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O ÓRGÃO DAS MULTIDÕES

Por confusão, STJD tira seis mandos e multa Vasco

Eurico Miranda esteve presente no tribunal para acompanhar o julgamento.

© Armando Paiva/Agif/Gazeta Press. Eurico Miranda esteve presente no tribunal para acompanhar o julgamento

Em julgamento na 1ª Comissão Disciplinar no fim da manhã desta segunda-feira, o STJD (Superior Tribunal de Justiça Desportiva) manteve a liminar que deixa São Januário fechado, tirou seis mandos de campo do Vasco e multou o clube em R$ 60 mil pela briga generalizada no clássico com o Flamengo.

O rubro-negro carioca, por sua vez, foi multado em R$ 5 mil no episódio.

Denunciado triplamente no artigo 213 por desordem, lançamento de objeto no campo e tentativa de invasão, o time cruzmaltino teve a sua casa interditada previamente pelo presidente em exercício do órgão, Paulo César Salomão Filho, após a morte de um torcedor baleado do lado de fora de São Januário, e jogou com portões fechados no empate em 0 a 0 com o Santos, no estádio Nilton Santos, no último domingo.

O procurador do STJD, Luciano Hostins, rebateu a tese do Vasco, que culpou ao longo dos últimos dias e também em plenário o Gepe (Grupamento Especial de Policiamento em Estádios) pelo incidente.

“Não é o Gepe, nem a PM, que estão em julgamento aqui, muito embora a defesa esteja colocando a responsabilidade sobre a PM. O que se viu foi que, se não fosse a atuação da PM, uma tragédia ainda maior teria acontecido. Uma tragédia aconteceu. Poderia ser maior. O Gepe é uma referência. Talvez fosse até possível aprimorar as táticas, mas responsabilizar o Gepe, não se aceita isso”, afirmou.

Presente, o mandatário cruzmaltino Eurico Miranda acompanhou a sessão, chegou a interrompê-la ao falar e cumprimentou os auditores e o procurador.

“Eu tenho muito tempo nisso, muito tempo. Estava conversando com o Michel Asseff (advogado do Flamengo), tenho a honra de ser amigo do pai dele, e lamento profundamente o que eu tive de ouvir aqui hoje. O estádio de São Januário foi palco de acontecimentos memoráveis, cívicos e esportivos”, disse, durante o tempo da defesa.

“Dizer que a PM atuou e é brilhante? Já diz tudo como se pensa a respeito. Partir de acusações sem prova de que o Vasco tem integrantes de organizada como funcionário. Não tem nenhuma prova disso. Mentira. O Vasco não recebeu nenhuma relação de torcedores impedidos”, prosseguiu.

“O Vasco não tem nenhuma associação com vândalos, nenhuma associação com Black Blocks. A quem interessava alguma coisa que acontecesse ali? Ao Vasco? É coisa externa. Veio de fora para dentro. Isso que deve vir a ser apurado pelas autoridades. Mas a instituição? Pelo amor de Deus. Não pode pagar severamente pelo que vem acontecendo”, completou.

Eurico deixou a sala de julgamento ainda durante o primeiro dos três votos.

A confusão aconteceu já no final do clássico, que teve vitória do Flamengo por 1 a 0. Torcedores vascaínos atiraram diversos objetos no gramado, enquanto os jogadores do Fla não conseguiam descer para os vestiários – a entrevista coletiva do técnico Zé Ricardo, inclusive, foi cancelada.

O conflito continuou do lado de fora e a torcida visitante demorou a deixar o estádio.

A relação da atual gestão do Vasco com a principal organizada do clube, Força Jovem, é umbilical ao atual mandato do presidente Eurico Miranda.

De acordo com um extenso relatório que consta em processo judicial contra a facção e ao qual o ESPN.com.br teve acesso, uma semana antes de ser eleito em 2014, o dirigente cedeu transporte para membros da torcida irem a um evento que terminou com pancadaria, uso de paus, pedras, barras de ferro e armas de fogo.

A relação se mantém estreita desde então.

A decisão desta segunda-feira é em primeira instância e ainda cabe recurso por parte da Procuradoria do STJD ou dos advogados dos clubes.

(ESPN)