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O ÓRGÃO DAS MULTIDÕES

Cerca de 80 pessoas tiveram contato com paciente que tem ebola nos EUA

Inicialmente, país divulgou que 18 pessoas tinham entrado em contato

Criança passa em frente à placa do hotel "The Ivy", em Dallas, onde ambulância pegou um homem que foi diagnosticado com Ebola (Foto: Mike Stone/Reuters)

Criança passa em frente à placa do hotel “The Ivy”, em Dallas, onde ambulância pegou um homem que foi diagnosticado com Ebola (Foto: Mike Stone/Reuters)

Autoridades de saúde do Texas informaram nesta quinta-feira (2) que ao menos 80 pessoas estiveram em contato em algum momento com o primeiro paciente diagnosticado com ebola nos Estados Unidos, um salto significativo em comparação ao número inicialmente divulgado de quem teria sido exposto ao vírus – 18, segundo o governo dos EUA.

Além disso, quatro integrantes da família do paciente foram colocados em quarentena dentro da própria casa, como cautela. As informações foram divulgadas pela agência Reuters, a partir de um relatório obtido pela emissora NBC.

A agência Associated Press identificou o paciente com ebola. O liberiano Thomas Eric Duncan foi a um pronto-socorro em Dallas na sexta-feira (26) e disse que vinha da África, mas a informação não foi passada adiante pela equipe que o atendeu, de modo que ele foi mandado de volta para casa com antibióticos, segundo sua irmã.

Duncan está isolado desde domingo, depois que sua situação piorou. Ele está nos EUA pela primeira vez, para visitar a família. Cinco crianças tiveram contato com o paciente, de acordo com o governador do Texas, Rick Perry.

O primeiro paciente diagnosticado viajou da Libéria para o Texas via Bruxelas, informou a principal autoridade em saúde pública do Canadá, Greg Taylor. Com isso, as companhias aéreas norte-americanas e sua associação comercial, chamada Airlines for America, estão em contato próximo com os Centros de Controle de Doenças e Prevenção sobre as medidas a serem tomadas pelo governo dos EUA para lidar com as preocupações de saúde a respeito do vírus, de acordo com um porta-voz da companhia JetBlue.

Vírus transmitido durante socorro

Reportagem do “New York Times” feita na Libéria afirma que Duncan pode ter se infectado quando ajudou a carregar a filha doente do dono do local onde vive em Monróvia.

O governo da Libéria enfatizou, nesta quarta-feira, que o paciente não tinha sinais de ebola quando deixou o país. Segundo o ministro da Informação, Lewis Brown, o país implementou medidas de triagem rigorosas que estão evitando que o ebola se espalhe por viagens aéreas.

Os americanos discutem atualmente a possibilidade de usar drogas experimentais ou transfusão de plasma sanguíneo de um paciente que se curou do ebola para tratar o paciente diagnosticado com a doença no Texas. De acordo com a Casa Branca, o presidente Barack Obama já foi informado sobre os detalhes do caso por Tom Frieden, dos CDC.

Outros americanos infectados

Desde que começou a epidemia de ebola na África Ocidental, os Estados Unidos já tinham recebido outros americanos infectados pela doença. Porém, nesses casos, eles já chegaram ao país com o diagnóstico da infecção, com uma estrutura de isolamento já preparada para recebê-los.

Foi o caso do médicos missionários Kent Brantly e Rick Sacra, além da trabalhadora voluntária Nancy Writebol. Infectados na Libéria, os três foram tratados nos Estados Unidos e tiveram alta recentemente.

O Instituto Nacional de Saúde americano (NIH) reportou ainda ter recebido outro médico americano que foi exposto ao vírus enquanto trabalhava em Serra Leoa de maneira voluntária.

Mais de 3 mil mortos na África

O balanço mais recente divulgado nesta quarta-feira (1º) pela Organização Mundial da Saúde (OMS) calculou que 3.338 pessoas já morreram de ebola desde o início da epidemia, em março, em cinco países da África Ocidental. Ao todo, 7.178 pessoas foram infectadas nessa região.

Só a Libéria já registrou 1.998 mortes, quase três vezes mais do que Guiné e Serra Leoa, os outros dois países mais afetados pela doença, de acordo com as informações da OMS.

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