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O ÓRGÃO DAS MULTIDÕES

Favela finaliza preparativos para o desfile carnavalesco

O enredo é inspirado na passagem da Coluna Prestes pelo sul do Maranhão na década de 1920.

(Foto: Divulgação)

Com enredo inspirado na passagem da Coluna Prestes pelo sul do Maranhão na década de 1920, a escola de Samba Favela do Samba acelera os preparativos para o grande desfile que fará no próximo domingo na Passarela do Samba. Serão 4 carros alegóricos, dois tripés, 18 alas, bateria com 120 ritmistas, quase uma centena de composição de carros e destaques, além de passistas, três casais de Mestre Sala e Porta Bandeira, ala de baianas e ala da Velha Guarda.

Todo trabalho tem a Coordenação do Presidente daquela agremiação carnavalescas, João Moraes que mobilizou uma equipe de carnavalescos e aderecista competente que tem sido vitoriosa nos desfiles de carnaval ludovicense. Entre eles estão nomes como Júlio Matos, Pedro Padilha, Remi andrade e quase uma centena de auxiliares que tem se desdobrado para concluir os trabalhos até a madrugada deste domingo, pois o desfile será a noite, debaixo de grande expectativa, pois a escola Favela do Samba é a atual bicampeã do carnaval local.

Falando sobre o Projeto Carnavalesco, o Presidente João Moraes disse que este ano a escola enfrentou e está passando por grandes dificuldades financeiras, pois os apoios esperados para a produção artística não se consolidaram e a escola só contou com os minguados auxílios oficiais, que ainda não foram totalmente disponibilizaram. “Nós até pensamos em desistir em desfilar, mas as pressões foram grandes e tivemos um socorro emergencial de alguns amigos queridos como a dos vereadores Paulo Victor e o Raimundo penha, do Secretario de Agricultura do Estado, Márcio Honaiser e do ex-presfeito de Ribamar Gil Cutrim, que possibilitou o início dos trabalhos, mas as despesas são enormes, principalmente na reta final”.

João Moraes ressaltou ainda que nenhuma agremiação carnavalesca se produz para perder o carnaval e com a Favela não é diferente, pois segundo ele “apesar das dificuldades financeiras, vamos fazer um grande desfile na Passarela do Samba, repetindo os grandes espetáculos operísticos que temos apresentado a cada ano, além disso temos a cumplicidade popular, que tem sido a marca registrada de nossa escola nos últimos anos”.

Para a escola recuperar a qualidade de seus desfiles, o presidente da Favela informou que este ano teve que reciclar muita coisa, mas as mesmas ganharam roupagem nova e estão com muito bom gosto e com a qualidade criteriosa de Pedro Padilha, idealizador das fantasias de composição e destaques; Júlio Matos, idealizador dos carros alegóricos e Remi andrade, o figurista das alas. Sem dúvida este é um trio de ouro do carnaval maranhense.

ALAS

As alas serão entregues neste final de semana e foram confeccionadas em ateliers e malharias da cidade. Entre as alas que ainda dispõem de vagas está a ala “Onde está a minha casa?”, organizada pela foliã Regina Rosula (988128378) e “Trabalhadores do ciclo canavieiro”, organizada por Dona Raimunda (981768282), podendo os interessados procurar ambas por meio de contatos telefónicos, redes sociais ou diretamente na sede da escola, no bairro do Sacavém.

SINOPESE DO ENREDO

Abaixo segue a sinopse do enredo da Favela do Samba – VISÕES DA COLUNA PRESTES: NAS TRILHAS DO SUL DO MARANHÃO, UMA COLUNA VERTEBRADA, COM OSSOS FEITOS DE SONHOS E ESPERANÇAS – de autoria do carnavalesco Pedro Padilha: Quando olhamos para o passado, com um real distanciamento, vemos o seu verdadeiro tamanho, e podemos buscar com discernimento, aquilo que nos foi contado e conseguimos ver com mais clareza, principalmente, o que os foi omitido.

