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O ÓRGÃO DAS MULTIDÕES

Emboscada de madeireiros resulta na morte de líder indígena em Bom Jesus da Selva

O governo do Maranhão está acompanhando a situação e deslocou equipes para apurar o caso.

Paulo Paulino (à dir.) e Laércio Guajajara, baleados por invasores da Terra Indígena Arariboia (Foto: Scott Wallace)

O líder indígena Paulo Paulino Guajajara foi assassinado na sexta-feira (1º ) em um confronto com madeireiros na Terra Indígena Arariboia, na região de Bom Jesus das Selvas, no Maranhão. Ele era integrante de um grupo de agentes florestais indígenas autodenominados “guardiões da floresta”.

A informação foi confirmada pelo governo do Maranhão, por meio da Secretaria de Estado dos Direitos Humanos e Participação Popular, que deslocou equipes para apurar o caso e proteger os ameaçados, junto com a Secretaria de Segurança Pública.

Além de Paulino, o líder indígena Laércio Souza Silva sofreu ferimentos graves e um madeireiro está desaparecido.

O indigenista Carlos Travassos, que conversou ao telefone com Laércio na madrugada, informou que o indígena lhe relatou que ele e Paulo Paulino foram visitar uma aldeia “e na volta pararam para caçar, levar comida para casa, alimentar os filhos”.

“Quando eles chegaram na região conhecida como Cascudo, que é uma antiga casa do Paulo, foram surpreendidos por não indígenas armados. Eles tentaram render os indígenas e acabou ocorrendo um tiroteio. Quem deu os primeiros tiros foram os madeireiros, atiraram na região do pescoço do Paulo, que não se mexeu mais. O Laércio foi baleado nas costas e no braço. Ele conseguiu chegar à aldeia sozinho e foi para Imperatriz [receber atendimento].”

A terra indígena Arariboia é alvo de constantes invasão de madeireiros, o que também ameaça uma etnia de recente contato e outra parte ainda não contatada, dos awá-guajá. Segundo Travassos, as invasões de madeireiros à terra indígena se intensificaram a partir de janeiro deste ano. Em resposta às constantes invasões, os indígenas organizaram um grupo de fiscalização e controle das próprias terras, batizado de “Guardiões da Floresta”.

Durante a madrugada deste sábado (2), a morte do líder indígena provocou manifestações de organizações não governamentais como o Greenpeace e de lideranças como Sônia Guajajara, coordenadora da Apib (Articulação dos Povos Indígenas do Brasil).

As terras indígenas do Maranhão sofrem invasões de grileiros e madeireiros há décadas e desde 2012 os chamados “guardiões da floresta” tentam proteger a região por conta própria, expulsando os invasores. O grupo é formado por 180 indígenas e realiza ações noturnas contra madeireiros.

De acordo com o que foi divulgado até agora, o que aconteceu na sexta-feira foi uma emboscada de madeireiros contra indígenas, provocando um violento conflito.

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