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O ÓRGÃO DAS MULTIDÕES

Mesmo com chuvas Reservatório do Batatã continua abaixo do normal em São Luís

A represa está apta para ter um estoque de até 4,6 milhões de metros cúbicos de água, mas funciona apenas com 20% desse total

Reservatório aumentou sua capacidade em 10%, no período de um ano; o que ainda deixa bem distante de operar em sua totalidade normal. Foto: Gilson Ferreira

Conforme o Núcleo de Meteorologia da Universidade Estadual do Maranhão (Uema), desde o começo do ano, já choveu 602 milímetros na capital maranhense, quantidade considerada dentro da média prevista para o período. No entanto, toda essa água que caiu sobre São Luís, provocando enchentes e alagamentos em diversos pontos, não foi suficiente para fazer o Reservatório do Batatã operar em sua capacidade normal, que seria de 4,6 milhões de metros cúbicos de água.

Atualmente, o reservatório está funcionando somente com 20% da sua normalidade; o dobro do mesmo período de 2017. O chefe do Núcleo de Meteorologia da Universidade Estadual do Maranhão (Uema), Gunter de Azevedo Reschke, afirmou que do dia 1º de janeiro deste ano até sexta-feira (16), choveu 602 ml em São Luís; quantidade dentro da média, segundo ele. Em janeiro  choveu 372,25 ml, enquanto a média é de 244 ml.

E neste mês choveu 230 ml, sendo que o esperado para todo o mês é de 373 ml. “Está chovendo muito, principalmente na área do Itaqui-Bacanga, onde o Batatã fica localizado. Mas, as águas das chuvas não são suficientes para encher o reservatório, devido às construções de poços artesianos, que, quando em muita quantidade, limitam o armazenamento do líquido no subsolo, deixando os
lençóis freáticos pouco utilizáveis.

Existem ainda as ocupações irregulares, que desequilibram o meio ambiente, pois há o desmatamento na área, o que é crime”, disse Gunter de Azevedo. De acordo com o presidente da Companhia de Saneamento Ambiental do Maranhão (Caema), Carlos Rogério Santos de Araújo, a represa está apta para ter no seu estoque até 4,6 milhões  de metros cúbicos de água, atingindo a máxima de 10 níveis. Atualmente, o nível do Batatã ainda está muito abaixo do ideal. A parcela de água mantém-se  inferior à considerada satisfatória pela Caema, que é próxima à “sapateira”, e sequer alcança a régua que mede o conteúdo no reservatório.

Segundo Carlos Rogério, 120 mil litros por segundo estão sendo bombeados do reservatório, enquanto o ideal seria de 400 mil por segundo. O presidente da Caema revelou que essa quantidade é insuficiente para abastecer os aproximados 30 bairros da região central de São Luís, obrigando a realização de rodízio, com a água chegando dia sim e outro não, às residências.

ARMAZENAMENTO DOBROU EM UM ANO

No prazo de um ano, de fevereiro de 2017 a fevereiro de 2018, o percentual operacional do Batatã subiu de 10% para 20%; porém, nesse período, a represa ficou parada por cinco meses, de agosto a dezembro do ano passado. “A situação é tão crítica, que serão necessários vários períodos chuvosos para recuperarmos a capacidade total do Batatã”, disse o presidente da Caema. Entre os fatores que colaboram para a seca no Batatã, está o nível alto de perda do líquido, uma vez que, segundo Carlos Rogério, a população da capital maranhense não faz o uso consciente da água. “Os maranhenses cultivam o desperdício, que está acima da média nacional. No Brasil, 45% do total de líquido distribuído são desperdiçados no uso doméstico; no Maranhão, o volume sobe para 65%”, informou.

E, segundo Gunter de Azevedo, a construção de 16 poços artesianos na região da represa também contribuiu para o cenário atual; sendo que, alguns deles estariam sem funcionar, devido à falta de manutenção.

MAIS DE 100 FAMÍLIAS OCUPAM O PARQUE DO BACANGA

Apesar de tudo isso, conforme Carlos Rogério, o fator mais grave para a seca do Batatã seria a ocupação irregular do Parque Estadual do Bacanga (PEB), por aproximadamente 100 famílias. O
parque foi criado pelo Decreto Estadual nº 7.545/80 e é uma Unidade de Conservação Integral da capital.

“Com mais de três mil hectares, o PEB poderia colaborar com a qualidade ambiental de São Luís, sobretudo se tivesse as nascentes naturais preservadas. Mas, no lugar dessa contribuição, a área é agredida por quem a invadiu”, ressaltou Rogério. Segundo a Caema e o Batalhão de Polícia Ambiental (BPA), os moradores irregulares fazem a retirada de raízes das vegetações do solo, sendo que elas sustentam as paredes das margens do rio.

Até carvoarias irregulares são localizadas dentro da mata do Parque Estadual do Bacanga. Na região, as casas – maioria construída de tijolos –, algumas com mais de um pavimento vertical – beiram a estrada que dá acesso ao reservatório.

Segundo a comandante do BPA, tenente-coronel Edilene Soares da Silva, desde a criação do parque já havia pessoas dentro dele; e que, desde o início da construção do Batatã, esses primeiros moradores deveriam ter sido indenizados e retirados, evitando que outros invadissem o local. “As invasões são feitas durante período de campanha eleitoral”, informou Edilene. Sobre o policiamento e as medidas de proteção, a comandante informou que já foram flagradas diversas situações enquadradas no crime contra o meio ambiente. Desde quando assumiu o Batalhão, em 2017, quatro pessoas já teriam sido presas, e mais de R$ 70 mil em multas foram gerados.

O BATATÃ

A Barragem do Batatã foi construída em 1946, pelo Departamento Nacional de Obras e Saneamento (DNOS). Tem comprimento de 485 metros e altura máxima de 17. O reservatório para acumulação de água comporta 4,6 milhões de metros cúbicos e recebe água da própria bacia, além da contribuição do Rio da Prata; e, no passado, do Rio Maracanã.

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