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O ÓRGÃO DAS MULTIDÕES

O que é a endometriose?

A doença aflige cerca de 15 a 20% das mulheres em idade reprodutiva

 

Por: Aldo José dos Santos*

 

 

A endometriose consiste na presença do endométrio (tecido que reveste a camada uterina) fora do útero. Ainda não se sabe ao certo como esse tecido chega a outros locais, como ovários, intestino, bexiga, peritônio (tecido que envolve os órgãos por dentro), ou regiões mais atípicas, como cérebro, pulmões e septo nasal.

A doença aflige cerca de 15 a 20% das mulheres em idade reprodutiva (que menstruam), portanto, trata-se de uma patologia bastante comum, cuja gravidade é ampliada devido à dificuldade de diagnóstico. Na maioria das vezes, quando diagnosticada, a enfermidade se encontra em estágio avançado, causando dores e infertilidade.

Sintomas da endometriose
Cólicas menstruais de forte intensidade – que muitas vezes exigem medicação –, dores durante as relações sexuais, dificuldade em engravidar mesmo após um ano de tentativas, eventuais estorvos e/ou dores para evacuar e intestino solto durante a menstruação, podem ser indicativos de endometriose. Porém, em alguns casos ela é assintomática, e nestas situações geralmente descoberta somente ao tentar engravidar.

Os dois principais sintomas associados à endometriose são as dores (sejam as relacionadas ao ato sexual, à cólica menstrual, ao intestino ou à bexiga (na micção durante a menstruação)) e a infertilidade, e não o sangramento.

Causas da endometriose
Acredita-se que as mulheres acometidas pela endometriose possuem pré-disposição genética para tal. Simultaneamente a isso, ocorre um distúrbio da defesa do organismo, incapaz de combater a presença indevida do tecido endometrial. Além disso, o estrógeno (hormônio produzido pelos ovários) alimenta o crescimento da doença, por isso ela ocorre durante a fase menstrual.

Conforme a mulher recebe estímulo hormonal para menstruar, ocorre um incentivo ao desenvolvimento dos focos de endométrio situados fora do útero. É como se a menstruação ocorresse, por exemplo, no ovário, no intestino, na bexiga, porém, na verdade o que ocorre é um processo inflamatório bastante significativo, e ele é o responsável pelas dores.

Endometriose e infertilidade
Estima-se que cerca de 40% das mulheres com endometriose apresentam infertilidade, e, dentre as com infertilidade, de 30 a 40% possuem a doença, cuja causa interferência sobre a fertilidade ainda é pouco conhecida.

A infertilidade provocada pela endometriose pode ser revertida, mas isso depende de cada caso, alguns permitem intervenção cirúrgica, e a partir daí, a mulher pode engravidar. Entretanto, para isso o diagnóstico deve ser precoce.

Por ser um problema inflamatório, em longo prazo as lesões podem fazer com que os órgãos grudem uns nos outros (por exemplo, os ovários nas trompas, no útero, no intestino), como tentativa de defesa do organismo. Nesse contexto, a mulher não consegue engravidar por formas naturais, apenas artificiais, amparadas pela reprodução assistida.

Não se sabe exatamente o porquê de algumas mulheres apresentarem anatomia preservada, com apenas pequenos focos de endometriose, e, mesmo assim, não conseguirem engravidar. Especula-se que o fator inflamatório possa causar malefícios para o óvulo ou na implantação do embrião no útero.

Existem casos de portadoras de endometrioses avançadas que, após operadas, tiveram reconstruída a anatomia e engravidaram espontaneamente.

Adenomiose e endometriose
O fluxo menstrual elevado não costuma ser um sintoma típico de endometriose, mas de outras doenças que podem estar associadas à ela, como a adenomiose, na qual o endométrio se infiltra no músculo uterino. Alguns autores estrangeiros tratam o problema como se fosse uma manifestação interna da endometriose (no útero).
A adenomiose faz com que o útero amoleça e com dificuldades de contrair na menstruação, o que culmina no aumento do fluxo menstrual.

Fatores que contribuem para a endometriose

Baixa da imunidade
A endometriose tem relação profunda com a imunidade do organismo. Está comprovado na literatura médica que existem alguns distúrbios vinculados à imunidade das mulheres atingidas pela doença. Trata-se de pacientes que possuem alteração em alguns fatores de defesa do organismo: algumas células estão em maior concentração, mas com a função diminuída, e assim, as que normalmente se deslocariam até os focos de endometriose e os fagocitariam, perdem tal capacidade.

Estresse excessivo
O estresse, principal fator responsável por diminuir a imunidade feminina, possui estreita relação com a endometriose. Esse quadro gera aumento da ansiedade e com isso queda da imunidade.

Alimentação irregular
Uma dieta rica em alimentos relacionados ao estrógeno, como soja e derivados, alimentos transgênicos, e frangos engordados mediante aplicação de hormônios (o próprio estrógeno), compõem um fator ambiental que pode incitar a doença.

* médico generalista graduado pela UNITAU. Colabora também no portal https://www.leetdoc.com/br/

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