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Maranhão registra redução de casos por leishmaniose visceral

A doença, também conhecida como calazar é causada pela picada do mosquito flebótomo, que usa o cão como vetor e atinge o ser humano

Em 2017, 783 pessoas contraíram leishmaniose. Em 2018, o número caiu para 590 casos confirmados

O Maranhão registrou queda no número de casos de leishmaniose visceral em seres humanos. Segundo levantamento do Sistema de Informação de Agravos de Notificação (Sinan), relacionado ao último ano, o Maranhão reduziu em 24,65%, os índices de casos confirmados para a doença. Em 2017, 783 pessoas contraíram leishmaniose. Em 2018, o número caiu para 590 casos confirmados.

A doença, também conhecida como calazar é causada pela picada do mosquito flebótomo, que usa o cão como vetor e atinge o ser humano. O flebótomo, que antes era encontrado, geralmente, em zonas de matas e rural, hoje vem se adaptando às grandes cidades.

Existem dois tipos de leishmaniose: a visceral, conhecida como calazar, e a leishmaniose tegumentar. Ambas são consideradas doenças infecciosas e que são transmitidas por flebotomíneos infectados de espécies distintas. A visceral é caracterizada, principalmente, por febre de longa duração, aumento do fígado e baço, além de perda de peso acentuada. Já a tegumentar provoca úlceras na pele e mucosas.

O chefe do Departamento de Controle de Zoonoses da SES, Daniel Saraiva, a redução do número de casos demonstra o fortalecimento das ações no Maranhão. “A redução se deve a uma série de fatores, mas há uma conscientização muito forte para se trabalhar a leishmaniose em todos os seus aspectos, na parte de ambiente, de vetores, de reservatórios, diagnóstico e tratamento. Tudo isso se faz com capacitações dos profissionais de saúde e com as mobilizações sociais nos municípios e regionais”, afirmou.

Segundo a coordenadora do Programa de Vigilância e Controle de Leishmanioses da SES, Monique Maia, dentro das ações é realizado o monitoramento e acompanhamento de 18 cidades, consideradas prioritárias no controle do calazar e na diminuição das taxas de letalidade.

“São doenças complexas no contexto de controle, porque são doenças metaxênicas (quando parte do ciclo vital de um parasito se realiza no vetor, isto é, o vetor não só transporta o agente etiológico, mas é um elemento obrigatório para sua maturação ou multiplicação). É preciso uma ação conjunta de todos esses fatores para que a gente possa obter o resultado que é a diminuição de casos de incidência e a redução da letalidade”, afirmou Monique Maia.

Dentre as estratégias adotadas para combater a leishmaniose visceral canina e evitar casos em humanos tem sido a detecção precoce, que incluem testes rápidos, exames laboratoriais e dedetizações em regiões consideradas de risco.

Para João Andreza, responsável pelo serviço de Controle de Endemias no município de Pedreiras, o apoio do Governo do Estado e a mobilização da população proporcionou redução do número de casos em toda a Regional de Saúde de Pedreiras. “É de fundamental importância o apoio da regional, pois a gente sabe que a parceria com o município torna a ação muito mais eficaz”.

A principal razão para essa redução em Pedreiras, segundo João Andreza, são os serviços de informação sobre educação em saúde, manejo ambiental, sintomas das doenças. A décadas havia infestação intensa em Pedreiras, mas, hoje, nos encontramos em situação moderada, o que não vai nos impedir de continuar com o trabalho para erradicar ou reduzir a quase zero os casos”, disse.

Encontro anual

Profissionais de saúde de todas as regionais de saúde do Maranhão estão participando, nesta quarta-feira (5) e quinta-feira (6), do 1º Encontro Anual do Programa de Vigilância e Controle das Leishmanioses, no auditório do Hotel Praia Mar, em São Luís.

O encontro servirá para capacitação, apresentação de resultados e planejamento de ações para o próximo ano. Dentro da capacitação, foram discutidos o cenário atual e perspectivas de vigilância, implantação de instrumentos de investigação de óbitos por leishmaniose visceral e tegumentar, acompanhamento de pacientes tratados com Anfotericina B Lipossomal, manejo ambiental e outros temas.

O encontro encerra nesta quinta-feira (6) com apresentação dos planos de trabalho da leishmaniose tegumentar e visceral, plano estadual das doenças em 2019, instrumentos para planejamento de atividades de campo e a importância da testagem para diagnóstico do HIV em pacientes com leishmanioses.

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