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Polícia Civil faz operação na “cracolândia” do João Paulo em São Luís

Somente em 2017, em toda São Luís, aconteceram 22 homicídios no centro da cidade; desse total, 16 vítimas moravam na rua.

Foto: Gilson Ferreira

Com o propósito de resgatar dependentes químicos que vivem em situação de vulnerabilidade, reprimir o consumo de drogas e, com isso, reduzir o número de furtos a pedestres, a Polícia Civil,
o Centro de Atenção Psicossocial – Álcool e Drogas (Caps-AD) e a Coordenação de Abordagens da Secretaria Municipal da Criança e Assistência Social (Semcas) desencadearam a 11ª etapa da  operação Resgate, na área conhecida como “cracolândia”, no bairro do João Paulo. Ao todo, 10 pessoas adultas foram abordadas, e apenas uma encaminhada para o Caps-AD.

A ação na Avenida  Projetada, no João Paulo, que já é referida pela população como “cracolândia maranhense”, começou por volta das 6h. O delegado titular do 1º Distrito Policial (1º DP) Joviano  Furtado, o diretor do Caps-AD Marcelo Costa, e a coordenadora de Abordagens da Semcas Marta Andrade entraram na área e se concentraram nas proximidades das barracas da feira livre, onde em um espaço de estacionamento foi montada uma tenda, e realizados diversos atendimentos à saúde.

Apenas uma pessoa foi recolhida na ação realizada nessa terça-feira (28), e levada para o Centro de Atenção Psicossocial – Álcool e Drogas, no Monte Castelo. Alguns viciados estavam armados com faca e facão, que retiraram da cintura e exibiam os instrumentos cortantes com a aproximação dos envolvidos na Operação Resgate. De acordo com o delegado Joviano Furtado, a ação visa
retirar da região os usuários de droga, e com isso reduzir os furtos na localidade.

O titular do 1º DP acrescentou que somente neste mês de novembro houve três homicídios, em que tanto as vítimas quanto os autores são dependentes químicos, cujos crimes aconteceram durante brigas entre eles.

Somente em 2017, em toda São Luís, aconteceram 22 homicídios no centro da cidade; desse total, 16 vítimas moravam na rua. Nos últimos seis anos, 900 usuários de drogas já foram resgatados na capital maranhense, sendo que neste ano, conforme o delegado, cerca de 100 pessoas foram recolhidas e levadas para centros de tratamento. Joviano Furtado explicou que muitos viciados são  levados para abrigos e depois voltam para o mesmo local para consumir a droga. “O usuário, quando não tem mais dinheiro para comprar o entorpecente, vai para a rua e comete pequenos furtos. Essa operação também vai servir para diminuir a criminalidade no local”, disse o titular do 1º DP.

A ação foi a segunda em menos de 15 dias para retirar viciados das ruas. No dia 14 de novembro, sete pessoas foram recolhidas de vários pontos da capital maranhense. Outras operações ocorreram nas feiras dos bairros da Cohab e Cidade Operária, e logradouros do Centro, como a Praça Deodoro e Mercado Central. Até mesmo áreas turísticas destacam-se entre os pontos de uso do crack. É o caso do Centro Histórico. A Praça dos Pescadores, no Desterro, era um local conhecido por reunir usuários da droga. Em 2015, foi revitalizada. Com isso, os usuários passaram a se  espalhar por diversos outros pontos da região, como o retorno da Forquilha.

O delegado Joviano Furtado observa que esses pontos são pequenas concentrações havendo em cada um deles um número aproximado de 30 dependentes químicos. Nesta 11ª edição da operação, além da abordagem dos dependentes químicos, acompanhada do convite de retirá-los da rua, o Caps-AD ofereceu atendimentos de saúde gratuitos.

“Montamos uma tenda com uma equipe de profissionais, entre eles enfermeiros, técnicos e enfermagem e médicos psiquiatras”, informou Marcelo Costa, ao acrescentar que houve medição de pressão, teste de glicemia e exame de PSA para homens, uma vez que este mês é o Novembro Azul, campanha realizada aos homens, para a conscientização a respeito de doenças masculinas, com ênfase na prevenção e no diagnóstico precoce do câncer de próstata.

Segundo Marcelo Costa, quando chegam ao CAPS-AD, os usuários recolhidos na Operação Resgate são cadastrados e alertados de que o tratamento depende apenas da vontade individual.  Conforme Marcelo, convencer esses usuários de que o tratamento é necessário é o primeiro passo para que abandonem o vício.

Para além das ruas, o problema com o uso de crack chega ao ambiente escolar. No ano passado, o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) divulgou a Pesquisa Nacional de Saúde, que apontou para o aumento do uso de drogas e álcool entre estudantes de escolas públicas e particulares no Brasil. Em São Luís, nos  colégios particulares, o índice de consumo de crack foi de 3,1% e, nas escolas públicas, o índice de consumo de crack foi de 1,8%.