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O ÓRGÃO DAS MULTIDÕES

Presidente da FMF sai da toca e bota a boca no trombone

Antônio Américo fala com exclusividade ao JP online sobre a confusão no futebol do Maranhão

Antônio Américo: Do ano passado para cá, e principalmente este ano, passei a perceber um ambiente conturbado no Campeonato Maranhense.

Diante do impasse que envolve a Federação Maranhense de Futebol, Moto Club de São Luís, TV Difusora, TV Guará e Governo do Estado, o JP Online ouviu com exclusividade o presidente da FMF, Antônio Américo  Lobato Gonçalves. Ele fez um relato sem papas na língua, analisando o longo tempo em que acompanha o futebol maranhense e as mudanças nos dois últimos anos.

Sobre as críticas
“Quando se fala em Federação, sempre há críticas. Isso é normal. Administrar o interesse de dezenas de clubes, com mentes e atitudes diversas, não é fácil.”

Estádios vazios
“O público nos estádios é baixo. Isso não acontece só no Maranhão. Desde que uma quantidade maior de jogos passou a ser transmitida, o público começou a ficar mais em casa. Acontece no Rio Grande do Sul, São Paulo, Minas Gerais, Rio de Janeiro, Ceará, Pará, Inglaterra, Espanha, Ásia, Oriente Médio. Somam-se a isso, a influência dos times do sul/sudeste, campeonatos internacionais, e por aí vai.”

Apoio do governo
“O apoio dado pelo Governador Flávio Dino, por meio da Lei de Incentivo ao Esporte, tem sido essencial para a saúde financeira dos clubes. Futebol é esporte de massa, gera empregos (diretos e indiretos), movimenta a economia, a imprensa, o debate dos torcedores.”

Ambiente conturbado
“Do ano passado para cá, e principalmente este ano, passei a perceber um ambiente conturbado no Campeonato Maranhense. O debate parece que saiu das questões que envolvem a bola e migrou para os bastidores, de forma real ou fantasiosa.”

Divergências no ano passado
“Em 2017, a organização do Campeonato, dentro da Federação, ficava a cargo de Antônio Henrique Moraes Rego, um ex-presidente do Moto Club na década de 90. Devido a divergência de interpretação do regulamento arguida pelo time rubro-negro, o campeonato foi parar no STJD, órgão da justiça desportiva ligado à CBF. Não faltaram acusações de manipulação do campeonato feitas pelo então presidente Célio Sérgio.”

 Divergências deste ano
“Para 2018, a Federação promoveu uma modificação na diretoria de competições, alçando outro ex-presidente rubro-negro à função: Hans Nina.Comecei a perceber que as divergências de 2017 pareciam não ter sido digeridas, e uma avalanche de ‘polêmicas’ permeou o campeonato. Resolvi aprofundar-me no assunto e fui em busca de mais detalhes.  A primeira desavença surgiu com a divulgação da tabela do Maranhense 2018. O Moto Club alegou que estava sendo deliberadamente prejudicado, pois teria que fazer três viagens ao interior do Estado (o que ocorreu com praticamente todas as equipes).”

Favorecimento
“No jogo contra o Sampaio, o Moto figurava como visitante (mesmo o regulamento dizendo que a renda é dividida, e os dois times sendo da capital). Houve favorecimento ao Sampaio e ao Cordino. Hoje, encerrada a primeira fase do campeonato, ambas as equipes estão eliminadas. Teria a Federação fracassado na sua ‘manipulação’?”

Blefe
“Ou foi um blefe dos rubro-negros para tumultuar e ter uma carta de seguro Não satisfeita, a diretoria do Moto Club ingressou na justiça desportiva com uma ação contra a tabela da competição. Para isso, apresentou um comprovante de transferência bancária das custas processuais com indícios de fraude. Buscando evitar piores consequências (uma possível suspensão de dois anos), o clube desistiu da ação.”

“Reclamão”
“Na sua primeira partida como mandante, contra a equipe do São José, o Moto reclamou da Federação quanto à taxa a ser cobrada dos donos de bares no Castelão. A entidade organizadora do Campeonato repassou a informação que nem clubes nem Federação cobrariam tais valores, considerando que o estádio é público. O clube foi em cima, foi embaixo, e cobrou assim mesmo.”

Taxas não recolhidas
“Quanto a este mesmo jogo, o clube não recolheu as taxas e contribuição do INSS no prazo previsto no regulamento e em lei. O Sampaio representou na justiça desportiva, mas, por uma interpretação estranha, a comissão disciplinar não puniu o Moto. O mesmo se repetiu na partida Moto x Maranhão. Passadas mais algumas rodadas, a Federação marcou o jogo Moto x Santa Quitéria para uma quinta-feira (dia tradicional do futebol brasileiro), às 20h15, no Castelão. A partir daí surgiram reclamações, novas acusações de ‘prejuízo’ e pedidos contraditórios.”

