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O ÓRGÃO DAS MULTIDÕES

Pedral do Lourenço impede crescimento do Norte e Centro Oeste afirma Meirelles

Com licitação concluída desde 2016, as obras do Pedral do Lourenço estão longe de serem finalizadas

Foto: Reprodução

Com licitação concluída desde 2016, as obras do Pedral do Lourenço estão longe de serem finalizadas. A retirada das pedras no rio Tocantins possibilitaria uma nova rota para escoamento da produção através da hidrovia Tocantins-Araguaia.

O trajeto aumentaria a competitividade logística dos portos da região Norte, ao garantir a navegabilidade durante o ano inteiro. O rio Tocantins é importante para o escoamento de produção de grãos e minérios de toda a região Centro-Oeste até o porto de Barcarena, no norte do Pará.

O pescador profissional e barqueiro, Nilson de Oliveira, 57 anos, mora em Aragarças, na divisa de Goiás com o Mato Grosso. Na cidade vizinha é onde está o porto do Baé, em Barra do Garças. Uma das principais zonas da hidrovia Tocantins-Araguaia, segundo o Departamento Nacional de Infraestrutura de Transportes (DNIT).

Nilson é um dos brasileiros que depende das águas do Araguaia para sobreviver. O pescador é cadastrado na Colônia de Mato Grosso. Segundo ele, as obras do Pedral do Lourenço são uma evolução no desenvolvimento do transporte hidroviário e podem trazer benefícios para os moradores

“Em questão da hidrovia, eu acho legal porque é uma evolução. É uma questão que vai escoar os grãos, escoar pelo rio Araguaia. Eu acho legal desde que não degrade o meio ambiente porque a questão hoje é que a gente luta muito pra manter o meio ambiente, a questão de não prejudicar o rio. Eu sou a favor da evolução”, disse.

O atraso nas obras tem grande impacto na economia da região Norte, principalmente para o agronegócio. Somado a isso, o sistema ferroviário brasileiro também tem pouca quilometragem, o que torna o desenvolvimento econômico de vários estados altamente dependente do modal rodoviário.

Dados do último levantamento da Confederação Nacional do Transporte (CNT) indicam que mais de 61% das estradas do Brasil estão em estado regular, ruim ou péssimo.

Segundo o professor do departamento de Ciências Econômicas da Universidade Federal do Tocantins, Alivínio de Almeida, o uso do sistema hidroviário seria mais barato para os produtores rurais.

“No caso da Tocantins-Araguaia que passa por essa área de alta produção agrícola, imagine que uma barcaça daquela consegue carregar 27 carretas. Então você tem uma escala de custos, porque o custo dela fica seis vezes menor do que o transitado via caminhão. E com isso você tem ganho em volume, redução em custos, e uma eficiência logística enorme”, explicou.

O desenvolvimento do sistema de transportes de cargas é tema das propostas de governo dos presidenciáveis. Henrique Meirelles, do MDB, pretende investir em ferrovias e hidrovias.

“Nós temos uma possibilidade fantástica que é o transporte hídrico. Isto é, nós temos, por exemplo, na bacia Araguaia-Tocantins, uma grande pedra que é o chamado Pedral do Lourenço, que impede a navegação. Mas isso é uma coisa que pode se resolver, eu vou resolver, então nós vamos abrir a navegação de todo o Araguaia-Tocantins, o que vai permitir um escoamento de toda a produção de grãos do Centro-Oeste e não vai precisar de caminhão. É muito mais barato”, afirmou ele.

A necessidade da diversificação do sistema de transporte ficou ainda mais evidente após a greve dos caminhoneiros que paralisou o escoamento de produção no país em maio deste ano.

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