Fechar
Buscar no Site
O ÓRGÃO DAS MULTIDÕES

Especial JP Online: Uma capital sem Uber, por Djan Moreno

De acordo com lei federal cabe a cada município legislar sobre o tema. Foi o que fizeram os nobres parlamentares ludovicenses, porém, optando pelo caminho errado

Foto: Reprodução

O caos vivido no trânsito de São Luís ontem por causa de protestos de taxistas contra o Uber foi uma mostra do quanto a capital maranhense ainda insiste em ficar estacionada no século XX. Uma lei aprovada pelos vereadores meses atrás proibindo o uso do aplicativo chega, no mínimo, a ser um retrocesso.

De acordo com lei federal cabe a cada município legislar sobre o tema. Foi o que fizeram os nobres parlamentares ludovicenses, porém, optando pelo caminho errado, diferente de outras capitais como Vitória, São Paulo e Brasília, que impuseram regras para a exploração do transporte de passageiros por meio dos aplicativos. Os taxistas têm o direito de protestarem, apresentarem argumentos e reivindicarem direitos, até porque a lei municipal proibiu o uso desse tipo de serviço.

O problema está aí. Vossas excelências cederam ao lobby e acharam mais fácil impedir um serviço moderno e totalmente conectado com a realidade do que elaborarem regras claras que permitissem tal atividade sem prejuízos maiores para a categoria mais antiga. Agora, querem que a Secretaria Municipal de Trânsito e Transporte descasque sozinha o abacaxi que cultivaram. Os esforços que a pasta precisa empreender para fiscalizar a “ilegal” atividade de “motorista de Uber” poderia ser usada para dar mais celeridade, segurança e eficiência às vias.

Já a união dos taxistas contra os “concorrentes desleais” deveria existir também para derrubar os valores absurdos das licenças que lhes são impostas e, assim, repassar um preço mais justo para o cliente, atraindo de volta parte do público perdido. Já “vossas excelências” podiam encontrar uma forma de revogar a arcaica lei que mais parece ter sido editada na metade do século passado. Algumas reflexões precisam ser feitas.

Uma delas é que há um público cativo que não troca os bons e velhos táxis pelos carros dos aplicativos, principalmente as pessoas mais velhas. Outro ponto é que nas cidades em que o serviço foi aceito e regulamentado, o “boom” do início passou, pois boa parte dos motoristas não consegue conciliar o trabalho convencional com a rotina louca que a vida de “uber” exige para se obter bons ganhos, ou seja, não há tantos carros Uber assim.

Mas, por fim, é bom que se diga: muitas profissões vão deixar de existir nas próximas décadas e aquelas que insistirem em não se reinventar e adaptar-se as facilidades da modernidade poderão estar entre elas.

Djan Moreno – Jornalista