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O ÓRGÃO DAS MULTIDÕES

A moda agora é trocar as rodas originais dos carros por outras maiores

arece impossível, mas já é possível pegar uma roda aro 13, por exemplo, e aumenta-la para um aro 16 ou 17, além de aumentar a tala (largura), do tamanho que o cliente desejar. Quem faz isso em Curitiba é o Elírio Canuto da Silva, 39 anos, mais conhecido como “Bacana”, dono da Dom Bosco Pneus. […]

arece impossível, mas já é possível pegar uma roda aro 13, por exemplo, e aumenta-la para um aro 16 ou 17, além de aumentar a tala (largura), do tamanho que o cliente desejar. Quem faz isso em Curitiba é o Elírio Canuto da Silva, 39 anos, mais conhecido como “Bacana”, dono da Dom Bosco Pneus.

“Bacana” explica que pega a roda original do carro, corta a parte de fora (frente) e adapta dentro de uma roda de aro maior. É preciso que a roda original passe por um torno, para que a borda fique no formato exato do encaixe. Este processo, em geral, leva dois dias. Então “Bacana” centraliza as duas rodas, prensa uma na outra e coloca parafusos para fixa-las.

O empresário explica que o método é mais vantajoso que a reforma de rodas, porque evita as trincas e quebras. “O problema da reforma é que, geralmente, a roda inteira fica mais fina ao ser passada no torno. Isso é que traz o risco de trincas”, analisou.

Depois de aumentada, a roda pode passar por qualquer tipo de personalização que o dono do carro deseje. Pode receber pintura, cromagem, borda diamantada, parafusos (só para estética), entre outros.
“Trabalhei por 22 anos com desenvolvimento de produtos automotivos, até abrir minha loja. Eu vendia só rodas prontas. Até que criei esse método de aumento da roda e hoje tem sido o sucesso aqui da loja”, disse o empresário.

Moda

Além do aumento de rodas, “Bacana” mostra outra tendência que já pegou em Curitiba. É a de usar bordas maiores nas rodas (talas aparentes). Nestes aumentos de rodas, como os clientes pedem também o aumento da tala (largura da roda/pneu), sobra um pedaço de borda “para fora” da roda original.

Além dos carros dos clientes, o empresário também adotou a moda nos seus veículos particulares, um Fusca e um Chevette. Este segundo será de sua filha, atualmente com 15 anos, mas que não vê a hora de completar a idade para poder usufruir do bólido.

Maior atrás

No Fusca, “Bacana” também reproduziu uma tendência que ele diz estar sendo muito usada na Europa e Estados Unidos, a de usar rodas com talas e bordas menores na frente, e talas e bordas mais espessas na traseira. “Quanto mais borda, mais bonito”, disse. O Chevette tinha aro 13 polegadas e, agora, é 17. Já o Fusca tinha aro 15 e passou para 17 também. O máximo que o empresário já aumentou em sua loja foi para um aro 18, num carro de cliente. “Maior que isto já fica para carros maiores”, diz o empresário, que tem muitos clientes donos de Fuscas, Chevettes e Opalas.

O serviço de aumento de rodas leva, em média, sete dias para ficar pronto e não custa barato: em torno de R$ 3.800 (para aro 17). Para aros maiores ou menores o preço pode subir ou diminuir, respectivamente. De qualquer forma, é mais caro que comprar um jogo de rodas novo, com a tala aparente. “Mas o cliente não se importa de pagar mais. O que ele quer é exclusividade, que ninguém tenha uma roda igual a dele”, completou “Bacana”.

A Meca da customização é aqui

Curitiba está muito a frente de outras cidades do Brasil, quando o assunto é customização, performance ou recuperação de veículos, principalmente os antigos. Várias oficinas se especializaram e a capital recebe automóveis de todo o País para serem recuperados ou “apimentados” por aqui.

A história do advogado Rodrigo Druszcz, dono da Hot Chilli, especializada em carros antigos, é muito parecida com a da maioria dos donos destas oficinas especializadas: uma paixão que iniciou na infância, virou hobby anos mais tarde e depois se transformou em negócio.

“Curitiba tem hoje uns 20 mecânicos especializados em carros antigos. A história da maioria deles, na minha faixa etária, começou lá com o seu Alberto Glaser, que tinha uma coleção de veículos. A piazada ficava na rua e sempre que o Alberto saia com algum carro a gurizada babava. É dessa turma que saíram os especializados em mecânica antiga”, contou Rodrigo.

“Em quantidade, outras cidades grandes podem até ter mais oficinas que aqui. Algumas delas são muito boas. Mas em qualidade, nenhuma bate Curitiba”, resume o empresário Cleverson Moraes, 40 anos, dono da NHRA, especializada em preparação de veículos, customização e réplicas de carros antigos. Com 14 anos, ele comprou o seu primeiro Dodge Charger, paixão que evoluiu até um dragster. A experiência evoluiu a ponto dele fabricar na oficina vários tipos de peças para os carros que monta, como chassis, eixos de suspensão, entre outras.

Cadillac

E quem diria que é em Curitiba também que há uma oficina especializada em recuperação de Cadillacs. É o caso da Phoenix Studio, que já deixou “novos em folha” mais de 300 exemplares. São carros que marcaram época pelo requinte e extravagância. Também revolucionaram a indústria automobilística porque foram os primeiros a oferecer direção hidráulica de série e a desenvolver controle automático de ar-condicionado. Foi pioneira no volante regulável e no computador de bordo.

Mas o Phoenix não mexe só com Cadillacs. Também recupera vários outros veículos antigos e, junto com o restaurante temático Phoenix American Mex (comida americana e mexicana), promove semanalmente encontros de carros de várias outras marcas e idades, para prestigiar e fomentar esta cultura dos antigos em Curitiba.

A moda agora é trocar as rodas originais dos carros por outras maiores
Druszcz: paixão que se transformou em hobby e, depois, em negócio. Foto: Antonio More

Três tipos de clientes

Rodrigo Druszcz, da Hot Chilli, mostra que, pelo menos em sua oficina, existem três tipos de amantes de carros antigos. O primeiro é aquele que gosta do automóvel totalmente original e sem qualquer arranhão. Mostrando um Corvette, que foi um dos 60 Pace Cars das 500 Milhas de Indianápolis, em 1978, Rodrigo mostrou que o dono é muito exigente. Mandou cromar os parafusos das rodas e, para coloca-las nas rodas, recomendou que o aperto fosse feito à mão e com protetores, para não riscar os parafusos. “Está vendo essa telinha aqui na saída de ar? Ele mandou importar, porque ela faz parte do veículo original e estava faltando no carro. São detalhes”, mostrou o advogado.

Há também os clientes que gostam de manter parte das características originais, mas também querem personalização. Este é caso de um Mustang parado para melhorias no motor, que é personalizado por dentro com tapetes Harley Davidson, manopla e volante, além das rodas esportivas.

Já outros tipos de clientes preferem manter a originalidade externa e “apenas” apimentar o motor. Rodrigo mostrou um Maverick, que estava na oficina para mudar o propulsor V8 por outro ainda mais potente, próximo dos 600 cavalos. O carro é do Espírito Santo e o dono só faz alterações aqui em Curitiba, por não encontrar oficinas especializadas e de qualidade em sua cidade.

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