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O ÓRGÃO DAS MULTIDÕES

Documentário retrata a história de maranhense apedrejado, linchado e amarrado a um poste em São Luís

As cenas do jovem morto apedrejado chegaram a ser comparadas com a de escravos ao levarem castigos no troco durante a escravidão no Brasil

Cenas feitas durante a gravação de parte do documentário no Aterro do Flamengo no Rio de Janeiro. (Foto: Reprodução/ Instagram)

Em 2015 a imagem do maranhense Cleidenilson Pereira, na época com 29 anos, sendo morto a pedradas e amarrado em um poste no sol quente, após tentar assaltar um estabelecimento em São Luís chocou o Brasil. O processo que investiga a morte de Cleidenilson ainda não foi concluído.

O delegado do caso à época, Cláudio Barros afirmou que a vítima não possuía passagem pela polícia. No período, cinco pessoas chegaram a ser indiciadas como executores do linchamento.

A cena chegou a ser comparada aos castigos da escravidão e esse foi o pontapé para o cineasta carioca Vladimir Seixas, de 37 anos, produzir um documentário sobre o assunto. Seixas percorreu o Brasil em busca de histórias de crimes semelhantes. Ao fim da empreitada, surgiu o documentário “A primeira pedra”, produzido pelo Canal Futura em parceria com a produtora Couro de Rato.

Em entrevista ao jornal Extra, o cineasta destacou que imagem é emblemática. “Desde a morte do Cleidenilson, a família dele foi adoecendo. Esse é um crime que impacta a família tão fortemente que é difícil tocar a vida”, contou o diretor.

“A questão racial faz a crueldade ser maior. O curioso é que o linchamento tem um protocolo. A vítima é acusada, perseguida e, quando cai no chão, a covardia acontece”, explicou o cineasta.

A obra é dividida em quatro capítulos e mostra ainda o episódio envolvendo o professor de História André Ribeiro, confundido com um assaltante enquanto fazia exercício no Balneário São José, em São Paulo. “Ele só não morreu porque provou que era professor dando uma aula sobre Revolução Francesa”, destacou Seixas.

O filme será exibido neste sábado (28) no Cineclube Futura, na Flip, em Paraty (RJ). Quem não for ao evento pode conferir o filme no canal Futura Play.

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