Quando criança, o tamanho é medido de forma superlativa, as belezas têm uma dimensão maravilhosa, são grandes, mas os medos e temores são gigantes, e quando crescemos… e quanto mais o conhecemos, menores eles ficam, menos assustadores, mas infelizmente a beleza também perde seu frescor, sua magnitude. Cabe ao conhecimento pincelar, e contornar fortemente com o lápis da experiência as formas, e pintar com justiça as verdadeiras formas e cores, não vistas com os olhos, mas as cores sentidas pelo coração.

Será esta, a visão, antes de uma criança simples, feliz, medrosa e muito sonhadora, como todas as crianças desprovidas do sal e do açúcar que a vida nos impõem, que são imprescindíveis, para nos dá o sabor necessário… mas que em doses excessivas, estragam os nossos sentidos, entopem nossas veias, bloqueiam nossas visões e sentimentos…. E ora a visão de um homem, que teve doses excessivas de doces, salgadas, amargas e doloridas, mas que conseguiu filtrá-las para trazer a luz do dia, depois de muito revés, a Passagem da Coluna Prestes pelo sul Maranhense, região onde os olhos da criança via uma promessa, hoje uma realidade, de uma entrada para uma Coluna em busca do sonho de um Brasil mais humano e com oportunidades para todos, e hoje com a chegada do progresso, tornou-se a entrada para um agronegócio forte, crescimento de suas belas cidades, a busca por se tornar um grande estado… Mas o sonho se realizou?

Contam, que quando uns rebeldes formados por vários Tenentes, encabeçados por um Cavaleiro conhecido como Prestes… Contrários ao regime do governo da época, a era dos Coronéis da Agricultura, entrecortados pelos Senhores da Pecuária, São Paulo – Minas Gerais – Política café com leite, atravessaram o Rio Tocantins, vindos do estado do Goiás, conduzidos pelos índios Xerentes, um braço da nação Tupi Guarani, e adentraram no Sul do maranhão.

Estórias mirabolantes povoaram essa passagem, onde mostravam os Tenentes Rebeldes, como verdadeiros bandoleiros, assaltantes, saqueadores, estupradores, beberrões… ao ponto de contarem que eles comiam criancinhas… e para tornar mais macabras essas estórias, suas chegadas foram anunciadas, no dia dois de novembro, dia dos mortos… Mas muitas águas rolaram, e a luz da sabedoria dos anos, depois de incansáveis pesquisas, veio à tona, que o Sul do Maranhão, através das suas Cidades: Carolina, Balsas, Grajaú, Mirador, Riachão, Loreto e Colinas, ADORARAM os Tenentes Rebeldes, e mostrando a força deste Estado conhecido pela sua rebeldia, os receberam com acolhida, não fugindo para as matas, levando consigo tudo que pudessem carregar, deixando as cidades desertas, mas sim com honrarias e festas, com moças locais jogando pétalas de flores sobre os componentes da Coluna por onde passavam e nas noites festas ao som de orquestras, e em Carolina precisamente, no dia dezenove de novembro, dia da Bandeira, foi realizada uma homenagem a este pavilhão, e o Hino Nacional foi cantando e houve um discurso inflamado realizado por um componente da Coluna, cuja manifestação foi noticiada por pessoas ilustres do local, como a maior manifestação cívica jamais vista no local.

Onde o sonho de conquistar o Maranhão e chegar até a sua capital, era principalmente por considerarem o Estado estratégico, e pela sua história de rebeldias, contra, principalmente, injustiças sociais, na luta pela classe trabalhadora e oprimida, por considerá-lo, forte e bravo, além da situação geográfica privilegiada, por serem cercados pelas matas do Pará, de um lado, do outro pelos chapadões do então estado do Goiás, por rios e mar.

Seu sonho não se realizou… mas foi semeado e espalhado aos ventos, levado pelas águas que movem o moinho da vida… e até hoje, floresce nas memórias, nos homens que fizeram a história … e fazem, mas real do que nunca, o sonho de um Brasil melhor, justo, igualitário para todos.

Serão, necessárias outras Colunas, com vértebras formadas por ossos duros – homens – de roer, com caras pintadas de verde e amarelo, corações vermelhos pulsantes e mentes brancas, puras em busca da Paz!!!