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O ÓRGÃO DAS MULTIDÕES

IFMA passa a ser a referência no ensino do francês no estado

A instituição passa a ser centro certificador, recebe leitores franceses e institucionaliza os centros de estudos e pesquisas

Todo bom maranhense já tentou, nem que seja por um triz, falar francês durante as festas juninas. En avant tous, en arrière, changer/changez e autre fois transformam-se em alavantú, anarriê, changê e otrefoá, relembrando a origem francesa da quadrille (lá pelos idos do século XVIII) que chegaria ao Brasil em 1820.

O culto às origens francesas no Maranhão data do final do século XIX. Segundo a pesquisadora Maria de Lourdes Lacroix, em seu livro “A Fundação francesa de São Luís e seus mitos”, na época houve um “reforço à ideia de singularidade da Província”. As “elites decadentistas” utilizaram a “passagem francesa pelas terras maranhenses” como o “diferenciador de uma identidade singular”, afirma Lacroix.

São Luís não virou Paris, a contragosto de Gerude e Jorge Tadeu, mas o “imaginário coletivo” da áurea de única capital brasileira fundada por franceses tem sido alimentada inclusive no exterior. O guia de viagens Routard, lançado em 1970 e responsável por 25% das vendas de guias de viagem no berço do iluminismo, apresenta São Luís como belle ville coloniale. “Capitale du Maranhão, São Luis, fondée par les Français en 1612, semble prendre le temps de vivre, avec une indolence toute provinciale”, registra.

Vilton Soares no III Encontro de Coordenadores do Programa Leitores Franceses, em agosto, em São Paulo. (Foto: Reprodução)

O certo é que o idioma francês é o mais falado entre os turistas em São Luís. “É muito comum encontrar entre junho e agosto turistas francófonos no Centro Histórico”, revela o professor Vilton Soares, doutorando em Linguística Aplicada e Estudos da Linguagem ( PUC/ SP) e professor de francês no IFMA Campus Centro Histórico. Em sua pesquisa de mestrado em Turismo e Hotelaria, Vilton constatou que São Luís é a cidade brasileira que recebe mais turistas francófonos como destino direto. “Eles são os turistas com o maior tempo de permanência na cidade”, revelou o professor.
A motivação principal desses turistas é conhecer a capital, que por três anos, foi um sonho utópico da France équinoxiale, onde aportaram três navios que zarparam de Cancale, e que recebeu Charles Des Vaux, Claude d’Abbeville, Yves d’Évreux e La Ravardière, construtores dos Fortes de Caillou e Saint-Louis, onde hoje se assenta o Palácio do Leões, sede do governo do estado.

Leitores franceses no IFMA

Adeline Artus, 33, natural de Arras – Tourcoing, ao norte da França, chegou a São Luís logo após as comemorações dos seus 406 de fundação por seus antepassados. Estudante do mestrado em Línguas Estrangeiras na Université d’Artois e casada com maranhense (que reside do outro lado do Atlântico), vai desfrutar, por 9 meses, da Ilha do Amor, ministrando aulas no IFMA para a comunidade e servidores da instituição, por intermédio do Programa de Leitores da Embaixada da França.

O IFMA foi um dos dez institutos federais contemplados pelo programa que promove o estágio de mestrandos em Letras em campi dos institutos, a fim de desenvolverem atividades de divulgação e aprendizado do francês. Segundo Virgínia Freire, diretora de Relações Internacionais do IFMA, o programa está gerando bons frutos e já começa a ser adotado também pelas universidades federais.

A professora visitante Adeline Artus segue os passos de Maude Vasquez, da Universidade de Rennes, que desenvolveu ações por 18 meses nos campi Centro Histórico e Monte Castelo. Entre 2016 e 2017, a leitora colaborou no desenvolvimento de projeto para estabelecer o Centro de Idiomas do IFMA e no seminário que debateu o processo de internacionalização do Instituto. “Os resultados foram extremamente positivos, com uma repercussão imensa, na promoção da língua francesa no campus de forma impactante”, avaliou Vilton Soares.

Durante a sua permanência no IFMA, Adeline irá atuar em pesquisas no âmbito da teoria do ensino do francês, organização e participação de eventos culturais como a Semana de Francofonia e o projeto Diálogos Brasil-África, que busca ampliar o conhecimento dos estudantes sobre países africanos lusófonos (que falam português) e francófonos (que falam francês), por meio de rodas de diálogo, da literatura, das artes visuais e da música.

No dia 17 de setembro, Adeline Artus já estava em sala de aula no Campus Centro Histórico. “Estou gostando muito”, afirmou Adeline que trabalha com três turmas. “Os iniciantes estão muito motivados e a sala é bem eclética”, complementou. Ela também trabalha com um grupo mais avançado, em que prepara os estudantes para os exames exigidos pelo Centro Certificador do Idioma Francês.

“Estudar francês era uma vontade antiga, mas que eu tinha deixado de lado”, explicou a jornalista Andreia Lima, da Assessoria de Comunicação do IFMA. “Quando soube do curso que o IFMA iria oferecer, imaginei que esse seria o momento ideal”, informa Andreia, aluna de Adeline na turma iniciante. “É bem interessante ter aula com um nativo; as aulas são dinâmicas e tem sido muito enriquecedor”, finalizou.

IFMA agora é Centro Certificador

No início do próximo ano, o IFMA passará a ser Centro de Certificação DELF/DALF. “Com o fechamento da Aliança Francesa em São Luís, os estudantes estavam encontrando muitas dificuldades em deslocar-se às capitais vizinhas”, explica Vilton. Com isso, o IFMA passa a ser uma referência para o ensino do idioma francês no Maranhão. “Ser centro certificador representa um estreito laço de confiança entre o IFMA e a Embaixada da França, pois em todo o país o centro certificador é a Aliança Francesa”, explicou.

A aprovação nesses exames é necessária aos estudantes que pretendem realizar estudos em países francófonos. O professor Vilton Soares foi certificado, no início deste ano, juntamente com Dulce Borges, professora do Campus São José de Ribamar, como avaliador e examinador do Diplôme d’Études en Langue Française (DELF) – diploma concedido pelo Ministério da Educação que certifica as competências no idioma francês. A primeira aplicação do teste, pelo IFMA, ocorrerá nos dias 8 e 9 de novembro.

“O IFMA passa a certificar os seus alunos e colaborar, também, com os alunos do ensino superior do Maranhão de forma a viabilizar a mobilidade acadêmica internacional”, celebrou Vilton. “É um desafio muito grande, mas ao mesmo tempo isso muda completamente a nossa metodologia de ensino de línguas”, complementou.

“Na abertura do nosso centro examinador, deveremos receber Catherine Pétillon, adida de Cooperação Educativa da Embaixada da França em Brasília, responsável pelos centros de línguas do país”, informou o professor.

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