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O ÓRGÃO DAS MULTIDÕES

Sem inovar, Fiat Mobi mira pontos fracos do up!

Atrás em termos técnicos, a Fiat rebate dizendo que o Mobi Like é R$ 2.090 mais barato que o Take up! com ar e direção assistida (elétrica). E compara a novidade até mesmo com o Ka SE, alegando ser R$ 3.690 mais em conta.

Dentro do discuso do presidente, entenda-se que a Fiat trabalhou no gosto local, principalmente no design. Como dissemos anteriormente, o Mobi é mais bonito ao vivo do que pelas fotos. A frente é imponente, as laterais vincadas transmitem robustez e a traseira completa o conjunto com a elegância da tampa preta, totalmente de vidro. A solução, além de salvar 5 kg do peso do carro, não deixa de ser uma “espetada” na VW, que preferiu não adotá-la no up! brasileiro, apesar de o modelo original europeu ter o recurso. Por dentro, a Fiat também ouviu os consumidores e não deixou nada de lataria aparente, como o up! abusa nas portas, dando a impressão de ser mais bem acabado.

Fiat Mobi Like On

O que também não deixa de ser verdade, pois o Mobi tem qualidade de construção ainda não vista em Betim (MG). Junções de carroceria mais justas, peças plásticas mais bem montadas e até mesmo o corte dos plásticos do interior, com menos rebarbas, transmitem boa sensação a bordo. Para completar, há diferentes texturas e uso de materiais no painel e laterais de porta, além de um tecido bacana nos bancos. Ao menos na versão Like On avaliada por nós, o Mobi não passa a ideia de “carro de entrada” – só vimos o painel do Easy por fotos, e parece bem simplório.

Fiat Mobi Like On - computador de bordo

Em termos de espaço, não há milagres: na frente a acomodação é semelhante à do Uno (ainda com dois porta-copos muito rasos no console à frente do câmbio), mas atrás há mais espaço para a cabeça que para as pernas – nada muito diferente do up!, é verdade. Boa sacada das portas traseiras que abrem num ângulo de 75 graus, o que facilita bastante o acesso. Já a tampa do porta-malas pode gerar estranheza num primeiro contato, mas a Fiat garante que não é preciso cautela: o vidro é bem grosso, com 5 mm de espessura, e o para-choque traseiro tem alma interna de aço, para proteger a tampa em caso de pequenos impactos. Faltou apenas uma lingueta junto do miolo da chave, pois ao manusear a tampa é preciso pegar no vidro e, com isso, ele acaba ficando marcado de dedos.

Fiat Mobi Easy On

A partir da versão Like, o Mobi traz o que a Fiat chama de Cargo Box, uma cesta de 14 litros encaixada no porta-malas, com divisórias para pequenos objetos – bom para levar as compras do mercado sem deixar as coisas soltas. Mas, ao levar bagagens volumosas, é preciso tirar a cesta e deixar em casa, pois ela rouba espaço do já limitado compartimento de bagagens.

Fiat Mobi Way On

Um opcional bastante interessante será oferecido a partir de junho: trata-se do Live On (acima), um dock com integração ao sistema nervoso do carro. A ideia é usar seu celular (Android ou iPhone) como central multimídia do carro via Bluetooth, a partir de um aplicativo que integra rádio, Waze e Spotfy, além de uma espécie de econômetro que vai te mostrando como dirigir gastando menos combustível. Para carregar o celular há uma tomada USB bem próxima do dock, e para não haver distração alguns comandos podem ser feitos pelas teclas do volante. Resta esperar até a estreia do recurso para ver se a Fiat vai cumprir a promessa de cobrar bem menos que uma central multimídia.

Como anda?

