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O ÓRGÃO DAS MULTIDÕES

Entenda como a WV manipulou testes e emissão

No último mês, a Volkswagen assumiu ter violado os testes de emissões de poluentes para se enquadrar aos padrões rigorosos de emissão de óxido de nitrogênio (NOx) nos EUA e Europa. O Conselho Internacional de Transporte Limpo e a Universidade de West Virginia descobriram a manipulação após realizarem um estudo, o que levou a montadora […]

No último mês, a Volkswagen assumiu ter violado os testes de emissões de poluentes para se enquadrar aos padrões rigorosos de emissão de óxido de nitrogênio (NOx) nos EUA e Europa. O Conselho Internacional de Transporte Limpo e a Universidade de West Virginia descobriram a manipulação após realizarem um estudo, o que levou a montadora a admitir a fraude de 11 milhões de veículos a diesel. Entenda como isso foi possível.

Qual foi a fraude feita pela Volkswagen?

A montadora instalou softwares nos motores a diesel que adulteravam os resultados dos testes de poluentes realizados nos EUA e na Europa, o que fez parecer que os carros da marca emitiam menos poluentes do que a realidade. A Bosch teria fornecido à Volkswagen os softwares dos motores EA 189 2.0 TDI que desencadearam o escândalo, que envolveu 11 milhões de carros. O presidente global do grupo, Martin Winterkorn, renunciou ao cargo, após se desculpar publicamente pela fraude revelada pela Agência de Proteção Ambiental (EPA). Matthias Müller, presidente do conselho da Porsche, assumiu o cargo.

Como a manipulação foi feita?

Softwares instalados na central eletrônica (ECU) eram capazes de perceber quando o carro estava passando por testes. Entre as informações detectadas pelo sistema estavam a posição do volante, a velocidade do veículo, o tempo que o motor ficava ligado e a pressão barométrica do modelo. Nessas condições, o software fazia o carro baixar os níveis de poluentes emitidos. Da mesma maneira, o programa era capaz de se desativar em situações normais de rodagem. Nesses casos, o motor emitia de 10 a 40 vezes mais poluentes.

Houve alguma alteração mecânica no carro para realizar a fraude?

Não. A manipulação foi possível porque os modelos mais modernos possuem uma espécie de minicomputador que controla funções como ar-condicionado e limpador do para-brisa, entre outros. O dispositivo manipulador era instalado no minicomputador que controla o sistema de injeção dos veículos.

Quais foram as consequências da manipulação no funcionamento dos carros?

Entre os componentes mais emitidos pelos carros adulterados, estão os óxidos de nitrogênio (NOx), que contribuem para a formação das chuvas ácidas e da névoa seca de poluição. Entre os danos para o ser humano, estão inflamações das vias respiratórias até doenças respiratórias mais graves. Além disso, durante os testes, o consumo dos veículos afetados também era reduzido. Isso significa que, sem o sistema adulterado, os modelos devem perder potência e economia de combustível.

A montadora anunciou reparo aos 11 milhões de carros envolvidos na fraude de emissões. Para reparar os danos da violação e pagar multas, o Grupo Volkswagen diz ter separado a soma recorde de 6,5 bilhões de euros.

Como são feitos os testes de emissões nos EUA e Europa?

Os testes de emissões são chamados de semi-estáticos e são feitos dentro de laboratórios em máquinas que simulam as atividades”normais” dos carros. Para medir níveis de poluentes, como hidrocarboneto, C0 e C02, tubos são colocados nos escapamentos dos veículos. As rodas giram, o carro traciona, mas continua parado. Os testes também são feitos desta forma no Brasil. Se o modelo não atender às leis locais de poluentes, não pode ser vendido.

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