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O ÓRGÃO DAS MULTIDÕES

Tecnologia avançada garante locomoção e manutenção de vagões pela EFC

Uma avançada rede de computadores e de sinais emitidos via satélite possibilitam a locomoção dos trens, que podem ser parados automaticamente

Célula robótica é utilizada na troca de rodeiros dentro do complexo da Vale. (Foto: Divulgação)

A Estrada de Ferro Carajás (EFC) transporta passageiros, grãos, combustível e minério. Isso é de conhecimento público e muito divulgado. Mas, o que poucas pessoas sabem, é como essa movimentação de locomotivas acontece, ou seja, que tipo de tecnologia permite esse funcionamento. Uma avançada rede de computadores e de sinais emitidos via satélite possibilitam a locomoção dos trens, que podem ser parados automaticamente em casos necessários.

A equipe de reportagem realizou uma visita no complexo da Vale, na área Itaqui-Bacanga, em São Luís, para acompanhar e conhecer “in loco” esse processo. Lá dentro, Jediel Granjeiro, analista master especialista em manutenção de materiais rodantes da Estrada de Ferro Carajás, comentou que os trens saem das minas no sudeste do Pará, na região de Carajás (nome tirado da tribo que ocupava as margens do Rio Araguaia), repletos de minério. No percurso pela EFC, as locomotivas são monitoradas o tempo todo pelo Centro de Controle Operacional (CCO).

Os maquinistas, nesse sentido, se comunicam constantemente com o CCO, como Jediel mencionou. Em caso de um mal súbito da pessoa que está operando o trem ou em se tratando de outro motivo, o veículo rodante é parado automaticamente a partir desse centro de controle, o que evita uma tragédia ou qualquer outro acidente na ferrovia. Na EFC, há, segundo Granjeiro, equipamentos modernos chamados de waysides, que ficam ao lado da via ferroviária e servem para monitorar os trens que estão circulando pela malha.

Esses waysides verificam as condições da locomotiva, do vagão e dos trilhos, por meio de parâmetros como temperatura, dimensional via laser e videoimagem. A partir desse monitoramento, disse Jediel, os equipamentos enviam as informações para o CCO, que fica em São Luís. A empresa, então, fica sabendo quais vagões necessitam de manutenção ou substituição, para que o processo ocorra com segurança. Além disso, complementou Granjeiro, há o carro-controle (ou carro-sonda), que percorre a ferrovia, antes ou depois dos trens, para fazer uma espécie de “ultrassom” dos trilhos.

Esse procedimento é utilizado para averiguação das condições da ferrovia, sendo que os dados são enviados ao CCO, que aciona uma equipe de manutenção, para a realização dos reparos, que são feitos de forma rápida e eficiente.

Reparos nas oficinas: detectadas as falhas ou defeitos, as locomotivas chegam a São Luís já com os vagões identificados para os reparos nas oficinas, que são o Centro de Troca de Rodeiros (CTR) e Centro de Manutenção de Rodeiros (CRM), situados no complexo da Vale e que foram projetados inteiramente pelos funcionários da empresa. No CTR, a reportagem do JP foi recebida por Paulo Borges, supervisor desse centro, que é um setor marcado por tecnologia de ponta, com robôs operando juntamente com seres humanos.

Por meio das informações repassadas pelos waysides, disse Paulo, os vagões que precisam de reparos entram no CTR e são submetidos aos ajustes dos componentes, como os rodeiros, que pesam 1,6 toneladas e são trocados em um tempo recorde de 15 minutos. Outras imperfeições consertadas se referem aos truques, válvulas de freios, sapatas de freios e os perfis dos rodeiros, que sofrem desgastes nas cavidades durante a passagem dos trens do Pará até São Luís, pela Estrada de Ferro Carajás, que tem o segundo melhor indicador de segurança entre as ferrovias do País, segundo a Agência Nacional de Transportes Terrestres (ANTT).

Conforme Paulo, após os reparos, os vagões retornam para as fileiras, para seguirem viagem rumo ao Pará, já em perfeitas condições, o que garantirá segurança em todo o percurso. A tecnologia aplicada nesse processo de manutenção, como salientou o supervisor do CTR, é de origem mesclada, incluindo alemã, espanhola e norte-americana. Em todo aquele complexo de manutenção, atuam aproximadamente 300 pessoas, sendo que os funcionários, mesmo com a inauguração dessa Central, continuaram trabalhando no setor, pois fizeram oficinas oferecidas pela própria Vale, que investiu em capacitação das equipes.

Antes da inauguração desse moderno parque industrial, que aconteceu em 2016, os vagões aguardavam até 14 dias para a manutenção, sendo que as inspeções eram visuais e os vagões eram sinalizados com placas, que determinavam quais deveriam seguir para os reparos, o que reduzia o número de veículos rodantes disponíveis para o transporte do minério. As mudanças foram possíveis a partir do trabalho e empenho de uma grande equipe, incluindo João Falcão, gerente de manutenção ferroviária da Estrada de Ferro Carajás, que também foi apresentado à reportagem do JP durante a visita.

Divisão de vagões: antes de entrarem no CTR, os trens, que contêm 330 vagões, são divididos em lotes de 110 vagões, cujo minério transportado do sudeste do Pará é descarregado com a ajuda de viradores de vagão, já em São Luís, na área Itaqui-Bacanga, no complexo da Vale. Depois, as locomotivas seguem para o Posto de Inspeção e Abastecimento de Locomotivas (Pial), onde equipes realizam verificações com a ajuda de modernos equipamentos. Ademais, as máquinas são abastecidas com 22 mil litros de diesel. Diariamente, mais de 60 locomotivas são inspecionadas no PIAL.

Depois de descarregado o minério, o produto circula em esteiras, sendo que são armazenados no pátio de estocagem, até chegarem aos porões dos navios no Terminal da Ponta da Madeira. As embarcações seguem para lugares distintos do planeta, como China e Holanda. Mas não é somente minério que chega aos navios, pois eles também transportam milho e soja, grãos que são levados ao porto (líder em movimentação de cargas no Brasil desde 2014) por meio dos vagões pela Estrada de Ferro Carajás, que passou por um processo de expansão em 575 quilômetros de ferrovia duplicada.

Importante destacar que a capacidade de transporte atual da EFC é de 230 milhões de toneladas por ano, sendo que o investimento realizado significou um aumento de 53% na capacidade da ferrovia, que, em 2017, transportou um total de 180 milhões de toneladas de minério e, no primeiro semestre deste ano, 93,4 milhões, segundo balanço da Vale. A Estrada de Ferro Carajás possui uma extensão de 892 quilômetros, mas, quando é incluída a conexão do ramal ferroviário, construído recentemente no sudeste paraense por conta do complexo minerador S11D (em Canaã dos Carajás), essa extensão atinge 970 km.

 

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