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O ÓRGÃO DAS MULTIDÕES

Twitter anuncia novas políticas contra discursos de ódio generalizado

O combate ao discurso de ódio vem sendo um dos principais pontos de atenção da rede social nos últimos meses

(Foto: Reprodução / Chris Ratcliffe/Bloomberg via Getty Images)

O Twitter anunciou uma nova política de moderação que promete lutar contra o que chama de discurso desumanizador, aquele voltado para atingir todo um grupo de pessoas, em vez de apenas um indivíduo. As novas medidas devem entrar em vigor no final deste ano e acrescentam às atuais regras de conduta da rede social, que, por enquanto, preveem apenas medidas contra-ataques diretos e voltados a indivíduos.

O combate ao discurso de ódio vem sendo um dos principais pontos de atenção da rede social nos últimos meses. Mesmo dando grandes passos nesse sentido, o Twitter ainda é criticado por fazer pouco, principalmente, por considerar apenas como discurso de ódio ou violência aquele voltado a alguém específico. Isso significa que atacar uma mulher, por exemplo, é um ponto de atenção, mas o mesmo tratamento não é dado para um discurso que ofende e generaliza todas elas.

É justamente para chegar a um consenso em relação a isso que o Twitter anunciou as novas medidas, mas ainda não as colocou em vigor. A empresa convida os próprios usuários a participarem da construção das novas normas por meio de um formulário online, indicando, por exemplo, até que ponto consideram que as normas são claras e dando sugestões de como a companhia pode agir contra esse tipo de conduta.
O outro lado da moeda também é considerado, com os utilizadores sendo levados a indicar exemplos de conversas “sadias” que poderiam ser confundidos com discursos de ódio, bem como informações de gênero, localização e idade. A ideia é chegar a um meio termo, de forma que as medidas possam ser aplicadas de acordo com os anseios da comunidade e, também, de forma a protege-la.
Na visão do Twitter, o discurso desumanizador é todo aquele que trate alguém como menos do que um humano. Um exemplo claro é a comparação de etnias, religiões ou grupos a insetos ou vírus, assim como, também, reduzir todo um gênero ou raça a um único aspecto, como a genital ou a cor da pele.
A empresa também apresenta uma visão ampla do que pode constituir grupos desse tipo, indo além das obviedades e incluindo também deficiências físicas, problemas psicológicos, profissões, alinhamento político ou práticas sociais. É justamente devido à amplitude desse tratamento que o Twitter busca a ajuda da comunidade para implementação das regras, bem como, após sua liberação, continua dependendo de denúncias e indicações para realizar uma moderação adequada.

A motivação por trás das novas regras, entretanto, fica clara quando se leva em conta a linha do tempo até aqui. Os grupos de ódio são os principais alvos das novas medidas de moderação, principalmente depois do banimento de Alex Jones, do Infowars, de outras redes sociais. Inicialmente, o Twitter anunciou que não tomaria atitudes contra o conspirador, mas diante do feedback negativo da comunidade, decidiu não apenas agir como, também, antecipar a criação de normas mais abrangentes de moderação contra a desumanização.

De acordo com a rede social, a consulta pública estará aberta até o dia 9 de outubro, com os participantes não precisando se identificar, caso não queiram. Depois, as respostas serão analisadas para composição das regras finais, que ainda não têm data para entrarem em vigor.

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