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O ÓRGÃO DAS MULTIDÕES

JP está com correspondente in loco para a cobertura do 47º Festival de Cinema de Gramado

O Jornal Pequeno estará com um correspondente in loco, para acompanhar o dia a dia do festival

47º Festival de Cinema de Gramado - Mostra Educavídeo (Foto: Cleiton Thiele / Agência Pressphoto)

O mais tradicional festival de cinema brasileiro chega à sua 47ª edição. Gramado vai respirar a sétima arte nos próximos dias, com apresentações de muitos filmes, curtas e longas-metragens, nacionais e estrangeiros, além de muitas outras atrações.

O Jornal Pequeno estará com um correspondente in loco, para acompanhar o dia a dia do festival, que será reproduzido aqui no site JP e com lives e stories pelo Instagram @jornalpequeno, em parceria com o cinéfilo Márcio Sallem, do site www.cinemacomcritica.com.br instagram @cinemacomcritica

Abaixo, as primeiras impressões de Márcio Sallem e a expectativa para o 47º Festival de Cinema de Gramado:

Gramado/RS, 16/08/2019

No percurso de aproximadamente 104 quilômetros que separam Gramado de Porto Alegre, conversava com o motorista e perguntei-lhe suas impressões sobre este Festival, que chega neste ano a sua 47ª edição. Enquanto desenhava mentalmente suas confidências sobre as discussões e brigas públicas de casais de atores nas ruas da charmosa e pacata cidade serrana e a chegada de astros e estrelas em limusines, com garrafas de espumante nas mãos e ternos já desengomados e gravatas afrouxadas, também não pude deixar de refletir acerca de como o mercado artístico amadureceu além deste glamour inacessível e aproximou-se do público, humanizando-se a partir das redes sociais.

Se antes havia estrelas que estampavam as capaz de revistas conceituadas de cultura, moda e cadernos de jornais, e inspiravam o estilo e comportamento de seus fãs, agora os artistas repartem seu cotidiano com o público dia após dia, desnudando-se daquela aura etérea que os recobria para caminharem, indistintamente, nas ruas da cidade, compartilhando histórias – no celular, inclusive -, selfies, autógrafos, para os que ainda colecionam, e simpatia, com a infraestrutura proporcionada pelo Festival.

De janeiro de 1973, data do 1º Festival de Gramado, para hoje, a essência e o encanto que a cidade proporciona à arte cinematográfica permanecem intacta, mas muito também mudou. A começar pela alteração da estão do ano: do verão ao inverno, atraindo o turismo nacional para apreciar a seleção de longas e curtas-metragens e também os passeios e a gastronomia local. Desde 1992, com o fim da Embrafilme e a crise na produção cinematográfica nacional, o Festival abriu as portas para a produção estrangeira, em particular, latino-americana.

Realizado de 16 a 24 de agosto neste ano, o 47º Festival de Gramado exibirá, em competição, 19 longas-metragens, nacionais e internacionais, e 34 curtas-metragens, divididos em cinco mostras competitivas: longas nacionais, gaúchos e internacionais e curtas nacionais e gaúchos. Estas produções foram criteriosamente selecionadas por uma curadoria especializada dentre mais de 1.000 títulos (foram, respectivamente, 195, 95 e 777 longas nacionais e internacionais e curtas nacionais).

Durante esse período, Gramado será sede das estreias da ficção biográfica da saudosa Hebe Camargo, Hebe – A Estrela do Brasil, interpretada por Andrea Beltrão, que, a partir das primeiras imagens e do trailer oficial, parece haver encarnado de corpo e alma a dama da televisão e rádio. A história, dirigida por Maurício Farias, esposo da atriz, contará como Hebe superou a pobreza e enfrentou a pressão social, os maridos ciumentos e a ditadura militar para eternizar seu nome na história do entretenimento nacional.

Quem também exibirá seu trabalho mais recente na serra gaúcha é o diretor, roteirista e ator Miguel Falabella, com Veneza, tendo agremiado um grande e respeitável elenco: Carmen Maura, Dira Paes, Eduardo Moscovis, Carol Castro, Danielle Winits, dentre outros, estrelam a comédia e farsa protagonizada por Gringa, uma cafetina cega de um bordel no interior do Brasil que tem o sonho de conhecer a histórica cidade italiana, que abriga um dos festivais de cinema mais respeitados do mundo. Rita, a herdeira improvável de Gringa, decide realizar seu sonho de forma poética e lúdica.

