Fechar
Buscar no Site
O ÓRGÃO DAS MULTIDÕES

Implantado serviço de neurologia no Hospital do Câncer Tarquínio Lopes Filho

A equipe é formada por seis profissionais, sendo dois neurologistas clínicos e quatro neurocirurgiões

Serviço de neurologia clínica e neurocirurgia esta pronto para atender pacientes regulados e de demanda espontânea

Serviço de neurologia clínica e neurocirurgia está pronto para atender pacientes regulados e de demanda espontânea

Para preencher um vazio assistencial na área de neurologia oncológica, foi implantado, no Hospital do Câncer Tarquínio Lopes Filho (HCTLF), o serviço de neurologia clínica em oncologia e neurocirurgia, que atende pacientes regulados e de demanda espontânea.

A equipe, formada por seis profissionais, sendo dois neurologistas clínicos e quatro neurocirurgiões, deu início a essas especialidades no hospital no dia primeiro de agosto deste ano. O atendimento ambulatorial é realizado uma vez por semana, a partir das 14h e concentra às quartas-feiras o serviço de neurologia clínica e às quintas-feiras a neurocirurgia. Ao todo cerca de 30 pacientes já foram assistidos e seis neurocirurgias realizadas. Os equipamentos disponibilizados para a neurocirurgia oferecem tecnologia de ponta e possibilita a assistência tanto na média quanto na alta complexidade.

Segundo a direção do HCTLF, a procura ainda é tímida, mas a tendência é que o hospital se torne referência na Rede Estadual de Saúde. “Esse é um serviço de grande importância pública que ainda não havia sido estruturado. O governo do estado tem se preocupado em preencher esses vazios. Sabemos do impacto no tratamento quando a assistência é com o especialista. Então, pela especificidade dos casos, estaremos oferecendo um serviço ainda mais completo aos nossos pacientes”, garantiu o diretor da unidade, Dr. José Maria Assunção.

Neurologia clínica

Foi por saber dessa nova possibilidade que o paulista Marcos Vinicius Ribeiro, de 32 anos, buscou atendimento na neurologia clínica. “Estou em São Luís há três meses. Já passei por muitos médicos, mas ainda não tinha sido tão bem atendido. Foi a minha primeira consulta para começarem a investigar meu caso e vou retornar daqui a dois meses. Gostei muito porque achei o médico atencioso, explica tudo direitinho.

“O oncologista dedica-se na abordagem clínica do paciente, e na neurologia ficamos na prevenção e também no controle dos danos que possam acontecer devido a outras patologias. Nem todo tumor é possível de ser retirar, principalmente, quando ele é secundário. Geralmente, quando há essa lesão, o acompanhamento deve ser das três especialidades, oncologia, neurologia e neurocirurgia”, considerou o Dr. Thiago Chaves. Além dele também atende na unidade a médica neurologista Dra. Maria Letícia Vale Figueiredo.

Segundo o especialista, a função do suporte da neurologia não é apenas curativa, mas também preventiva e paliativa, quando necessário. “As possibilidades são inúmeras para cada caso devido as patologias neurológicas que o paciente oncológico pode desenvolver. Importante é que nenhum paciente fica sem acompanhamento. Mesmo quando não há opção curativa, conseguimos acompanhar, evitar os efeitos oriundos da doença e influenciar numa melhor qualidade de vida daquele paciente ”, completou o neurologista.

Neurocirurgia

Dentre as inúmeras patologias tratáveis pelo neurocirurgião estão os traumatismos cranianos, traumas na coluna vertebral, doenças vasculares cerebrais – como os aneurismas e a obstrução arterial, doenças vasculares da região cervical que podem resultar em uma isquemia cerebral, dor crônica na coluna, tumores cerebrais, da coluna e medula, epilepsia, hérnias de disco, hidrocefalia, derrames, Síndrome do Túnel do Carpo, entre outras.

Segundo o médico neurocirurgião Dr. Braúlio Galdino de Araújo, que compõem a equipe de neurocirurgiões do HCTLF com o Dr. Periguari Luis Holanda de Lucena, Dr. Osmir de Cassia Sampaio e Dr. Luís Fernando Silva Júnior, a neurocirurgia possui relevância na oncologia devido à grande maioria dos cânceres possuírem metástase no Sistema Nervoso Central (SNC).

“Algumas lesões se tornam mais graves quando não resolvidas a tempo. O paciente tem agora no mesmo hospital que é referência no tratamento de câncer, o suporte completo de neurologia. Isso possibilita uma maior eficácia no tratamento, melhor prognóstico e sobrevida do paciente. Portanto, otimizar o atendimento no mesmo serviço é fundamental, até para o ponto de vista de cura da neoplasia”, explicou o Dr. Bráulio Galdino.

Dentre as lesões, mais recorrentes estão às metástases de pulmão e os gliomas –quando o tumor maligno começa no sistema nervoso, o que exige tratamento com quimioterapia e radioterapia, além da cirurgia. “Os gliomas são mais comuns e mais agressivos. Tratá-los a tempo garante uma maior sobrevida ao paciente. Existem muitas patologias que a presença do suporte completo de neurologia é benéfica, como os tumores ósseos da coluna, as lesões neurológicas dos nervos periféricos, causadas pelo tratamento complementar e o próprio câncer, dentre outras”, completou o especialista.

Após tentar operar sem sucesso, para retirar um tumor de nervo periférico no braço, a paciente Aldenize Maria de Souza, de 30 anos, passou pela neurocirurgia no dia 30 de setembro. Após ser acompanhada no ambulatório de neurocirurgia pelo Dr. Luís Fernando Silva Júnior, em menos de dois meses ela conseguiu realizar a cirurgia.  “Em decorrência da patologia a paciente tinha como sintoma a perda de força e deformidade na mão, por isso sentia muitas dores. Nosso trabalho é com o microscópio dissecar as fibras dos nervos e isolar o tumor”, explicou o Dr. Luís Fernando.

“As neurocirurgias são feitas com equipamentos que as tornam mais seguras e aumentam a chance de evitar sequelas. O hospital aderiu às práticas da neurocirurgia de 2016. Na rotina do SUS esses equipamentos funcionam apenas no HCTLF, como a monitorização intra-operatória e a neuronavegação”, completou o médico.

Para o neurocirurgião, a perspectiva de ter um serviço de neurologia e neurocirurgia completo na unidade, demonstra o interesse do Estado em, de fato, reestruturar a saúde no Maranhão. “Dados oficiais apontam que mais de sete mil pessoas terão câncer no estado, sendo quase 300 tumores cerebrais, e dos que não são cerebrais de 10% a 30% terão metástases, além de outras complicações, pois a quimioterapia e a radioterapia trazem complicações neurológicas. Por isso, oferecer esse serviço, mostra que o governo teve a sensibilidade de trazer para o hospital uma medicina moderna e atual para oferecer mais qualidade aos pacientes”, considerou o Dr. Luís Fernando Silva Júnior.

Carregando