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O ÓRGÃO DAS MULTIDÕES

“Quero gerar muitas oportunidades”, afirma Ilson Mateus em entrevista ao Jornal Pequeno

Ilson Mateus afirmou ser do tipo de empreendedor que prefere ganhar pouco a não ganhar nada. “Quero trazer gente para ganhar um pedaço do bolo”.

Foto: Reprodução

Um dia após celebrar os 31 anos do Grupo Mateus, o presidente da empresa Ilson Mateus recebeu a reportagem do Jornal Pequeno. Antes de conceder a entrevista, o empresário reuniu-se com um dirigente de um fundo de investimento estrangeiro, que quer associar-se ao Mateus em novos negócios.

Ao receber a reportagem do JP, Ilson Mateus afirmou ser do tipo de empreendedor que prefere ganhar pouco a não ganhar nada. “Quero trazer gente para ganhar um pedaço do bolo”.

Foi assim, dividindo o “pedaço do bolo”, que Ilson Mateus transformou o Grupo Mateus em uma das 10 maiores empresas de varejo do Brasil, com um faturamento líquido de R$ 6,4 bilhões em 2016.
Nos próximos cinco anos, o empresário planeja transformar o Grupo Mateus em um dos maiores também em logística. Até lá, vai inaugurar um Centro de Distribuição e quatro lojas no Maranhão, gerando cerca de 3 mil empregos diretos.

Segue abaixo principais trechos da entrevista.

Jornal Pequeno – O senhor acaba de reunir-se com o dirigente de Fundo de Investimentos, fecharão negócios?
Ilson Mateus – Disse a ele, que se for estratégico, não me importo de passar 1,5%, 2% para ele ganhar. O ideal do varejo é rentabilizar a gente entre 3% e 4%. Sou do tipo de empreendedor que prefiro ganhar um pouco, a não ganhar nada.

JP – O negócio foi fechado, então?
Ilson Mateus – Perguntei o que ele quer fazer. Mas, acredito que faremos esse investimento. Não posso afirmar isso agora, mas estamos alinhando.

JP – Buscar parcerias é uma de suas estratégias de crescimento?
Ilson Mateus – Fazer parcerias impulsionou muito negócio. Eu precisava ocupar mais espaços, ter mais capilaridade, aumentar o volume porque a empresa vale o quanto pesa. Com volume e capilaridade tenho força na indústria. Agora, como fazer isso se meu dinheiro é pouco; a minha capacidade de endividamento tem teto? É trazer gente para ganhar um pedaço do bolo. É encontrar os parceiros.

JP – A empresa teve um faturamento líquido de R$ 6,4 bilhões em 2016, mesmo com a crise o senhor fez uma previsão de crescimento para este ano?
Ilson Mateus – A projeção é de crescer 30%, o que nos dará um faturamento de R$ 8 bilhões este ano. O risco é grande, pois a linha que divide o lucro e o prejuízo é muito estreita. A solidez das nossas empresas atrai bancos e outros investidores.

JP – Os bancos são os principais parceiros?
Ilson Mateus – Nós temos a parceria de todos os bancos e de importantes investidores, que nos entregam as lojas prontas. Assumimos a operação, que é nossa principal expertise. Mas não apenas eles. Se você tiver um dinheiro e quiser me emprestar, seremos parceiros agora.

JP – Empresarialmente, o senhor tem um perfil mais agressivo ou conservador?
Ilson Mateus – Sou conservador e agressivo ao mesmo tempo. A empresa que não preservar o fluxo de caixa, quebra. Por isso, só imobilizo dinheiro que tomo emprestado a longo prazo ou de investidor. O meu dinheiro é para o giro. O que ganho aplico todo em giro.

JP – Essa agressividade empresarial não pode levar ao fim da concorrência local? O Grupo Mateus pode virar sinônimo de supermercado?
Ilson Mateus – Não quero matar a concorrência local. Quero ser parceiro deles. Estou me preparando para a concorrência que está por vir. São as empresas nacionais que virão para cá. Ou, que já está aqui como o Carrefour com o Atacadão. Tudo aquilo que está no eixo Rio-São Paulo virá para cá. Quando chegarem aqui, eles verão que tem uma empresa regional que vai brigar com eles de igual para igual. Ainda virá outra concorrência, que não se percebeu ainda. Ela está queimando por baixo, é uma concorrência mundial. Daqui uns dias vou competir com o Alibaba, a maior rede de varejo da China. Ela quer desmantelar a separação entre comércio online e comércio físico. Vai vender de lá, competindo comigo aqui.

