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O ÓRGÃO DAS MULTIDÕES

App para iOS ‘espiona’ uso do WhatsApp pelos usuários

“A resposta para a antiga pergunta: com quem você estava conversando às três da manhã?”

© Reprodução

“A resposta para a antiga pergunta: com quem você estava conversando às três da manhã?”. É essa a promessa que aparece logo no topo do site oficial do Chatwatch, um aplicativo capaz de “espionar” a utilização do WhatsApp e criar gráficos de monitoramento de utilização da plataforma, indicando os períodos de maior atividade.

A palavra aparece entre aspas pois, apesar de seu uso um tanto peculiar, o Chatwatch utiliza dados públicos disponibilizados pelo próprio WhatsApp. Sua utilização, claro, está fora dos termos de uso da plataforma, mas isso não impede que ele avalie o status online dos contatos e observe sempre que um deles está disponível para conversar, uma informação que, inclusive, pode ser visualizada por qualquer usuário do mensageiro, somente não da maneira disposta aqui.

Com base nisso, o software não apenas é capaz de criar gráficos de atividade, exibindo os momentos de disponibilidade ou não, mas também usar isso para inferir quando duas pessoas estão conversando entre si. Isso também é feito por meio de métricas de acesso, mais uma vez, disponibilizadas publicamente e com gráficos gerados por comparação.

Essa indicação é feita, por exemplo, quando os períodos de inatividade coincidem à noite — há um grande surto de utilização por ambos e, na sequência, silêncio, o que indica que aquela foi a última conversa antes dos dois irem dormir. Ou, então, a presença em grupos semelhantes, com atividades constantes de muita gente ao mesmo tempo.

Para gerar esses gráficos, o Chatwatch exige 24 horas de análise e coleta. Na sequência, continua sendo atualizado de forma constante, indicando, dia após dia, os gráficos de utilização e os períodos de maior ou menor atividade no aplicativo. Tudo gratuito e invasivo, apesar de, como dito, os dados estarem disponíveis publicamente.

De acordo com os responsáveis pelo aplicativo, a análise pode ser feita, inclusive, com os usuários que desabilitaram essa opção no WhatsApp. Isso se deve ao fato de que o bloqueio acontece apenas para os outros utilizadores – enquanto ninguém consegue ver a pessoa online ou quando ela esteve conectada pela última vez, os servidores do mensageiro continuam coletando e armazenando essas informações.

O software é gratuito e, por enquanto, está disponível apenas para iOS. Como as informações usadas pelo aplicativo são livres, há pouco que o WhatsApp possa fazer para impedir esse tipo de utilização dos dados de seus utilizadores.

 

(Canaltech / Autor: Felipe Demartini)

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