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O ÓRGÃO DAS MULTIDÕES

A crise no Facebook e sua repercussão nas eleições 2018 no Maranhão e no Brasil

O Facebook nunca mais será o mesmo. A crise finalmente chegou à timeline (linha do tempo) da maior rede social do mundo.

Foto: Reprodução

Por Tagil Oliveira Ramos

O Facebook nunca mais será o mesmo. A crise finalmente chegou à timeline (linha do tempo) da maior rede social do mundo. Em dois dias, seu valor de mercado caiu U$S 35 bilhões (uma mixaria de aproximadamente R$ 115,6 bilhões). A crise não poupou nem seu eterno menino prodígio e CEO. Mark Zuckerberg foi intimado por uma comissão parlamentar britânica para explicar o inexplicável: – Por quê, oh, São Isidoro de Sevilha, padroeiro da internet, uma empresa teve acesso a informações pessoais de mais de 50 milhões de americanos que usam o Facebook?

No epicentro do terremoto que atingiu a maior rede social do mundo está uma empresa inglesa chamada Cambridge Analytics. Sim, você deve se lembrar dela. Foi a consultoria contratada pelo então candidato Donald Trump para conturbar o ambiente eleitoral dos EUA. Segundo vídeos vazados pela TV britânica Channel 4, tudo indica que foi a Cambridge Analytics a responsável por jogar uma saraivada de fake news no ventilador e mudar, de uma maneira tragicômica, o resultado das eleições presidenciais americanas.

Aliás, o executivo-chefe da famigerada empresa, Alexander Nix, acaba de ser afastado do seu posto. O vídeo vazado mostra Mr. Nix arrotando prepotências: “Sim, nos encontramos com o Sr. Trump várias vezes e rodamos toda sua campanha digital.” O ex- CEO revela para uma câmera escondida como disparou torpedos venenosos (fake news) para atingir a candidata Hillary Clinton pelas mídias digitais.

O IMPACTO NAS ELEIÇÕES BRASILEIRAS 2018 – Todas essas notícias seriam bull shit para americano ver, se elas não impactassem diretamente as próximas eleições, marcadas para outubro deste ano no Maranhão e no resto do Brasil. O Facebook está mudando o código de seu algoritmo para incentivar as interações verdadeiras entre pessoas e minimizar os efeitos da programação. As campanhas de marketing precisam ser redesenhadas.

Nesse novo contexto, pautado pelas mudanças tecnológicas e de legislação, as campanhas políticas brasileiras serão vencidas pelos candidatos que entenderem profundamente as novas regras, tanto as digitais quanto as permitidas pela nova lei eleitoral, aprovada no final do ano passado. O poder de mobilização da chamada mídia digital já mostrou sua eficiência na esfera estadual nas eleições 2014 aqui no Maranhão.

O resultado foi determinado por uma batalha entre as velhas mídias (representadas por jornais de papel e antenas de transmissão broadcasting) contra as novas mídias (representadas por redes sociais participantes e mensagens de WhatsApp viralizadas em grupos e correntes de simpatizantes). Muita gente da velha guarda da política não entende até hoje o que aconteceu quatro anos
atrás em terras que Gonçalves Dias um dia penteou o bigode.

O fenômeno digital mostrará novamente sua força em 2018, amplificado pela lei eleitoral 13.488/17. Por meio dela, é possível se patrocinar posts e fazer pré-campanhas vencedoras pelas redes sociais, além de pedir contribuições financeiras legais para o cidadão. O melhor de tudo é que tudo pode acontecer dentro da lei, usando os recursos digitais que temos nas mãos. Pelas conversas que tive nas últimas semanas com vários líderes políticos maranhenses (sem acepção de cor, credo ou raça), posso afirmar – com todas as letras – que as eleições maranhenses de 2018 serão decididas por quem planejar e implantar a melhor estratégia digital.

Em resumo: os impérios de ondas radiofônicas e televisivas (analógicas) serão derrubados por ondas digitais. Quem chegar com mais velocidade e eficácia aos smartphones dos eleitores vencerá o pleito. Mas, é claro, alguns antigos líderes políticos ainda acham que se ganha eleição subindo em palanque e vociferando palavras surradas e suadas. Eles ainda não sabem que tudo pode ser mais eficiente com outras palavras e outras mídias.

É impossível visitar todas as residências de um estado. Mas é perfeitamente possível fazer chegar a um grande percentual dos eleitores a mensagem do candidato certo, na hora certa e da maneira certa, dentro das regras da legislação eleitoral. Como fazer isso? Este será o tema dos próximos artigos.

*Tagil Oliveira Ramos, MsC., é consultor de Marketing de Dados (Data-Driven Marketing). Com mestrado pela FIA-USP, ministra cursos de MBA e pós-graduação em São Paulo na ESPM, Senac e UNIP. Sediado em São Paulo, o especialista fixou residência em São Luís desde o início em 2018 para prestar consultoria no estado para um reduzido e seleto número de candidatos a cargos proporcionais e majoritários. Como jornalista com passagem por publicações como O Estado de S.Paulo e Exame, escreverá para o JP artigos periódicos na coluna Bit&Byte MARANHÃO, em que comentará as campanhas digitais das eleições maranhenses.

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