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O ÓRGÃO DAS MULTIDÕES

Campeão mundial em 1966 e autor de “defesa do século” contra Pelé, Gordon Banks morre aos 81 anos

Ex-goleiro da seleção inglesa e do Stoke City vinha lutando contra câncer nos últimos anos

Um dos maiores goleiros da história do futebol mundial, Gordon Banks morreu na manhã desta terça-feira, aos 81 anos, depois de uma longa batalha contra um tumor nos rins. A notícia surgiu na imprensa inglesa e foi confirmada pelo Stoke City, ex-clube do arqueiro, que anunciou a morte de Banks nas redes sociais após contato com a família, que apontou que o ídolo inglês “morreu tranquilamente durante a noite”.

(Foto: Reuters)

A Fifa logo se manifestou sobre a morte de Banks, lembrando que o goleiro foi “um dos maiores goleiros da história” e ofereceu “memórias esplêndidas” nas Copas do Mundo. A principal delas foi a chamada “Defesa do Século” protagonizada pelo inglês diante de cabeçada de Pelé no Mundial de 1970 (veja abaixo).

Uma de suas últimas aparições públicas foi durante o sorteio dos grupos da Copa do Mundo de 2018, no meio de 2017, quando foi um dos convidados pela Fifa. Na ocasião, Banks comentou uma linda defesa feita por Marcelo Grohe nas semifinais da Taça Libertadores, diante do Barcelona de Guayaquil.

Autor de defesa do século

Nascido em Sheffield, Banks iniciou a carreira no Chesterfield, onde ficou por um ano e chamou a atenção do Leicester. Com os Foxes, ganhou notoriedade ao chegar à final da Copa da Inglaterra e chegou à seleção inglesa. Depois de sete anos, rumou para o Stoky City, clube que defendeu por seis temporadas antes de se aventurar no Fort Lauderdale Strikers, dos Estados Unidos – rival, na época, do Cosmos, de Pelé.

Foi com a camisa do Leicester que Banks chegou à seleção inglesa, em 1963. Na Copa do Mundo seguinte, três anos depois, já era titular absoluto do English Team e atuou em todas as seis partidas para a conquista do título mundial em casa – levando apenas três gols na campanha: um na semifinal contra Portugal e dois na final diante da Alemanha. Banks somou 721 minutos sem deixar passar nenhum gol na ocasião.

Além do título mundial, um feito na Copa do Mundo seguinte, em 1970, foi fundamental para colocá-lo como um dos maiores da história: a chamada “Defesa do Século”. Em duelo contra o Brasil, na primeira fase do Mundial de 1970, no México, o goleiro impediu que uma cabeçada de Pelé balançasse as redes inglesas – em um lance considerado como praticamente impossível.

Veja a defesa histórica de Banks:

– Aquela defesa à cabeçada de Pelé foi a melhor que já fiz. Não tinha ideia de como ela ficaria famosa. Para começar, nem mesmo achava que iria fazê-la. Eu ouvi Pelé gritar “gol” quando cabeceou, seguido de um grande, quase ensurdecedor, furor. Até quando vi que tinha uma mão na bola, achei que ele tinha marcado. Quando me dei conta, a multidão estava me aplaudindo. Não podia acreditar. Bobby Moore veio e acariciou meu cabelo. Eu gosto de dizer às pessoas que ele estava me criticando por não segurar a bola, pois o jogo ainda estava 0 a 0 e tínhamos um escanteio para defender. Quando me levantei, tentei parecer o mais indiferente possível, como que dizendo que faço aquele tipo de defesa o tempo todo – relembrou Gordon Banks ao Observatório Mensal do Esporte, em 2003.

– Quando ele subiu para cabecear a bola, comecei a me mover na linha. Foi quando meu treinamento valeu a pena. O calor e a umidade no México faziam com que a bola se movesse pelo ar, e o gramado era extremamente duro. Então, a bola quicar na sua frente era desagradável. Eu sabia que sua cabeçada iria quicar um pouco mais, então não me joguei para baixo, mas para trás, para dar conta do salto. Consegui colocar as pontas dos meus dedos na bola, e ela foi para o ar, sobre o travessão – completou.

Banks encerrou a carreira em 1978, tendo ainda uma participação relâmpago em um clássico irlandês, defendendo o St. Patrick. Ao todo, defendeu a seleção inglesa em 73 partidas – entrando em campo 755 vezes por seus clubes. Foi nomeado “Goleiro do ano” pela Fifa por seis anos consecutivos, entre 1966 e 1971.

O inglês chegou a se aventurar como técnico no Telford United, no começo da década de 1980, mas desistiu da carreira.

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