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O ÓRGÃO DAS MULTIDÕES

Professor da UFMA afirma que fez uma “sátira” com os governos Lula e que não falou sobre evangélicos

Como preza o bom jornalismo, que sempre pautou os 66 anos de existência do Jornal Pequeno, reproduzimos, na íntegra, as pontuações feitas pelo professor Saulo Silva.

Foto: Reprodução

O professor da UFMA, Saulo Pinto Silva, em nota encaminhada ao Jornal Pequeno, rebateu as acusações de que estaria sugerindo manipulação de mídia e espancamento de evangélicos em postagem feita na sua rede social. Segundo Saulo, a postagem se referia ao projeto de lei de autoria do deputado federal Franklin (PP-MG), que pretende obrigar as rádios públicas a tocarem músicas gospel nas programações.

Diante disso, segundo o professor, foi feita uma sátira/ironia com os governos Lula afirmando que o “grande erro” se explicaria em “terem se acovardado na disputa hegemônica”, pois “Lula deveria ter obrigado a imposição diária da internacional comunista em todas as rádios comerciais”. Além disso, afirmou que  o antídoto a quebra da laicidade do Estado brasileiro se daria através da resistência/imposição de valores contra-hegemônicos, funcionando como “uma dose permanente de ‘pauladas’ na cabeça” dos “fundamentalistas religiosos”, o que, segundo ele, teria sido utilizado de maneira irônica.

Como preza o bom jornalismo, que sempre pautou os 66 anos de existência do Jornal Pequeno, reproduzimos, na íntegra, as pontuações feitas pelo professor Saulo Silva, garantindo a todos que se sintam ofendidos, o direito à ampla defesa e ao contraditório, conforme preceitua a CF/88. A mesma constituição garante, em seu artigo 5º, inciso XIV, que diz ser”assegurado e respeitado o sigilo quanto às fontes ou origem de informações recebidas ou recolhidas por jornalistas, rádio repórteres ou comentaristas, os quais não poderão ser compelidos ou coagidos a indicar o nome de seu informante ou a fonte de suas informações, não podendo seu silêncio, a respeito, sofrer qualquer sanção, direta ou indireta, nem qualquer espécie de penalidade”, não incorrendo, desta forma, em erro ao usar o anonimato dos alunos na matéria.

Diante da “denúncia” apresentada pela “Redação” do Jornal Pequeno contra mim, faz-se necessário apresentar alguns esclarecimentos:

  1. Que a matéria descontextualiza propositalmente que minha publicação no Facebook referia-se ao projeto de lei de autoria do deputado federal Franklin (PP-MG), que pretende obrigar as rádios públicas a tocarem músicas gospel nas programações;
  2. Que diante disso, fiz uma sutil sátira/ironia com os governos Lula afirmando que o “grande erro” se explicaria em “terem se acovardado na disputa hegemônica”, pois “Lula deveria ter obrigado a imposição diária da internacional comunista em todas as rádios comerciais”;
  3. Que o antídoto a quebra da laicidade do Estado brasileiro se daria através da resistência/imposição de valores contra-hegemônicos, funcionando como “uma dose permanente de ‘pauladas’ na cabeça” dos “fundamentalistas religiosos”;
  4. Que utilizei uma ironia (segundo o prestigiado dicionário Houaiss, “1 zombaria, escárnio, sarcasmo, 2 modo de expressão da língua em que há um contraste proposital entre o que se diz e o que se pensa”) para dizer que só é possível combater o proselitismo do fundamentalismo religioso com uma filosofia que se contraponha a ela, daí a utilização do termo ‘pauladas’ para dizer, num trocadilho linguístico/simbólico, que ‘uma dose permanente’ desta filosofia poderia ensinar aos fundamentalistas religiosos que o Estado é laico e que a fé religiosa é uma questão inaliável a liberdade religiosa própria de qualquer civilização democrática;
  5. Que a matéria se utiliza de supostas declarações de estudantes da UFMA para colocar sob suspeição minha conduta profissional e moral, mas obviamente relevando o anonimato dos mesmos, o que torna tudo ainda mais abstrato e obscuro, inclusive utilizando uma declaração de outro suposto estudante para me associar ao assassinato do estudante Kelvin Rodrigues Ribeiro, quando nunca fui citado no inquérito policial que investigou e prendeu os responsáveis por esse crime bárbaro;
  6. Que diante da má-fé do redator da matéria, não apenas não averiguou a veracidade da suposta “denúncia” como não tomou meu depoimento que garantiria meu direito constitucional ao contraditório e a minha defesa diante de uma “denúncia”;
  7. Que a partir da matéria do Jornal Pequeno, que transformou minha posição em relação aos “fundamentalistas religiosos” em “espancamento de evangélicos”, comecei a ser acusado de incitação ao ódio e a sofrer todo tipo de agressão e ameaças virtuais de pessoas conservadores e de militantes do Movimento Brasil Livre;
  8. Que minha trajetória pessoal e profissional não justifica nenhuma incitação ao ódio ou ameaças a estudantes por discordarem das minhas posições políticas e filosóficas, ou por suas orientações sexuais ou de credo;
  9. Que espero que a verdade venha a tona e que os responsáveis pelos danos a minha honra sejam responsabilizados, pois fui e tenho sido caluniado, difamado e injuriado muito em razão da distorção que a matéria do Jornal Pequeno produziu.

 

Atenciosamente,

Saulo Pinto Silva.

São Luís, 22 de setembro de 2017.