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O ÓRGÃO DAS MULTIDÕES

Editorial do JP alerta representantes maranhenses que se deram bem nas urnas

“Não arrotem os representantes da nova ordem política maranhense, só porque foram muito bem nas urnas, a máxima de que tudo podem. Inclusive fazer besteiras.”

A nave imperial decola rumo à lua (Charge (Cajú))

Os maranhenses de 20, 30 e de até 50 anos de idade já acordaram para vida sob a égide do sarneysismo. Em 1968, quando se agudizou a ditadura militar de 64, José Ribamar Ferreira de Araújo Costa, de nome político José Sarney, era o governador do Maranhão. Para quem se rotulava progressista, membro da chamada ‘UDN bossa nova’, difícil imaginar que não seria cassado pelo regime ditatorial.

Ao contrário, Sarney compôs-se com os milicos e, revelando sua verdadeira personalidade, tratou de tecer a montagem de dois impérios para se perpetuar no poder: um político, de mando, e outro midiático, de apoio ao grupo e cooptação da opinião pública.

O enredo e desfecho desse filme de horror são de conhecimento de todos no Maranhão: 50 anos de mando monolítico sarneysista que custaram muito aos maranhenses e ao Estado. Se somarmos os 20 do vitorinismo de Vitorino Freire, o rombo em todas as áreas da vida econômica, política, social e cultural do Maranhão torna-se imenso. Perdas e danos infinitesimais de difícil recuperação.

Isso significa que aquele maranhense geracional comum que ainda vive até hoje jamais conheceu a bonança. Foi um mero enterrador de esperanças e sonhos nunca alcançados. Pereceu sem conhecer uma ordem política e social que de fato tenha levado em conta

o verdadeiro bem-estar dos maranhenses. Prova disso são os índices sociais e econômicos que, na contramão de outros estados brasileiros que se desenvolveram, mantêm-se perversos.

Ainda existem os que, tola ou irresponsavelmente, tentam fragmentar a hegemonia de Sarney de seu grupo sobre os maranhenses nessas cinco décadas passadas. Fulanizam. Esquecidos de que o essencial se manteve até ontem. Verdade que trocou os nomes no comando do Executivo. Mas, no período, toda a herança que o Estado produzia era regiamente controlada – e dividida – pela família e seu grupo político: os cargos-chave -estaduais e federais -, as obras milionárias e o cofre.

Em 2006, quando o brizolista Jackson Lago foi eleito com um discurso anti-Sarney, ajudado pelo dissidente governador José Reinaldo Tavares, os maranhenses foram às ruas comemorar, como numa terça-feira de carnaval. A alegria durou pouco: um golpe judicial, patrocinado pela influência do velho caudilho junto ao Judiciário brasileiro, pôs José Sarney de volta ao Palácio dos Leões, vestido de saias. Perdeu no voto, foi pro tapetão de Brasília-DF. Roseana Sarney ganharia, assim, de mão beijada, seu terceiro mandato de governadora e se reelegeria mais uma vez…

Em 2014, não podendo mais Roseana ser candidata, a batalha pelo Palácio dos Leões se dera contra um aliado fiel do sarneyzismo, o controvertido filho do ex-governador e senador Edison Lobão, este que acaba de ver interrompida sua série de mandatos – iniciada no longínquo 1978, quando a ditadura militar lhe facilitaria ganhar o mandato de deputado federal pelo Maranhão.

Foi o ex- juiz federal Flávio Dino, calçado num mandato único de deputado federal, quem, em 2014, desbancou o clã. Ainda tentaram judicializar o resultado do pleito. Mas o novo eleito era do ramo. Não terminou aí a peleja. A velha oligarquia, mesmo corroída pelo tempo, resolveu enfrentar Flávio Dino mais uma vez. E o homem do PCdoB encontrou pela frente a mesma Roseana “guerreira”, herdeira legítima do sarneysismo cambaleante.

Nas urnas, o povo deu o golpe de misericórdia, demonstrando, nesse 7 de outubro, todo o seu cansaço com o descaso geral para com o Maranhão, marca da oligarquia agonizante. O governador teve o dobro dos votos. E ainda fez uma base parlamentar folgada, elegendo os dois senadores e a maioria dos deputados federais e estaduais.

Agora, se a oligarquia se estatelou no chão, agonizante, isso não significa que esteja morta e enterrada. Como num filme de terror, há sempre o perigo de o monstro se reerguer para atazanar a vida do mocinho. E também há a hipótese de outros monstros surgirem… Assim, não arrotem os representantes da nova ordem política maranhense, só porque foram muito bem nas urnas, a máxima de que tudo podem. Inclusive fazer besteiras…

O novo norte agora é: o Maranhão e sua gente são prioridades absolutas. Tudo ao contrário dos últimos 50 anos. Há muito trabalho a fazer, muita coisa a refazer. Há um mundo de coisas para construir. Não é porque se recuperou uma parede da tapera que não haja toda uma casa para renovar.

Deu um trabalho danado acabar com esse império de 50 anos. Pagamos um preço alto demais por isso. Assim, ponham de lado os interesses pessoais! Burrice desencadear, agora, dentro do grupo vitorioso, disputas que só ocorrerão em 2022. Nada deve atrapalhar o desenvolvimento econômico e social do Estado. A hora é de pensar no Maranhão. Aconselhamos, por fim, o olhar para frente, vermos através do para-brisa. Um horizonte inteiro à vista. Jamais usar o retrovisor. Pouquíssima coisa no que se espelhar!

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