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O ÓRGÃO DAS MULTIDÕES

Armadilhas digitais podem inviabilizar campanhas de políticos conhecidos

Muitos candidatos no Maranhão e no resto do Brasil devem cometer o erro de Jair Bolsonaro (PSL-RJ): torcer o nariz para as novíssimas regras das redes sociais e da legislação eleitoral

Jair Bolsonaro; páginas canceladas no Facebook e prejuízo na comunicação com centenas de milhares de eleitores

Nesta semana, o candidato do PSL à presidência da República perdeu, de uma só lapada, mais de 845.600 seguidores no Facebook.

Este prejuízo numérico o torna menos competitivo na corrida eleitoral. Os gestores da empresa que mantém a maior rede social do planeta cancelaram a fan page “Jair Bolsonaro presidente 2018”.

Se esta notícia já não fosse uma tragédia, sua equipe de campanha recebeu mais uma má novidade: outro perfil (a página “Jair Bolsonaro presidente 2.0”) também foi retirado da plataforma on-line. Mais 71.445 possíveis eleitores não terão mais acesso às atualizações de campanha.

Armadilhas on-line

Podemos perguntar: que erros cometeram os profissionais de comunicação? O que o candidato fez de errado?

Sem entrar em nenhum julgamento ideológico, afirmo que ainda ouviremos muitas notícias semelhantes ao longo das pré-campanhas eleitorais. Candidatos dos mais diversos sabores políticos serão penalizados por desconhecer as novas regras de marketing eleitoral digital.

Os principais erros são estratégicos, alicerçados em visões de comunicação antiquadas e vencidas. Muitos candidatos ainda acreditam que o palanque é feito de átomos. Não sabem que a tribuna hoje é construída com bits viajando na direção de smartphones, tablets e desktops.

Muitas equipes de campanha ainda estão pautadas por antigos parâmetros. Simplesmente não entendem as armadilhas introduzidas pela lei 13.488/17 e pelas mudanças operadas no algoritmo do Facebook, depois da crise de credibilidade envolvendo a empresa.

Soluções de marketing

Ainda sem entrar no julgamento do conteúdo dos posts, é preciso entender que os erros cometidos pela equipe de comunicação do candidato Bolsonaro foram antes estratégicos e, em seguida, táticos.

Embora o Facebook não tenha dado nenhuma explicação para a eliminação dos perfis, todo bom profissional de marketing político digital sabia que a estratégia conduzida tinha alto risco. Era uma travessia na corda bamba sobre um desfiladeiro com ventos fortes.

Em várias conversações que tenho mantido com lideranças políticas no Maranhão, observo que os candidatos e gestores também estão brincando com “gasolina perto do fogo”. Ignoram que existem boas práticas e técnicas de marketing consagradas que diminuem os riscos, atendem à legislação eleitoral e conduzem para o sucesso da campanha e para a vitória no pleito, seja por cargos majoritários ou proporcionais.

 

TAGIL OLIVEIRA RAMOS, MsC., é consultor de Marketing de Dados (Data-Driven Marketing). Com mestrado pela FIA-USP, ministra cursos de MBA e pós-graduação em São Paulo na ESPM, Senac e UNIP. Trabalhou em empresas como UOL, Santander e Avaya/Lucent. Sediado em São Paulo, o especialista fixou residência em São Luís desde o início em 2018 para prestar consultoria no estado para um reduzido e seleto número de candidatos a cargos proporcionais e majoritários. Como jornalista com passagem por publicações como O Estado de S.Paulo e Exame, escreverá para o JP artigos periódicos na coluna Bit&Byte MARANHÃO, em que comentará as campanhas digitais das eleições maranhenses. Email: [email protected]

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