Explicações
“A entidade justificou o jogo nesta data, pois no sábado aconteceu um jogo do MAC e, no domingo, do Sampaio. E ambos os times jogaram depois do Moto na rodada anterior. A diretoria rubro-negra, então, desistiu do sábado e pediu o jogo para sexta. Depois aceitou a quinta. Vale lembrar que o Sampaio Correa já havia jogado contra o Bacabal, em uma terça à noite, no mesmo horário, e nenhuma reclamação foi ouvida.”

Última rodada
“Veio então a última rodada da competição, onde todos sabem que é prudente que todas as equipes joguem no mesmo dia e hora. Como os estádios em Santa Quitéria, Barra do Corda e São José de Ribamar não possuem iluminação, foi necessário que os jogos acontecessem durante a tarde, em uma quarta-feira. Novas acusações de ‘prejuízo’ e ‘favorecimento’ a adversários, feitas pela diretoria do Moto.”

Falta de repasse
“Ouvi ainda, numa emissora de rádio, que, desse jogo, o time rubro negro, responsável pela cobrança dos ingressos, não repassou ao Maranhão os 40% de direito da renda líquida.”

Polêmicas na reta final
“Antes mesmo das semifinais já tivemos novas polêmicas. A primeira, porque os jogos ficaram para os dias 17 e 22 de março. O motivo seria um ‘favorecimento’ ao MAC, que teria atletas machucados. Depois, o Moto reclama que o segundo jogo será um uma quinta-feira, às 21h45. Sem dúvidas, um horário tarde, mas necessário e adequado à transmissão de TV, fato corriqueiro em todos os campeonatos e divisões do mundo todo.

Lei de Incentivo
“Vale trazer de volta o assunto da Lei de Incentivo. Os valores que o Moto recebeu do patrocínio da competição preveem essa situação. Se discorda, a diretoria não deveria então abrir mão do dinheiro a receber? Por fim (mesmo acreditando que não vão parar por aí), nessa lista de reclamações vêm os valores repassados aos clubes, onde o Sampaio recebeu um valor um pouco acima que Moto e Maranhão, em virtude de estar na Série B do Brasileiro. O mesmo aconteceu em 2016, e não houve esperneio da diretoria da época.”

Metralhadora contra a Federação
“Alguns fatos despertaram minha curiosidade. Por que a diretoria do Moto Club abriu a metralhadora contra a Federação? Podemos chegar a algumas possíveis respostas. Vamos ver?”

Resposta 1: Perseguição
“Perseguição, favorecimento e benefício a adversários é algo bem estranho e fora de propósito. Os supostos favorecidos (Sampaio e Cordino) já estão eliminados, não figurando nem entre os quatro. Na verdade, se alguém pudesse alegar prejuízo seria a chamada ‘Bolívia Querida’, que teve que disputar jogos em duas quintas à noite e nos sábados seguintes (e consecutivos) viajou a Santa Quitéria e Imperatriz. A eliminação do Sampaio pode custar alguns milhares de reais em 2019, caso o clube fique de fora da Copa do Brasil. E não ouvimos nenhum boliviano fazer acusações. Outra equipe, o São José, jogou duas partidas de portões fechados, e também não berrou contra a Federação.”

Resposta 2: Transmissão dos jogos
“Transmissão dos jogos: aqui começamos a ver traços da motivação. A TV Guará desejava ser a detentora dos direitos de transmissão, mas perdeu a disputa para a TV Difusora. O fato parece não ter sido assimilado pelo atual presidente do Moto, que é diretor da tv do canal 23.

 Resposta 3: Discurso pronto
 “O Moto alega ter sido tão prejudicado pela Federação, que encerrou a fase classificatória em primeiro lugar, invicto no campeonato. Parece aquele papo ‘vencemos a competição contra tudo e contra todos’, ‘superamos as dificuldades’, ‘somos os melhores’. Perdendo, ‘fomos roubados e prejudicados’. Assim fica fácil!”

 Resposta 4: Eleição da FMF
“Este ano será definido o novo presidente da Federação, e não é segredo para ninguém que alguns jornalistas almejam o cargo, mesmo tendo fracassado onde atuaram no futebol.”

Ataques em blogs e outras mídias
“A postura da diretoria do Moto, utilizando-se de blogs e alguns programas de rádio e tv para desferir ataques me deixam surpreso. Entendendo que, dentre as causas apontadas, todas são mesquinhas e de baixo nível. O mais estranho é que, neste ano, eu ajudei o Moto no início do Campeonato, quando o clube não tinha recursos para pagar taxas de transferências de jogadores, quando sequer conseguiria colocar um time em campo. Além disso, concedi prazo para regularização da ata de eleição da diretoria do clube, eleita em dezembro de 2017, tendo o cartório rejeitado a documentação.”

Promessas vãs
“A diretoria rubro negra assumiu prometendo muita coisa: projetos, patrocínios, até (‘pasmem’), emendas parlamentares. E não entregou nada.”

Recado final
“Continuarei acompanhando os fatos, mas já convencido de uma coisa: o Moto Club é time grande, bem maior que essa conduta deplorável que sua diretoria vem demonstrando. Que pare de se apequenar e ir na contramão do novo momento que o futebol maranhense tem vivido, com o apoio decisivo do Governo do Estado.”

 

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