Mais cinco filmes completam a disputa acirrada da Mostra Nacional de Longas-Metragens: O Homem Cordial, dirigido por Iberê Carvalho e estrelado por Paulo Miklos; Raia 4, que representa o Rio Grande do Sul na competitiva com o comando de Emiliano Cunha; Vou Nadar até Você, o primeiro trabalho de Bruna Marquezine como protagonista neste drama dirigido pelo fotógrafo Klaus Mitteldorf; Pacarrete, do cearense Allan Deberton; e 30 Anos Blues, com co-direção de Andradina Azevedo e Dida Andrade.

Enquanto isso, a Mostra Estrangeira mantém a diversidade temática e regional da Nacional. Do Equador, A Son of Man – La Maldición del Tesoro de Atahualpa. Da Argentina, La Forma de las Horas, da diretora, atriz, bailarina e coreógrafa Paula de Luque. Estarão ainda em competição filmes da Bolívia (Muralla), Costa Rica (El Despertar de Las Hormigas), Uruguai (En El Pozo), Chile (Perro Bomba) e México (Dos Fridas), apresentando ao público-médio uma programação cultural a que não está habituado a conferir e reveladora do estágio fértil da produção cinematográfica ao redor do mundo.

Todos esses filmes disputarão o cobiçado troféu Kikito, idealizado pela artista Elisabeth Rosenfeld em 1967, como a representação do deus do bom humor. Tornou-se o símbolo do Festival e também da cidade, com estatuetas espalhadas ao longo de suas principais vias e rotatórias para celebrar o aconchego caloroso e empático que a arte promove.

Fora de competição, o Festival homenageará o ator Leonardo Machado, apresentador de oito edições e que morreu precocemente aos 42 anos. Em um de seus papéis derradeiros, o ator interpreta Leonel Brizola no drama político Legalidade, que narra a maquinação nos bastidores para assegurar a posse de João Goulart após a renúncia de Jânio Quadros. A produção venceu quatro prêmios no recente 42º Festival Guarnicê de Cinema, em São Luís: melhor direção, melhor direção de arte, melhor fotografia e melhor ator Também serão celebrados a curadora argentina Eva Piwowarrski e Rubens Ewald Filho, o nome mais prestigiado da crítica cinematográfica brasileira, ambos recentemente falecidos.

Para fechar com chave de ouro esta 47ª edição, ou melhor, abri-la, a avant premiere de Bacurau, dos diretores Kleber Mendonça Filho e Juliano Dornelles, laureado com o Prêmio do Júri no Festival de Cannes – o correspondente ao terceiro lugar na competição, abaixo só da Palma de Ouro e do Grande Prêmio do Júri. Diretor de O Som ao Redor e Aquarius, com enorme prestígio nacional e internacional, Kleber apresentará, em primeira mão no Brasil, seu faroeste sertanejo distópico estrelado por Sônia Braga e grande elenco e, segundo muitos especialistas, o nome mais forte a representar que poderia representar o Brasil caso seja escolhido para representar o Brasil na disputa do Oscar. A produção tem data de estreia nacional: 26 de agosto, com pré-estreias pagas a partir de sábado, 17, inclusive nos cinemas da ilha.

Essa efervescência artística nos remete ao início do texto: o desfile de celebridades que o Festival possibilita. A começar por seus homenageados Maurício de Sousa (Troféu Cidade de Gramado), Carla Camurati (Troféu Eduardo Abelin), Leonardo Sbaraglia (Kikito de Cristal) e Lázaro Ramos (Troféu Oscarito), para então os artistas dos filmes exibidos, os integrantes dos júris oficiais e aqueles que desejarem assistir, em primeira mão, no conforto e brilho do Palácio dos Festivais um leque representativo da produção cinematográfica nacional. Até porque quem ama cinema, respira e produz cinema ou, pelo menos, escreve a respeito deste, com a emoção de quem realizou o sonho de visitar, pela primeira de muitas vezes, o Festival de maior prestígio nacional.

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