros.

Em seguida, o chanceler de Uganda, Sam Kuteza, que está presidindo a 69ª Assembleia Geral das Nações Unidas, também fez uma breve manifestação. Entre outros assuntos, o diplomata chamou a atenção dos governantes mundiais para o crescimento de casos de Aids no mundo, para a epidemia de Ebola na África continente africano e, por fim, reivindicou a reforma do Conselho de Segurança da ONU.

Desde 1947, o Brasil é o primeiro país a discursar na abertura do encontro anual da ONU. A tradição teve início com o ex-chanceler brasileiro Oswaldo Aranha, um dos articuladores, ao final da 2ª Guerra Mundial, da criação da entidade internacional. Naquele ano, o político gaúcho foi incumbido de fazer o discurso de abertura da primeira Assembleia Geral.

Primeira mulher a ocupar a Presidência da República, Dilma estreou na tribuna da ONU, em 2011. Esta foi a quarta vez que a chefe do Executivo discursou na assembleia.

No ano passado, em razão da descoberta de que agências de inteligência norte-americanas haviam espionado autoridades estrangeiras – incluindo a própria Dilma –, a presidente brasileira concentrou seu discurso para as autoridades da ONU na segurança de dados na internet. Naquela ocasião, a petista ressaltou que casos de espionagem “ferem” o direito internacional e “afrontam” os princípios que regem a relação entre os países.

Cúpula do Clima
Nesta terça (23), em discurso na Cúpula do Clima das Nações Unidas – evento preparatório para a Assembleia Geral conferência que discutiu as alterações climáticas no planeta – Dilma Rousseff afirmou que a determinação do Brasil em enfrentar as alterações no clima não se limita à conservação da Amazônia.

Na ocasião, ela destacou medidas adotadas pelo governo brasileiro nos últimos anos para reduzir o desmatamento na região amazônica e no cerrado. A presidente defendeu que as iniciativas da comunidade internacional para enfrentar os problemas climáticos sejam “justas, ambiciosas, equilibradas e eficazes”.

Além da preservação da Amazônia, Dilma citou, em seu pronunciamento, que deveria haver uma preocupação dos países para tentar reduzir o desmatamento na região da bacia do Congo, na África.

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