Quem já dirigiu um Uno se sentirá em casa no Mobi, pois, se não olharmos pelo retrovisor interno, a impressão é de se estar dirigindo o irmão maior – o que é bom por um lado e nem tanto por outro. Bom porque a posição de guiar é correta, bem centrada, o volante tem boa pegada e a dirigibilidade geral é bastante leve, seja no peso dos pedais, resistência dos engates do câmbio ou no esforço da direção (que ainda mantém a assistência hidráulica). O lado não muito bom é que, mesmo sendo cerca de 60 kg mais leve que o Uno (dependendo da versão), o Mobi tem desempenho apenas razoável.

Fiat Mobi Like On

Equipado com o conhecido motor 1.0 Fire de 75 cv e 9,9 kgfm de torque, o novato tem saídas morosas e precisa de giros além das 3 mil rpm para responder a contento nas retomadas. Ou seja, é preciso trabalhar bem o câmbio (que nos pareceu mais “justinho” em relação ao Uno apesar de não ter havido troca do trambulador) para não perder o pique, mesmo rodando em ambiente urbano. Ao menos o consumo nos pareceu interessante, com média de 9,5 km/l de etanol num trajeto pela capital paulista, sem muito trânsito.

Fiat Mobi Like On

A calibração de molas e amortecedores é semelhante à do Uno, bem confortável, mas como o entre-eixos e os balanços são mais curtos, o Mobi transmite ser um pouco mais à mão que o irmão, com menor rolagem da carroceria nas curvas e frenagens. Mas nada que tire a boa absorção de impactos, coisa que ele faz com mais delicadeza que o up!, mais firme como todo VW. No geral é um carrinho leve e ágil na cidade, além de ser bastante fácil de estacionar – apenas a visibilidade traseira acabou restrita pela tampa de vidro, já que a parte transparente é pequena.

 

Fiat Mobi Like On

Salvo atrasos, o Mobi deverá entrar mais sério na briga com up! daqui em 2017, para quando está prevista a adoção do novo motor 1.0 GSE 3-cilindros da Fiat – que estreia no segundo semestre deste ano sob o capô do Uno. Até lá, o compacto da VW seguirá na frente em consumo e, principalmente, performance. Ainda que desempenho não seja prioridade em se tratando de 1.0, é certo que os motores tricilíndricos modernos deixaram a tocada dos “milzinhos” bem mais agradável.

Quanto custa?

Contrariando a expectativa do preço inicial abaixo de R$ 30 mil, o Mobi estreou a partir de R$ 31.900. Mas a versão Easy é totalmente destinada a frotistas que talvez desejem algo mais moderno que o Palio Fire – que segue em produção ao menos até que o Mobi “embale” nas vendas. Já o consumidor comum terá de gastar mais.

Fiat Mobi Like On

A versão que a Fiat considera que será a mais vendida é a intermediária Like, de R$ 37.900, que vem com ar-condicionado, direção hidráulica, limpador/lavador do vidro traseiro, vidros dianteiros elétricos, comando interno para abertura do bocal de combustível e do porta-malas. A versão avaliada, a Like On, já pula para R$ 42.300, adicionando rodas de liga, ajuste de altura do banco do motorista, rádio com Bluetooth, retrovisores elétricos e sensor de estacionamento, entre outros itens – veja tabela completa de preços e equipamentos.

comparativo mobi.jpg

Atrás em termos técnicos, a Fiat rebate dizendo que o Mobi Like é R$ 2.090 mais barato que o Take up! com ar e direção assistida (elétrica). E compara a novidade até mesmo com o Ka SE, alegando ser R$ 3.690 mais em conta. No entanto, vale lembrar que o Ka é substancialmente maior, sendo mais concorrente de Uno e Palio do que do Mobi.

Fiat Mobi Like On

O fato é que, seja qual for o rival escolhido, quase todos eles estão sendo vendidos com descontos nas lojas. Tem Onix a R$ 35.900, Ka a R$ 39.900, up! com taxa reduzida… Com mercado em baixa devido à crise, acreditamos que o Mobi também terá de entrar na guerra de preços para se dar bem.

Por Daniel Messeder

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