JP – O investimento de R$ 200 milhões num Centro de Distribuição em São Luís, é um viés dessa expertise?
Ilson Mateus – Eu vou ficar mais competitivo, porém o mais importante não é ser mais competitivo, é o padrão de qualidade que vamos impor. Nós teremos esse padrão de qualidade, no Norte e Nordeste. O CD irá triplicar a capacidade de produção das indústrias do Mateus e consolidar a logística e eficiência de abastecimento das lojas. Teremos plantas industriais. Vamos processar carnes, pescados, hortifrúti. Temos hoje uma peixaria em cada loja. Agora, iremos fazer todo o processamento de peixes numa só unidade.

JP – O que mais mudará, a partir do momento em que o CD estiver em pleno funcionamento?
Ilson Mateus – Muita coisa vai mudar. Toda a linha seca, por exemplo, ficará num só lugar. Hoje atuamos com cinco depósitos espalhados. Temos hoje uma operação muito truncada. Toda venda que fazemos hoje no atacado vem de Imperatriz, pois aqui não temos capacidade de estocagem. O transporte é um gasto grande. Segundo: temos vários depósitos alugados e, terceiro ponto, será a centralização de todos os perecíveis. Vamos trazer para as lojas tudo pronto, com atmosfera modificada e embalagem padronizada. O que o consumidor observar numa loja vai observar em todas. Vamos também triplicar a indústria de panificação. Juntos virão outros subprodutos.

JP – Quanto é esse gasto grande com transporte que o senhor se referiu?
Ilson Mateus – Apenas com o frete de Imperatriz para cá, com essa estrutura nova, vamos economizar R$ 800 mil mensais. O varejo abasteço daqui, mas o atacado eu abasteço de Imperatriz, pois não tenho uma estrutura suficiente. Toda a venda que faço num raio de 300Km de São Luís vem de Imperatriz, o que custa caro. Essa conta é fácil de fazer, mas você pode perguntar então por que não fiz antes. Porque não tinha dinheiro, nem capacidade de endividamento.

JP – Quantos empregos serão gerados?
Ilson Mateus – Serão gerados mais de 2 mil novos empregos diretos para compor o quadro geral do empreendimento. A palavra mágica no meu negócio, uma empresa que vai faturar R$ 8 bilhões, é gerar oportunidades. Se eu fosse um empreendedor que pensasse em aposentadoria, eu já estaria me preparando para ir à praia. Mas, não penso assim. Eu quero gerar muitas oportunidades.

JP – E foi por isso que o senhor decidiu por criar a Universidade do Grupo Mateus que atua na formação dos funcionários?
Ilson Mateus – Estamos preparando bimestralmente mais de 80 pessoas para serem gerentes de setor, gerente de loja, subgerentes. Já investimos na Universidade Mateus neste ano mais de R$ 700 mil em treinamentos, capacitação e formação dos funcionários, que são estimulados a crescer junto conosco, galgando novas funções dentro das nossas empresas.

JP – O senhor anunciou na semana passada que terá uma loja do Mateus aberta até a meia-noite. Será mesmo a do Renascença?
Ilson Mateus – Estamos pensando no Renascença. Hoje é uma necessidade do consumidor. Faz tempo que nós queremos atendê-lo. Agora surgiu uma luz no final do túnel, nós estamos estudando. Estamos nos preparando para abrir pelo menos uma loja até meia-noite.

JP – Figurar entre as 10 maiores empresas varejistas do país muda alguma coisa para o senhor?
Ilson Mateus – Na nossa visão nada muda. Nos próximos cinco anos, vamos trabalhar muito em função do Maranhão, Pará, Piauí e Tocantins, porque queremos ser fortes em logística. O eixo principal será a logística. Uma empresa não consegue funcionar se não tiver uma logística estruturada. Essa unidade que estamos fazendo em São Luís vai nos habilitar para estar à frente dos nossos concorrentes por no mínimo cinco anos. Vamos estar três passos à frente de qualquer concorrente. E qualquer concorrente que queira ter o nível de competitividade terá de vir para o Maranhão e ter estrutura.