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O ÓRGÃO DAS MULTIDÕES

General fala em intervenção militar e gera desconforto nas Forças Armadas

Antonio Hamilton Martins Mourão falou, na  Loja Maçônica Grande Oriente, que poderá chegar um momento em que os militares terão que “impor isso”.

Foto: Reprodução

Em palestra na noite da última sexta-feira, em Brasília, um general da ativa do Exército causou polêmica na própria instituição ao falar por três vezes na  possibilidade de intervenção militar diante da crise enfrentada pelo País, caso a situação não seja resolvida pelas próprias instituições.

Antonio Hamilton Martins Mourão falou, na  Loja Maçônica Grande Oriente, que poderá chegar um momento em que os militares terão que “impor isso” [ação militar] e que essa “imposição não será fácil”. De acordo com Mourão, seus “companheiros” do Alto Comando do Exército avaliam que ainda não é o momento para a ação, mas ela poderá ocorrer após “aproximações sucessivas”.

“Até chegar o momento em que ou as instituições solucionam o problema político, pela ação do Judiciário, retirando da vida pública esses elementos envolvidos em todos os ilícitos, ou então nós teremos que impor isso”, afirmou.

E continuou: “então, se tiver que haver, haverá [ação militar]. Mas hoje nós consideramos que as aproximações sucessivas terão que ser feitas”. Para Mourão, o Exército teria “planejamentos muito bem feitos” sobre o assunto, mas não os detalhou.

Mourão lembrou ainda o juramento que os militares fizeram de “compromisso com a Pátria, independente de sermos aplaudidos ou não”. E encerrou: “O que interessa é termos a consciência tranquila de que fizemos o melhor e que buscamos, de qualquer maneira, atingir esse objetivo”.

A atitude do general causou desconforto em Brasília. Oficiais-generais criticaram a afirmação de Mourão, considerando-a desnecessária neste momento de crise.

Mourão explicou, no entanto, que não estava “insuflando nada” ou “pregando intervenção militar” e que a interpretação das suas palavras “é livre”. O general ainda afirmou que falava em seu nome, não no do Exército. Já o comandante do Exército, general Eduardo Villas Bôas, foi enfático e disse que “não há qualquer possibilidade” de intervenção militar.