Fechar
Buscar no Site
O ÓRGÃO DAS MULTIDÕES

Presidente do PEN-Patriota se diz ‘aliviado’ com decisão de Bolsonaro

Adilson Barroso afirma que relação com deputado já estava ‘envenenada’ e fala em novas candidaturas.

O presidente do PEN-Patriota, Adilson Barroso, se disse “aliviado” com a desistência de Jair Bolsonaro (PSC-RJ) de ser candidato por sua legenda. O deputado deverá ser candidato à Presidência pelo PSL. “Fiz das tripas coração para tê-lo com a gente, mudei o nome do partido, mexi no nosso estatuto, dei mais de 20 diretórios para o grupo dele. Mas você não pode ser convidado para entrar em uma casa e depois querer tomar ela inteira para você, expulsando seus moradores originais”, afirmou o dirigente.

Os deputados Eduardo e Jair Bolsonaro participam de palestra com o presidente do PEN-Patriota, Adilson Barroso, em agosto, em Ribeirão Preto (SP).

Em um vídeo divulgado na última sexta-feira (5), Bolsonaro disse que “lamenta não ter dado certo com o Patriota”. Para ele, a parceria “acabou como um casamento que não deu certo”. O presidenciável afirmou que ele e Barroso “ainda podem estar juntos no futuro, em uma coligação”.

De acordo com Barroso, o relacionamento dele com Bolsonaro teria sido “envenenado” pelo advogado Gustavo Bebianno – que, segundo Barroso, queria tomar o “partido inteiro para o grupo de Bolsonaro”.

O rompimento já havia se insinuado quando deputados da legenda se rebelaram contra o que chamavam de “fome” do grupo bolsonarista. Os deputados Walney Rocha (RJ) e Junior Marreca (MA) se posicionaram contra as mudanças no estatuto – principalmente aquela que impede alianças com partidos de esquerda (Marreca é aliado do governador do Maranhão, Flávio Dino, do PCdoB).

Barroso disse que, sem Bolsonaro, pretende convencer o ex-presidente do Supremo Tribunal Federal Joaquim Barbosa a sair candidato.

Com a confirmação de que Bolsonaro deverá se candidatar pelo PSL, o grupo Livres, de tendência libertária, que controlava 12 diretórios estaduais e pretendia tomar conta da máquina partidária em nível nacional, anunciou o seu desligamento da legenda.

Logo depois do anúncio oficial da adesão do presidenciável ao PSL, Sérgio Bivar, filho do fundador e presidente nacional do partido, Luciano Bivar, que fez a ponte desde o princípio entre o Livres e a sigla, com o aval do próprio pai, divulgou um comunicado para integrantes do grupo, obtido pelo Estado, com o seu posicionamento sobre a questão.

“É com extremo pesar que comunicamos a saída do Livres do Partido Social Liberal”, diz o texto assinado pelo Conselho Nacional do grupo. “A chegada do deputado Jair Bolsonaro, negociada à revelia dos nossos acordos, é inteiramente incompatível com o projeto do Livres de construir no Brasil uma força partidária moderna, transparente e limpa.”

O cientista político Vitor Oliveira, do Pulso Público, afirmou que “a questão de Bolsonaro tem a ver com a forma de operação dos partidos políticos no Brasil”. Para ele, o fato de os partidos terem “donos” cria dificuldades para Bolsonaro se impor como dono de uma legenda que não é dele.

Para o cientista político Rogério Battistini, do Mackenzie, “Bolsonaro não está sabendo fazer o jogo político e criando dificuldades para sua candidatura”.