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O ÓRGÃO DAS MULTIDÕES

Tiago Bardal facilitava a ação de quadrilha de assalto a bancos do Pará, diz a polícia

O grupo de Tiago Bardal era ligado ao assaltante de banco Leonardo Brandão, recentemente resgatado de presídio no Pará, em uma ação que envolveu mais de 100 presos

O delegado, advogados e investigador teriam recebido dinheiro fruto de pelo menos cinco assaltos da quadrilha de Adriano, que atuava ainda em Tocantins e no Maranhão

O delegado Tiago Mattos Bardal foi preso novamente, desta vez, acusado de integrar organização criminosa e facilitar ações de quadrilha de assalto a banco. A prisão, realizada na manhã desta quarta-feira (28), é resultado da operação Jogo Duplo, da Polícia Civil. Além do delegado, estão presos dois advogados e um investigador de polícia. Tiago Bardal havia sido detido em março deste ano, sob acusação de contrabando, mas teve a prisão revogada pela justiça.

De acordo com as investigações, o grupo criminoso agia em São Luís e Imperatriz facilitando as ações de uma quadrilha de assalto a bancos do Pará. Detalhes da operação foram repassados por membros da Secretaria de Estado de Segurança Pública (SSP-MA), em coletiva na manhã desta quarta, na sede do órgão, na Vila Palmeira. A operação Jogo Duplo foi iniciada há seis meses.

“A investigações estavam em curso e nossos policiais monitorando o delegado. Essa operação é fruto de uma denúncia que, à época, não foi considerada pela justiça e que agora culminou na descoberta de mais esse crime. Esse grupo integra uma quadrilha interestadual, de alta periculosidade, e agora serão apuradas outras ramificações”, pontuou o titular da SSP-MA, Jefferson Portela.

A ligação de Bardal com a quadrilha paraense teria se fortalecido entre 2015 e 2016, quando o delegado chefiava a Superintendência Estadual de Investigação Criminal (Seic), órgão da Polícia Civil. O cargo facilitava obtenção de informações privilegiadas e, assim, possibilitava as negociações com a quadrilha de assalto a banco. Pelo apoio, chegou a receber R$ 100 mil por assalto para não prender as quadrilhas; e os advogados, para garantir a liberdade dos criminosos.

“Eles sabiam quais os criminosos e na ocasião dos assaltos, em lugar de prendê-los, negociavam a liberdade em troca de dinheiro”, explica o superintendente de Combate à Corrupção Seccor, da Polícia Civil, Roberto Wagner Fortes.

Estão presos ainda o investigador João Batista de Sousa Marques e os advogados Werther Ferraz Junior e Ary Cortez Prado Junior. Além das prisões, a polícia realizou buscas nas residências dos suspeitos, em São Luís e em Imperatriz; e apreendeu pen drives, computadores, documentos e outros materiais que serão analisados. Valores movimentados pela quadrilha e número de envolvidos não foram informados na coletiva.

O Ministério Público do Maranhão, atendendo solicitação da Secretaria de Segurança Pública, também participou das investigações da operação Jogo Duplo.

Também estiveram presentes na coletiva o delegado geral de Polícia Civil, Leonardo Diniz e os promotores do Grupo de Atuação Especial de Repressão ao Crime Organizado (Gaeco), órgão do Ministério Público, Marco Aurélio Rodrigues e Marcos Valentim.

Articulação interestadual

O grupo de Tiago Bardal era ligado ao assaltante de banco Leonardo Brandão, recentemente resgatado de presídio no Pará, em uma ação que envolveu mais de 100 presos. O delegado, advogados e investigador teriam recebido dinheiro fruto de pelo menos cinco assaltos da quadrilha de Adriano, que atuava ainda em Tocantins e no Maranhão.

Processos

Tiago Bardal foi preso em março deste ano, por contrabando. Na ocasião, ele ocupava o cargo titular da Seic. As investigações passaram à responsabilidade da Polícia Federal e a prisão foi revogada pela justiça. Posteriormente, a Polícia Civil do Maranhão entrou com novo mandado de prisão, também revogado pela justiça. Pouco depois, iniciou a operação Jogo Duplo, sendo mantidas as investigações e monitoramento sobre o delegado, agora pelo crime de extorsão e associação criminosa.

Pesam ainda contra o delegado acusação por formação de quadrilha, extorsão, obstrução da justiça, peculato, prevaricação, associação criminosa, dentre outros. Esse é o quarto inquérito instaurado contra Tiago Bardal. Nós outros três, que estão em andamento, ele já figura como réu. Bardal foi interrogado na Seccor e encaminhado junto com o investigador à Delegacia da Cidade Operária (Decop) e os advogados, ao Complexo Penitenciário de Pedrinhas.

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