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O ÓRGÃO DAS MULTIDÕES

Garota morre após se asfixiar quando brincava em rede, em Paço do Lumiar

O caso, registrado na última quarta-feira (4), levantou a suspeita da existência de um novo jogo com regras ao estilo do ‘Baleia Azul’ entre os jovens da Pindoba

Escola na qual a adolescente estudava permaneceu fechada nessa sexta-feira (6), e exibia em seu portão um pano preto como sinal de luto pela morte de Débora; unidade de ensino estaria averiguando a existência do ‘Jogo da Caneta’ entre seus alunos. Foto: Gilson Ferreira

A estudante Débora Regina Ferreira Santos, de 13 anos, morreu na última quarta-feira (4), após se enforcar acidentalmente em uma rede de descanso, durante uma brincadeira no quarto da casa na qual morava com os avós maternos e uma tia, na Rua Principal, na comunidade da Pindoba – município de Paço do Lumiar. Na parte interna da residência estava apenas Débora, enquanto os avós permaneciam pela vizinhança e a tia da garota lavava roupa no quintal do imóvel.

De acordo com José Rogério Farias de Ferreira, avô e pai adotivo da estudante, no fim da manhã de quarta-feira, Débora chegou da escola em casa, tirou o fardamento e o levou para a bisavó da adolescente fazer alguns ajustes, isso, de bicicleta.

Ao retornar, teria passado um recado a José Rogério – que estava em uma casa ao lado da residência da família – de que a bisavó queria alguns cocos, para fazer “suquinhos” com o fruto. “Ela me passou o recado, abandonou a bicicleta, e entrou na casa, quando teria ido varrê-la. Débora sempre fechava a porta de entrada, quando estava passando a vassoura no piso, era uma forma de evitar o entra e sai de pessoas pelo imóvel, preservando-o limpo por mais tempo”, detalhou Rogério.

Enquanto a adolescente limpava a residência, a tia Mayara Farias lavava roupas no quintal, e a avó Rosineide de Cássia Ribeiro tinha saído. “Acreditamos que ela largou a vassoura quando ia limpar o quarto, e, pegou a rede, que já estava armada, para brincar. Débora poderia ter feito movimentos giratórios, enrolando a rede no pescoço, e quando foi fazer os movimentos inversos para desenrolar, se enforcou”, disse o avô da garota, ao informar que ela foi encontrada pela tia Mayara, com as mãos estendidas na cama, ajoelhada e com o queixo encostado na rede.

A princípio, Mayara teria passado pela porta aberta do quarto, em direção à cozinha, quando se deparou com a cena. A tia de Débora teria advertido a garota, que já estava desacordada, dizendo: “você já está com essa brincadeira? Para com isso”. Mas somente quando Mayara voltou ao ambiente, percebeu que a adolescente não se mexia, se aproximou e descobriu que Débora estava desacordada.

A mãe biológica da garota mora nos fundos da casa dos avós da adolescente, com mais dois filhos caçulas. Sem ter o nome informado, foi ela e Mayara Farias que levaram a estudante para o sofá da sala da casa e tentaram reanimá-la, sem sucesso. Logo depois, transportaram Débora para a Unidade de Pronto Atendimento (UPA) do Araçagi, mas a adolescente já teria chegado sem vida à unidade de saúde.

“O médico ainda tentou reanimá-la, mas nos disseram que ela estava morta. Foi tudo muito rápido, do momento que ela foi encontrada até chegar à UPA não se passaram mais de meia hora”, informou a avó Rosineide de Cássia.

O corpo foi encaminhado para o Instituto Médico Legal (IML), cujo laudo atestou morte por asfixia. O velório foi realizado a partir da noite de quarta-feira, na Igreja Adventista da Pindoba; e o enterro aconteceu na tarde de quinta-feira (5), no cemitério da Maioba.

Morte de Débora levanta especulações sobre a participação de jovens no ‘Jogo da Caneta’

De acordo com relatos ouvidos pela reportagem do Jornal Pequeno, na comunidade da Pindoba, uma espécie de jogo de desafios e invocação de espíritos poderia ter estimulado Débora a brincar com a rede, tendo levado-a à morte; e, outros adolescentes, inclusive, colegas de escola e amigos da jovem, a fazerem cortes nos próprios braços.

Chamado de ‘Jogo da Caneta’ e também de ‘Desafio Charlie, Charlie’, conforme pesquisa feita pelo JP, trata-se do cruzamento de canetas (ou lápis) sobre folhas de papel, seguido de pergunta se o demônio mexicano Charlie está presente.

Na internet, haveria regras para se conversar com esse espírito. Uma delas é que se a comunicação for interrompida sem dizer “adeus”, o brincante experimenta sensações paranormais, como ouvir vozes, ver coisas se mexendo sozinhas, sombras misteriosas, e risadas sinistras. Ao não se despedir, o participante da brincadeira estaria permitindo que o demônio entrasse na casa de quem brinca.

Os rumores na comunidade da Pindoba de que há adolescentes com os braços cortados faz lembrar outro jogo virtual, o ‘Baleia Azul’, que teria se originado de uma “fake News”, como são chamados os boatos disseminados na internet. A rede que controla o ‘Baleia Azul’ obrigaria seus participantes a se lesionarem e estaria relacionada à morte de pelo menos dois jovens em Mato Grosso e Minas Gerais, e tentativas de suicídio, isso, até abril de 2017.

O jogo consiste em uma troca de mensagens entre os aliciadores e os adolescentes, e teria surgido originalmente na Rússia. Débora Regina Ferreira Santos cursava o 9º e último ano do ensino fundamental. Na escola que estudava, a UEB Benjamin Peixoto, era tida como uma adolescente alegre. No dia em que morreu, a quarta-feira (4), teria amanhecido com chuva, e Débora brincava no pátio da Benjamin Peixoto com os guarda-chuvas abertos, deixados lá por outros alunos para que secassem. “Ela pegou as ‘sombrinhas’ e girava seu corpo, rodando junto com os objetos, o mesmo que parece ter feito com a rede”, disse uma pessoa ouvida pelo JP, que estava na escola nesse momento.

Segundo a fonte, existem fortes rumores de que o ‘Jogo da Caneta’ estaria sendo praticado por adolescentes e crianças da Pindoba, inclusive alunos da UEB Benjamin Peixoto. “Há crianças se cortando”, disse.

Durante apuração feita na manhã de ontem, na Pindoba, a reportagem tomou conhecimento que a partir de segunda-feira (9) a direção da UEB irá se mobilizar para buscar auxílio da Secretaria
Municipal de Educação de Paço do Lumiar, a fim de que a Polícia Civil investigue as especulações sobre o ‘Jogo da Caneta’. No entanto, apesar dos boatos, a família de Débora garantiu que a morte da adolescente foi uma fatalidade, e não haveria qualquer relação do fato trágico com o jogo.

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