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O ÓRGÃO DAS MULTIDÕES

Indígenas montam acampamento e são reprimidos pela Força Nacional

Acampamento organizado pela APIB (Articulação dos Povos Indígenas do Brasil) incluiu como reivindicação o retorno da Fundação Nacional do Índio (Funai) para o Ministério da Justiça

Foto: Reprodução.

Povos Indígenas de várias etnias e todas as regiões do Brasil madrugaram e montaram Acampamento Terra Livre nesta quarta-feira (24), na Esplanada dos Ministérios, em Brasília. A reivindicação maior é a mesma que perdura há décadas e está travada na burocracia dos órgãos governamentais federais: demarcação de terras indígenas.

O acampamento é organizado pela APIB (Articulação dos Povos Indígenas do Brasil). Este ano, os indígenas incluíram mais uma reivindicação: o retorno da Fundação Nacional do Índio (Funai) para o Ministério da Justiça – o Governo Bolsonaro transferiu o órgão para o Ministério da Mulher, da Família e dos Direitos Humanos (MHD).

CONFRONTO – A manifestação começou cedo – por volta das 05 horas. Desde ontem à noite os arredores e entradas do Congresso Nacional foram “cercados”. E o que era para ser uma manifestação pacífica, por pouco acaba em tumulto.

Tratados como “terroristas”, os indígenas foram reprimidos por integrantes da Força Nacional, que tentaram dispersá-los com gás de pimenta. Um grupo de parlamentares e outras lideranças entraram em campo, negociaram e conseguiram conter os ânimos.

O Acampamento foi transferido do gramado próximo ao Congresso para a Praça do Ipê – perto do Teatro Nacional e Rodoviário do Plano Piloto de Brasília – bem distante do Parlamento e dos Palácios do Planalto, da Justiça e do Itamaraty.

PROVOCAÇÃO – Na terça-feira (23), no seu perfil do Facebook, o presidente Jair Bolsonaro provocou a esquerda e foi preparando o campo e embate ideológico do movimento indígena chamando o acampamento de um “encontrão de índios” financiado com dinheiro público.

“Quem vai pagar a conta dos dez mil índios que vêm pra cá? É você [contribuinte]”, afirmou o presidente. Na semana passada, Bolsonaro autorizou – via ministro da Justiça, Sergio Moro – o uso da Força Nacional pelos próximos 33 dias na área da Praça dos Três Poderes e da Esplanada dos Ministérios.

REBATE – Em nota, a APIB rebateu a provocação do Planalto e negou que o evento acontecerá com dinheiro público. A entidade afirmou que o encontro, que ocorre há mais de 15 anos “em caráter pacífico”, é “autofinanciado com a ajuda de diversos colaboradores”.

A indígena maranhense Sonia Guajajara, referência internacional na luta dos povos indígenas e coordenadora executiva da APIB, criticou portaria do governo para uso da Força Nacional.

“A port. de Moro tenta nos intimidar e o presidente em sua live fala em nos integrar. Nos integrar à sociedade, presidente? A que vc nos oferece é a da guarda armada, a que queremos é a das terras demarcadas, da defesa da vida, do bem viver. Como sempre, seguiremos na resistência”, disse ela, em sua conta no Twitter.

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