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O ÓRGÃO DAS MULTIDÕES

Pré-campanha digital vai dar mais tempo ao candidato do que o horário gratuito na TV

Recursos para captar eleitores e doações de campanhas estão sendo menosprezados pelos políticos da velha guarda

Manuela D’Ávila: uso dos recursos digitais para coletar fundos para campanha.

Em março, a candidata à presidência da República do PCdoB, Manuela D’Ávila, lançou uma página que surpreendeu a alguns políticos desavisados: nada menos, nada mais do que um crowdfunding eleitoral. Foi a primeira iniciativa desse tipo na corrida eleitoral.

Manuela é uma exceção. Nenhum outro presidenciável, neste momento, está se aproveitando de um dos mais valorosos recursos que permite a nova legislação eleitoral.

Palavrão?

O termo técnico crowdfunding pode parecer um palavrão daqueles que se só se pronunciam no banheiro. Pessoas que torcem o nariz para estrangeirismos preferem o popular  “vaquinha eletrônica”.

O objetivo prático desse recurso é captar apoio monetário para as campanhas. As contribuições de empresas (por causa da Lava Jato e outros “excessos”) estão proibidas pela legislação eleitoral. Só são permitidas doações de pessoas físicas – mesmo assim limitadas a 10% de seus rendimentos comprovados do ano anterior.

Maranhão

Em conversas com políticos maranhenses, fiquei admirado com o menosprezo pelo aproveitamento dos recursos digitais e com o desconhecimento das novas técnicas de marketing digital eleitoral, trazidas pela lei 13.488/17.

O crowdfunding online é só uma das vantagens virtuais que não está sendo utilizada. Esse mecanismo existe há pelo menos uma década, com histórias de sucesso no financiamento de causas humanitárias, lançamento de projetos culturais e iniciativas sociais.

Mas nenhum político maranhense pareceu, até agora,  interessado em usar essa vantagem que a própria lei lhe confere.  Será que o dinheiro está sobrando nas verbas que vêm via fundo eleitoral ou partidário?

A resposta parece ser outra. A maioria dos candidatos não entende como usar de maneira eficiente os recursos online para alavancar sua candidatura. Portanto, é preciso contratar mão-de-obra especializada, da mesma maneira como se contratava uma gráfica para imprimir os antiecológicos “santinhos”.

Facebookagens não

Assim como o crowdfunding, outras ferramentas eleitorais estão sendo desperdiçadas, como o uso das mídias sociais digitais, vídeos online, Data-Driven Marketing (com o Google ou internamente), Twitter, Instagram, LinkedIn e Analytics.

Preste atenção, não estou falando só de facebookagens, mas de comunicação de marketing eleitoral vencedora, totalmente legal e estimulada pelo TSE, a ser praticada por meio de novas tecnologias.

Um professor (com salário de professor), por exemplo, pode conseguir financiar sua campanha com a ajuda de seus simpatizantes. Se o candidato for popular e amado, o resultado é surpreendente.

Tempo de YouTube

Escrevam o que eu digo:  a pré-campanha eficaz e eficiente vai definir a eleição dos políticos inovadores, antenados com as novas tecnologias. Quem fizer a campanha correta vai ter mais tempo de visualização na plataformas digitais do que na TV (limitada a 35 dias de propaganda do período gratuito).

O político da velha guarda pensa em tempo de TV (pífio numa eleição para deputado estadual, federal, senador e governador). No passado, só foi possível ganhar atenção quem pronunciou “meu nome é Eneias”.

Hoje, tudo é diferente. O político antenado pensa em “Tempo de YouTube” (ou visibilidade em espaços remotos semelhantes). Quem construir uma estratégia profissional será eleito. Quem colocar o “sobrinho genial que manja de computador” para cuidar disso, bem… boa sorte nas eleições de 2022!

TAGIL OLIVEIRA RAMOS, MsC., é consultor de Marketing de Dados (Data-Driven Marketing). Com mestrado pela FIA-USP, ministra cursos de MBA e pós-graduação em São Paulo na ESPM, Senac e UNIP. Trabalhou em empresas como UOL, Santander e Avaya/Lucent. Sediado em São Paulo, o especialista fixou residência em São Luís desde o início em 2018 para prestar consultoria no estado para um reduzido e seleto número de candidatos a cargos proporcionais e majoritários. Como jornalista com passagem por publicações como O Estado de S.Paulo e Exame, escreve para o JP artigos periódicos na coluna Bit&Byte MARANHÃO, em que comenta as campanhas digitais das eleições maranhenses. Email: [email protected]

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